Mostrando postagens com marcador Cidadania. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cidadania. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Os 15 maiores problemas do Jaboatão dos Guararapes

 Por James Davidson




Aproveitando que estamos no período eleitoral, e como profundo conhecedor do Jaboatão dos Guararapes, seus diversos bairros e comunidades, sua história e sua paisagem, seus problemas e dificuldades, decidi fazer uma matéria sobre os principais problemas do município. Os problemas a serem listados a seguir não estão obedecendo a nenhuma ordem hierárquica, ou seja, o primeiro não quer dizer que seja mais importante que o décimo. Também não são os únicos problemas existentes no município. Todavia são aqueles que de acordo com minha experiência estão entre os mais importantes.
Como não é do meu feitio apenas apresentar os problemas, aproveito a oportunidade para sugerir intervenções a fim de solucioná-los ou, ao menos, amenizá-los.


1 - Integração Viária- Jaboatão dos Guararapes é conhecido como município da Integração Nacional. Isso é devido ao fato da vitória contra os holandeses ter permitido a integração do Nordeste ao restante do país. Apesar disso, o território do município é bem pouco integrado entre si, havendo poucas vias de acesso entre os diversos distritos ou regionais - Prazeres, Centro, Praias, Curado, Cavaleiro, Muribeca e Guararapes. Basta uma olhada simples num mapa do município que se verá a dificuldade de ir, por exemplo, dos Curados até Prazeres (muitas vezes tendo de sair de Jaboatão para poder fazer esse percurso. A verdade é que Jaboatão é muito mal integrado e isso tem favorecido o sentimento de fragmentação identitária e política do território. 
Entretanto, é possível perceber no mapa algumas possíveis intervenções que ajudariam a diminuir esse problema. Por exemplo, o acesso direto de Cavaleiro para Prazeres poderia ser muito melhor se houvesse uma comunicação entre a Avenida Manuel Carneiro Leão, em Dois Carneiros, até o bairro de Marcus Freire (contíguo a Dois Carneiros sendo separado apenas pela linha férrea), evitando assim o complicado e enladeirado caminho usado atualmente (que passa pelo Loteamento Grande Recife, Monte Verde e URs). Dessa maneira, de Marcus Freire já seria possível chegar ao Eixo de Integração de forma bem mais rápida.
A Rodovia Eixo de Integração foi construída na época de Geraldo Melo, em 1979, sendo um grande facilitador do acesso entre Jaboatão Centro e Prazeres, anteriormente sendo feito apenas pela BR 101. Atualmente, além dos frequentes abandonos por parte das autoridades (que deixam essa rodovia na escuridão noturna, sem falar nos buracos), o Eixo de Integração já deveria ter sido duplicado há muito tempo, tendo em vista o fluxo de veículos crescente e o espaço disponível para isso. Todavia, a falta de articulação política, de interesse e as disputas entre Estado e Município somente vem atrapalhando a situação dessa rodovia.
Ainda sobre o Eixo de Integração, é incrível notar num mapa do município como a ausência de alguns ramais tornam certos caminhos mais difíceis. Por exemplo, uma pequena ponte sobre um canal daria acesso aos moradores da UR 11 e UR 06 ao Eixo de Integração, via Marcus Freire. O motorista que vindo de Jaboatão Centro demandasse o Cabo poderia ter reduzido 10 km de percurso se a Estrada que parte detrás da sede da Regional de Muribeca pudesse prosseguir até o bairro de Comportas, bastando para isso a reconstrução da Ponte do Engenho São Bartolomeu. São coisas que ficam visíveis apenas observando o mapa do município.
Isso sem contar com duplicação da Estrada de Curcuranas e da rodovia ligando a Br 101 ao bairro de Piedade (passando por dentro de Cajueiro Seco). Tudo isso demanda, além de conhecimento e recursos, claro, vontade política.

