quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Matriz da Luz - Vizinha Histórica de Jaboatão




O povoado de Matriz da Luz, ou Nossa Senhora da Luz, é o 2° distrito do município de São Lourenço da Mata e situa-se a alguns quilômetros a oeste do centro dessa cidade. Localizado em uma colina que serve de divisor de águas entre as bacias do Rio Capibaribe e do Rio Jaboatão, o povoado de Matriz da Luz é cercado por antigos engenhos de cana-de-açúcar e canaviais, o que dá um ar bucólico ao local. Seu nome deve-se a igreja principal do povoado que está sob a invocação dessa santa.


Segundo o historiador Pereira da Costa, a Igreja de Nossa Senhora da Luz, erguida inicialmente como capela, já existia em 1540 como consta de um documento de demarcação de terras. Sendo assim, levando em consideração as igrejas que ainda estão de pé, ela seria uma das mais antigas de Pernambuco e do Brasil. A povoação cresceu em torna da capela e, segundo documentos do período holandês, ela era conhecida como Povoação da Muribara e, assim como em toda região vizinha, era muito rica em pau-brasil. Hoje, além da Igreja de Matriz da Luz, o povoado conta com a Igreja de Nossa senhora dos Homens Pretos, de data posterior.



A Igreja de Matriz da Luz sofreu várias ampliações e modificações ao longo do tempo. Por isso, é possível constatar nela elementos arquitetônicos típicos de vários períodos, sendo difícil situá-la em um estilo único. Porém, percebemos elementos clássicos em sua fachada. Seu interior é simples e, segundo informações fornecidas pelo responsável pela igreja, alguns elementos originais foram retirados. Apesar disso, há ainda uma pia batismal e seteiras, na parte posterior da igreja, o que indica uma função secundária de "forte". Ainda segundo informações fornecidas, na última reforma foram encontrados esqueletos dentro de uma das paredes que provavelmente eram de pessoas importantes da região. Sua torre sineira fica no lado esquerdo.


No outro extremo do largo principal do povoado encontra-se a pequena Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Pertencente à irmandade dos pretos, provavelmente foi construída por estes para a realização de seu cultos. Ela é muito simples, tendo passado por uma restauração no ano de 2007. Seu interior é modesto com altar-mor e teto sustentado por tesouras de madeira.



No entorno do povoado, encontram-se ainda vários engenhos como o Tapacurá (tombado a nível estadual), o Curupaity, Pixaó, São José, Colégio, Muribara, entre outros. Alguns destes possuem ainda suas casas-grandes e outros componente típicos de um engenho. Mas devido a nossas limitações não pudemos visitá-los. A Igreja de Matriz da Luz é tombada pela FUNDARPE e seu entorno já sofreu alterações não previstas, como a edificação de mais de um pavimentos nas casas e alterações nas fachadas. Poucas são as casas que conservam suas características originais no povoado.


No século XIX, o governo do estado decidiu criar uma estrada ligando Jaboatão ao Povoado de Matriz da Luz. Era por essa estrada, conhecida como Estrada da Luz, que seguiam as romarias rumo às festividades religiosas partindo de Jaboatão. Hoje, este caminho existe apenas parcialmente, pois parte dele foi inundado com a construção da represa de Duas Unas. No Instituto Histórico de Jaboatão há algumas escrituras antigas de transações envolvendo alguns engenhos da área de influência de Matriz da Luz. Assim, Matriz da Luz, além de ser uma vizinha próxima e interessante de Jaboatão, também faz parte da nossa história.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A questão do patrimônio histórico em Jaboatão

Por James Davidson

Jaboatão dos Guararapes é uma cidade que possui um rico patrimônio histórico que ainda é pouco conhecido pela sua população e que carece muito de proteção legal por parte do governo. Muitos são os edifícios que vem sendo destruídos pelo descaso de seus proprietários e pela falta de uma legislação (ou de sua aplicação) de proteção para alguns bens. Este é mais um dos graves problemas enfrentados por nossa cidade!


Jaboatão possui apenas 4 bens tombados a nível nacional pelo IPHAN: Os Montes Guararapes, A Igreja dos Prazeres, o Convento e a Igreja de Piedade. A nível estadual Jaboatão possui como bens tombados pela FUNDARPE: a Capela do Loreto, o Engenho Suassuna e o Povoado de Muribeca dos Guararapes. Sobre o tombamento a nível municipal vamos explicar com mais detalhes a questão.



Em 1978, a FIDEM desenvolveu o Plano de Preservação de Sítios Históricos da Região Metropolitana do Recife onde foram escolhidos alguns conjuntos e edifícios históricos da RMR para tombamento estadual e alguns outros ficaram indicados para futuras propostas. Em Jaboatão, o povoado de Muribeca foi um dos escolhidos para tombamento, enquanto outros sítios foram apenas delimitados e indicados como bens de interesse cultural, como o Conjunto de Jaboatão Centro e as Oficinas e Vilas Operárias Ferroviárias de Jaboatão Centro. O Engenho Suassuna foi analisado mas, infelizmente e imprudentemente, descartado do processo.



Posteriormente, baseando-se no mesmo estudo efetuado pela FIDEM, a Prefeitura Municipal do Jaboatão decidiu criar as áreas especiais de interesse cultural - AEPC - onde foram protegidas o Conjunto de Jaboatão Centro (que incluía as igrejas de Santo Amaro e do Livramento, com o casario ao redor) e o Conjunto das Oficinas e Vilas Ferroviárias. Esta proteção oferecia vantagens a quem mantivesse os edifícios preservados, como isenção de IPTU por um certo tempo e punia os transgressores que modificassem e descaracterizassem os edifícios.