2 - Saneamento - O saneamento básico é de longe um dos maiores problemas do município. Jaboatão dos Guararapes está em 94° lugar em saneamento básico do país, considerando as 100 maiores cidades. Portanto, entre as grandes cidades, Jaboatão está entre as 10 com pior saneamento. Não é difícil constatar isso quando se visita as localidades mais carentes da cidade. As consequências disso são o despejo do esgotamento sanitário direto nos cursos d'água - Rios Jaboatão, Tejipió, Duas Unas, Jordão, Lagoa Olho D'água e seus afluentes - resultando em doenças para a população. A Lagoa Olho D'água é, por exemplo, um dos maiores focos de esquistossomose do Estado de Pernambuco, pois é o destino final de todos os resíduos da região das praias e do extenso distrito de Prazeres.
Nesse caso não existe solução a não ser essa: um pesado investimento em estações de tratamento de esgoto pelo município. Infelizmente, ao contrário de outras obras, essa pauta não dá a visibilidade política que deveria junto à população, daí que os gestores preferem ignorar o problema que, no final vai se tornando cada vez mais grave.

3 - Patrimônio Histórico - Como não poderíamos deixar de destacar aqui, a Cidade do Jaboatão dos Guararapes tem um longo histórico de descaso com seu Patrimônio Histórico Cultural. Como já foi divulgado aqui neste site várias vezes, o Patrimônio de Jaboatão agoniza. A antiga Estação Ferroviária de Jaboatão Centro, fundada em 1885, berço do desenvolvimento da cidade, sucumbe ao tempo diante de todos que passam pelo terminal de ônibus. Se um prédio histórico dessa envergadura, localizado no centro da cidade, sofre ignorado pelas autoridades, que falar daqueles localizados em locais mais afastados - como os Engenhos Novo da Muribeca, Suassuna (antiga Usina Jaboatão), Duas Unas, Penanduba, etc. Falta uma política concreta de preservação do patrimônio que busque revitalizar esses bens, dando um uso social e cultural aos edifícios a fim de evitar a destruição de nossa memória.
Para solucionar esse problema, antes de mais nada, seria necessário que os gestores tivessem pelos menos o interesse em conhecer a História do Jaboatão. Como não conhecem, ou conhecem pouco, ignoram a presença de valiosos bens culturais em nosso município. O Engenho Suassuna foi o berço das Revoluções Pernambucanas de 1817 e de 1824. A Casa da "Tia Amélia" da música de Robertos Carlos está caindo aos pedaços. Enquanto isso, municípios como Moreno, com menos recursos que Jaboatão, conseguiu recuperar a antiga Estação Ferroviária, utilizando para isso recursos próprios. É uma vergonha que um município tão grande como Jaboatão não consiga fazer o mínimo!

A casa-grande do Engenho Duas Unas jaz em ruínas, tendo outros sido residência dos escritores Maximiano Campos e Renato Carneiro Campos.


4 - Meio Ambiente - A falta de saneamento tem repercussão direta sobre o meio ambiente. Em Jaboatão Centro os rios Jaboatão, Duas Unas e Manassu estão em precário estado de degradação, onde o lixo e o esgoto a céu aberto deixam a água escura e com um odor característico. A fauna sobrevive de forma valente no rio Duas Unas, apesar da intensa poluição que esse rio recebe, não somente residencial mas também industrial. Outro grave problema é o desmatamento. As áreas de mangue estão cada vez mais reduzidas na zona estuarina do Rio Jaboatão, em Barra de Jangadas, enquanto as Reservas de Manassu, Jangadinha e Mussaíba sofrem com invasões e pressão dos bairros vizinhos - Santo Aleixo, Socorro, Cavaleiro e Curados. Da Reserva de Salgadinho, na zona rural de Muribeca, somente restam fragmentos. A Lagoa Olho D'água seria um dos principais cartões-postais do município se não fosse o esgoto e a degradação ambiental que sofre esse importante ecossistema.
Jaboatão precisa efetivar várias ações em defesa do Meio Ambiente. Além de um projeto de Educação Ambiental que não fique restrito aos muros escolares, bem como a criação de estações de tratamento de esgoto (já citadas) faz-se necessário fortalecer as ações da Guarda Ambiental - Gama. Jaboatão poderia também criar algumas reservas a nível municipal, para salvaguardar algumas áreas de especial interesse ambiental. Entre essas podemos citar a Lagoa Olho D'água, o Aningal do Rio Jaboatão (localizado em Comportas onde existe jacaré de papo-amarelo), as cachoeiras de Muribeca (já sujeitas a invasões), o Morro da Macambira, Pedra da Onça (Engenho Rico, onde existem várias grutas naturais), Pedra da Baleia e as Grutas de Megaípe (essas já ameaçadas pela atividade mineradora).