Com a criação da Fundação Yapoatam, em 1996, durante a administração do prefeito Humberto Barradas, foi criado o cadastro de bens culturais de Jaboatão dos Guararapes onde alguns edifícios e sítios históricos foram listados e catalogados. Apesar de incompleto (mais da metade do número de bens ficaram de fora) e de muitos erros nas informações históricas, foi uma importante iniciativa no sentido de divulgar e incentivar o conhecimento a respeito do nosso município. Inclusive, foi o livro que primeiro despertou em mim o interesse pelas coisas de Jaboatão dos Guararapes.


Mas as poucas atitudes no sentido de proteger o nosso patrimônio histórico logo foram anuladas pelas "desadministrações" que seguiram à administração de Humberto Barradas. Se durante as gestões de Nilton Carneiro e Rodovalho nem a saúde, coleta de lixo e educação funcionavam, quanto mais as referentes ao nosso patrimônio histórico!


Com isso, as leis que existiam foram completamente ignoradas e não evoluíram. A Fundação Yapoatam foi completamente afundada e envolvida em denúncias de corrupção e acabou sendo extinta. Enquanto isso, as pessoas e a própria prefeitura não respeitaram o nosso patrimônio histórico. Muitas casas em Jaboatão Centro e em Muribeca foram descaracterizadas, prédios belos e imponentes como "a Senzala", a Antiga Coletedoria Estadual, o Bar Redondo e o Padre Chromácio Leão foram destruídos, a estação e as oficinas ferroviárias ficaram abandonadas, o Engenho Suassuna foi saqueado e os demais edifícios de valor histórico continuaram esquecidos!



Hoje, apesar do surgimento da sede do Instituto Histórico de Jaboatão e da recuperação do Edifício Leão Coroado e da Casa da Cultura, a situação não melhorou muito. A casa onde viveu a pianista Amélia Brandão, por exemplo, continua sendo descaracterizada e aos poucos vai sendo destruída. O Engenho Suassuna continua em ruínas e outros edifícios históricos estão na mesma situação! Temos esperanças que a nova gestão, que já se dispôs em apoiar o Instituto Histórico de Jaboatão em suas atividades de manutenção, atenda as nossas reivindicações. O município precisa urgentemente resgatar e atualizar a legislação existente para que nossa história não se perca completamente!

A origem do nome Jaboatão

Por James Davidson

Mais um tema polêmico. Qual a origem do nome Jaboatão? Existem várias teorias para explicar esta questão. Vejamos quais são:
Para Teodoro Sampaio, a palavra  Jaboatão vem de "Yauapoatã" que significa mão rija de onça. Para Garcia Rodrigues Jaboatão vem de Yapoatam que seria uma árvore cujo caule era usado para fazer mastros de navio, enquanto para o bispo Dom Raimundo da Silva Brito Jaboatão vem de Yaboaty-atam que significa "andar como cágado".
Analisando a questão, percebe-se que é realmente um assunto muito complicado, principalmente quando se não é especialista em tupi arcaico, mas é possível tirar algumas conclusões através de uma pesquisa histórica.
 A versão mais aceita atualmente é a defendida pelo jornalista Mário Melo - YAPOATAM - quando este realizou um relatório a pedido do Prefeito Brandão Cavalcanti, durante a década de 50. Segundo ele, "era a versão consagrada pelo povo e por isso a mais verdadeira" e por isso foi adotada como sendo a oficial. O interessante é que, no mesmo relatório, ele afirma que "não foi possível encontrar a árvore nem seu desenho com a população".
 Orlando Breno, em seu famoso livro "Jaboatão sua terra sua gente"e seguindo um raciocínio brilhante, defende a idéia de que a teoria correta seria a de D.Raimundo da Silva Brito - YAPOTY-ATAM - e, para isso, ele desenvolve os seguintes questionamentos: Foi o rio que deu nome à cidade ou a cidade que deu nome ao rio? Ora, nas primeiras cartas de sesmarias, datadas da década de 1560, aparece a expressão "Ribeira do Jaboatão" indicando que o rio já se chamava assim antes mesmo dos primeiros engenhos surgirem. Logo foi o rio que deu nome à cidade e não a cidade que deu nome ao rio. Onde está a tão falada árvore chamada de YAPOATAM? Como a cidade poderia receber o nome de uma árvore que ninguém conhece? Pesquisei em vários autores antigos procurando alguma referência que pudesse comprovar a tese da bendita árvore, mas ninguém fala nada sobre ela. Pesquisei em Frei Vicente Salvador, Fernão Gardim, Hans Standen, Frei Jaboatão, Frei Manuel Calado, Gabriel Soares de Souza, nos Diálogos das grandezas do Brasil, em relatórios e livros do período duartino e holandês e nada encontrei. Mesmo havendo vários catálogos de espécies nativas nesses volumes, não foi possível encontrar a tal árvore chamada Yapoatam. Como ela era usada para fazer mastros se ninguém comprova que ela existiu? Será que alguém hoje poderia mostrar um exemplar se quer dessa tão falada árvore? Se ela realmente existe, qual é o seu nome científico?

A versão que parece ser a mais lógica é a defendida pelo Bispo Dom Raimundo Brito. O primeiro autor a falar sobre Jaboatão, Samuel Campelo, defende essa teoria. Sebastião Galvão, no seu famoso dicionário histórico, também defende o mesmo. Todos os moradores antigos também confirmam a versão que o nome Jaboatão faz referência aos cágados que existiam no Rio Jaboatão. Ainda hoje é possível enxergar alguns desses cágados tomando banho de sol nas águas do Duas Unas. Assim, a palavra Jaboatão parece significar mesmo "andar como cágado", como defende o bispo e não Yapoatam, como defendem alguns.

15 anos da cheia de 2005

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