Jacarés, Cágados, Capivaras podem ainda ser vistos nos rios Jaboatão e Duas Unas Foto: Pescador Soares


5 - Lazer - Outro grave problema de Jaboatão é a falta de áreas de lazer. Jaboatão não possui praticamente academias da cidade nem parques urbanos. Praças públicas são raras na cidade (exceto no Centro), principalmente em Prazeres e nos bairros mais novos. A atual gestão iniciou a construção de dois novos parques - em Prazeres junto a BR 101, e em Jaboatão Centro, no antigo Estádio Jefferson de Freitas - ações válidas, mas ainda tímidas diante da necessidade do município. A população dos Curados reivindica há anos a construção de um parque na área, notadamente no terreno ocioso pertencente a União entre as BRs 232 e 408. Muitos bairros não contam nem sequer com uma única praça e regionais como Cavaleiro, Centro, Curados, Muribeca, Guararapes e Prazeres são bastante carentes em áreas de lazer.
A Regional de Muribeca conta ainda com vários espaços ociosos onde deveriam ser construídos parques públicos e academias da cidade, antes que a expansão urbana acabe de ocupar por completo a área ao longo do Eixo de Integração. Em Jaboatão Centro, as áreas do antigo Engenho Duas Unas (onde a população já faz cooper na chamada "Entrada da Coca-cola"), o Campo da Bulhões, da Macaxeira, da Vila Newton Carneiro em Vila Piedade, entre outras, poderiam ser melhor estruturados como parques, com pistas de cooper, playground, quadras e academias. A área da Moenda de Bronze, constantemente açoitada pelas cheias do Rio Jaboatão, poderiam também ser revitalizada nesse sentido.

6 - Saúde - Uma das áreas em que a população de Jaboatão mais sofre é com certeza a área da saúde. A falta de médicos e de remédios nos postos de saúde tem sido uma constante diária na vida da população jaboatonense, notadamente da mais carente. Que adianta a construção de novos postos se os que existem não oferecem o mínimo de serviços médicos, odontológicos e de enfermagem? Além disso, Jaboatão reivindica há anos a entrega da Maternidade Rita Barradas, demolida em 1996 por Newton Carneiro, iniciada sua reconstrução durante a gestão de Elias Gomes e atualmente ainda não concluída. A UPA de Jaboatão Centro vive lotada e não dá conta da demanda por atendimento na localidade.
De início o mais urgente seria revitalizar os postos de saúde existentes, trazendo de volta os médicos e dentistas para o atendimento da população. Um programa de farmácia popular para oferecer medicamentos a baixo custo também seria interessante, mas o importante mesmo seria que a população mais carente voltasse a ter acesso aos remédios oferecidos gratuitamente nos postos. Além disso, a construção de UPAs municipais em algumas regionais ajudaria a melhorar o atendimento médico de alguns bairros. Por exemplo, uma UPA localizada no início do Eixo de Integração, em Muribeca, já seria um grande avanço para os moradores daquela regional e das vizinhas.
Outra necessidade é a construção de novos hospitais. Como a UPA de Jaboatão Centro não atende a demanda, um hospital municipal na região seria bastante oportuno. Jaboatão também poderia construir hospitais voltados para públicos específicos, como fez o Recife, tendo um Hospital da Mulher, Hospital do Idoso, Centro de Saúde do Homem, etc. A construção recente de uma unidade para atendimento veterinário em Massaranduba é uma iniciativa que merece ser reconhecida.



7 - Educação - Jaboatão teve nessa última década até alguns avanços importantes em relação ao IDEB, chegando mesmo a superar a Cidade do Recife em alguns anos. Todavia, persistem alguns problemas que não podem ser ignorados. Algumas escolas sofrem com problemas de infraestrutura. Conhecido mesmo é o caso da Escola Estelita Maria Mendes, em Muribeca, onde os professores tem que se deslocar diariamente entre dois prédios distintos. Os professores da rede municipal de Jaboatão também têm sofrido com a perda salarial ao longo dos anos, já que o município não tem dado o aumento salarial correspondente nos últimos anos, a tal ponto de já estar havendo uma perda relativa se comparado ao piso nacional. Sem falar na necessidade de um maior número de creches e da estrutura física de algumas escolas.
A solução nesse caso é simplesmente cumprir a Lei Nacional do Piso, recuperar a estrutura física das escolas, construir novas creches nos locais onde há maior demanda. Também seria interessante a construção de um centro de formação para professores em prédio próprio, com melhores acomodações para essa atividade.


8 - Segurança Pública - A segurança pública é responsabilidade principalmente do governo estadual. Isso não isenta o município, porém de efetivar algumas ações que visem a prevenção e a diminuição dos índices de criminalidade. Entre essas ações estão o monitoramento das principais vias, praças e locais públicos do município através de câmeras de vigilância. A Guarda Municipal deveria ser melhor estruturada devendo ter um maior número de postos fixos em locais estratégicos como praças, escolas e outros equipamentos públicos do município. Nossas praças têm se tornado ponto de venda e distribuição de drogas a céu aberto, durante o dia, à vista de todos, principalmente pela falta de monitoramento e policiamento. Muitas escolas já foram roubadas também pela falta de vigilância e de guardas municipais para fazer a segurança durante a noite. O Eixo de Integração da Muribeca tem sido alvo constante de assaltos durante a noite pela falta de iluminação pública, problema presente também em outros lugares. Sem falar das delegacias que funcionam em horário limitado, estando quase sempre fechadas no horário noturno e durante os finais de semana, justamente quando acontecem mais crimes.

9 - Cultura - A Cidade do Jaboatão foi historicamente um celeiro cultural onde vários artistas, poetas, músicos e outros atores culturais iniciaram a sua carreira e fizeram história. Infelizmente a maioria dos nomes artísticos de Jaboatão permanecem como grandes desconhecidos entre a própria população, pela falta de reconhecimento dos gestores da cidade em valorizar seus próprios artistas. Nomes como Benedito Cunha Melo, Simião Martiniano, Francisca Isidora, Amelia Brandão (A Tia Amélia da televisão), Alberto Cunha melo, Frei Jaboatão, Natividade Saldanha, Poeta José Gomes, entre outros, deveriam ser homenageados através de esculturas espalhadas pela cidade, à semelhança ao que outras cidades já fizeram. Além disso, os artistas do presente tem que praticar sua arte em outros municípios, porque não encontram em Jaboatão o apoio, o incentivo e o reconhecimento necessário que os valorize. Faltam programas públicos de incentivo a cultura com editais e projetos culturais dentro da cidade, levando a cultura popular de Jaboatão ao alcance de seus próprios moradores. Gastam-se milhões com shows de artistas de fora enquanto o artista local é esquecido. 
Apesar dos 4 séculos de história do município de Jaboatão, a cidade não possui um único museu que seja patrocinado pelo município. É um dever da prefeitura preservar a história da cidade e salvaguadar a memória histórica de Jaboatão para as futuras gerações. Tive a oportunidade de propor isso ao atual gestor, durante a abertura da Exposição "A Pátria nasceu Aqui", em 2017, no Shopping Guararapes, sendo todavia completamente ignorado. A Antiga Estação Ferroviária, caso recuperada, seria o local ideal para o Museu Histórico do Jaboatão dos Guararapes, tendo sido sugerido também o Espaço Memorial Miguel Arraes e os Montes Guararapes.



10 - Emprego e Renda - Sabemos que o problema do desemprego em Jaboatão é de escala nacional, fruto da crise política e econômica que se instalou no país, desde 2013. Todavia, algumas ações de caráter local poderiam ser feitas a fim de incentivar o crescimento econômico e a geração de renda. A capacitação profissional é um dos caminhos levando aos trabalhadores mais vulneráveis maiores possibilidades de encontrar um emprego. Outro caminho é o preparo e a capacitação dos trabalhadores ambulantes e autônomos, bem como um programa de geração de crédito popular para novos empreendedores. A revitalização e ampliação dos mercados públicos de Cavaleiro e de Jaboatão Centro, bem como a criação de novos mercados no Curado, em Cajueiro Seco e mesmo em Muribeca poderia ser uma nova fonte de emprego e renda para a população.



11- Trânsito - Os moradores do Jaboatão sofrem todos os dias com os constantes engarrafamentos que geram transtorno e stress para a população já nas primeiras horas da manhã. Sabe-se que existem alguns "gargalos" na cidade, ou seja, trechos que são bastante problemáticos, justamente porque o motorista não tem muitas alternativas a não ser seguir por aquele caminho. Sem sombra de dúvida o trecho mais problemático é a chamada "Entrada de Cavaleiro", onde todos os dias, a qualquer horário, inclusive nos finais de semana, filas e filas de carros se acumulam, pois não comporta a demanda de veículos que passam por ali. O problema é antigo e nenhuma solução foi tomada por parte da prefeitura até o momento. A saída do Eixo de Integração da Muribeca para a BR 101 é outra aflição para o motorista que tenta seguir para Prazeres, pois o fluxo de caminhões pesados no local atrapalha bastante a saída dos veículos comuns. Em Jaboatão Centro nos horários de pico os veículos se acumulam além da UPA de Engenho Velho, gerando transtorno na ida e na volta para o trabalho.
Algumas intervenções são urgentemente necessárias nessas regiões. Uma delas seria a abertura de uma entrada exclusiva para caminhões na saída do Eixo de Integração, bem como a duplicação dessa rodovia já atrás mencionada. Na entrada de Cavaleiro o problema é mais complexo, sendo a construção de um viaduto uma solução possível. No caso de Jaboatão Centro, seriam necessárias várias intervenções, como o alargamento da Ponte da Estrada da Luz (após o Senai), a extensão do binário até Engenho Velho e a construção de uma paralela da Estrada da Luz, que partindo da antiga Usina Bulhões alcançasse a BR 232 pela várzea do Duas Unas (daí a sugestão de Marginal Duas Unas para essa estrada), desafogando a antiga Estrada da Luz e livrando-a do trânsito de veículos pesados (que poderia ser feito pela nova estrada). Uma nova ponte para a Vila Rica pela Usina Bulhões seria necessário para desafogar a tradicional entrada de acesso para aquele bairro. 

12 - Turismo - Por fim Jaboatão dos Guararapes possui um potencial enorme para o Turismo, não somente de lazer, mas também Histórico, Cultural, de Aventura, Rural, de Negócios, etc. Entretanto, o turista que visita a cidade se quer sabe que está na verdade em Jaboatão, pois os roteiros que são realizados pelas agências vendem Olinda, Recife e Porto de Galinhas como os principais atrativos turísticos do estado. Lugares como a Colônia dos Padres e a Lagoa Azul não são incluído pelo Trade, enquanto outros locais necessitariam de apenas algumas intervenções para se tornarem atrativos turísticos mais importantes como os Montes Guararapes, o Povoado de Muribeca, o Engenho Santana, etc.



13 - Transporte Público - Jaboatão carece de um bom serviço de transporte público. Os ônibus são precários e demoram grandes intervalos entre as viagens, causando transtorno para quem necessita deles. O transporte alternativo também deixa a desejar, principalmente no horário noturno, quando algumas linhas não funcionam. Jaboatão precisaria de mais linhas de ônibus, como por exemplo, uma linha que partindo do Centro fosse até a Conde da Boa Vista pela BR 232 e Abdias de Carvalho, dando aos moradores do Centro mais uma opção de chegar ao Centro do Recife além do metrô. Além disso, algumas estações do metrô da cidade estão em precário estado, como a Estação Engenho Velho, onde nem coberta há para proteger da chuva os passageiros!

14 - Enchentes e Alagamentos - Um dos mais graves problemas enfrentados pelos moradores de Jaboatão são as enchentes e os alagamentos. Em alguns bairros e regiões do município as menores chuvas são responsáveis por enormes transtornos para a população, provocando enchentes e inundações. Em alguns casos as ruas ficam inundadas por semanas sem secar. Conhecidos são os casos de algumas comunidades que alagam todos os anos - Beira Rio, em Santo Aleixo; Moenda de Bronze, em Jaboatão Centro; Coqueiral, em Cavaleiro; parte do bairro de Marcus Freire; várias comunidades ao redor da Lagoa Olho D'água, etc. Além de causarem transtornos e perdas de bens materiais, as enchentes ocasionam também a disseminação de doenças, como a leptospirose, sendo assim também um problema de saúde pública.
    A solução para esses problemas não é fácil, envolvendo também a questão do planejamento urbano, ambiental e o problema da habitação. Algumas áreas inundáveis, como margens de rios, não requerem outra solução a não ser a desocupação das margens e a recuperação da mata ciliar, evitando o despejo de resíduos e o assoreamento. Alguns rios e canais estão tão assoreados que somente um estudo de impacto ambiental com especialistas vai poder dizer se a dragagem ou a canalização seria a melhor alternativa. Nada disso será possível, porém, sem trabalhar a questão urbana, habitacional e ambiental dentro de um mesmo planejamento.

15 - Habitação - Um dos problemas mais importantes e pouco discutidos na cidade é a questão da habitação. Jaboatão carece de um programa de habitação popular para contornar o problema das invasões e falta de moradia da população carente. Muitos ocupam as margens dos rios e lagoas, causando problemas ao meio ambiente e ficando sujeito à enchentes, pela falta de alternativas de moradia dentro do município. Em áreas mais esquecidas do município, como ao redor da Lagoa Olho D'água, a população ainda vive em precárias palafitas sobre a lagoa, em condições de extrema pobreza e miséria. Como estão longe das principais avenidas de Piedade e de Candeias, dos olhares da imprensa e da mídia recifense, essas comunidades permanecem ignoradas pelo poder público, que pouco caso faz pra melhorar sua existência.

Muita coisa mais poderia ser discutida aqui, e nenhuma solução deve ser implementada sem as pessoas diretamente envolvidas: os moradores das comunidades. Jaboatão tem muitos problemas, mas deixo aqui a deixa que não existem soluções mágicas nem milagrosas. Tudo se consegue com muita dificuldade, com muito esforço, trabalho, diálogo e dedicação, e Fé genuína em Deus. Mas nada se consegue quando não há a mínima vontade de realizar!

quarta-feira, 3 de junho de 2020

15 anos da cheia de 2005

Por James Davidson

Rio Jaboatão Fonte: Climatempo

No dia 02 de junho de 2020 completam 15 anos de uma das maiores tragédias que atingiram o Centro de Jaboatão e de Moreno. Na tarde de 02 de junho de 2005 as chuvas torrenciais que atingiram a região fizeram o rio Jaboatão transbordar. As águas subiram rapidamente alcançando cerca de 15 metros acima do normal. Centenas de casas foram arrastadas pelas águas em Moreno e nos bairros da Vila Rica, Moenda de Bronze, Centro, Engenho Velho e Socorro em Jaboatão. Milhares de pessoas ficaram desabrigadas, sendo refugiadas em escolas e espaços públicos.


Em Moreno as águas do rio Jaboatão ultrapassaram o nível da Ponte Santa Maria, inundando o ABC, o Centro e a Avenida Dr. Sofrônio Portela. Dezenas de casas localizadas ás margens do rio foram destruídas nos bairros do Matadouro e N.s da Conceição, que também foram atingidos, assim como o bairro de Tamboatá. Centenas de famílias ficaram desabrigadas, sendo alocadas para escolas e outros espaços públicos.


Em Jaboatão as águas inundaram o pátio da feira, lojas comerciais e a Avenida Barão de Lucena. Dezenas de comerciantes perderam seus estabelecimentos enquanto muitos moradores da comunidade de Moenda de Bronze perdiam suas casas. As águas chegaram a ultrapassar o nível da Ponte da Vila Rica, que acabou ficando danificada com a força da corrente. Um morador chegou a morrer sendo arrastado pelas águas ao tentar salvar um botijão de gás.

O governo federal na época mandou uma ajuda de apenas 500 mil reais. Igrejas, associações de bairro e outras instituições similares realizaram uma grande mobilização para arrecadar roupas e suprimentos para os desabrigados. Destaque para a IBCJ (Igreja Batista Central do Jaboatão, sob o comando do Pastor Davi Farias) que realizou uma grande operação, ajudando centenas de necessitados. A ajuda também veio do pentacampeão Rivaldo e do governo da Holanda que ajudaram na construção de casas em Moreno para os desabrigados, na época do prefeito Edvard Bernardo, vindo daí a fundação da Vila Holandesa. Enquanto a prefeitura de Moreno ajudou na construção dessas casas, a prefeitura de Jaboatão, na época sob a gestão de Newton Carneiro, nada fez, deixando os moradores à própria sorte. Somente dez anos depois foi construído pelo governo estadual um conjunto de casas na antiga Usina Jaboatão, destinadas aos desabrigados da cheia.

A cheia foi tão grande que muita gente acredita que não foi causada por fatores naturais, atribuindo o incidente a uma suposta represa que se rompeu, ou mesmo repetindo o Mito de que Tapacurá teria se rompido. Vale lembrar que Tapacurá faz parte da Bacia do Rio Capibaribe, portanto mesmo que a represa se abrisse, as águas atingiram o Recife e São Lourenço da Mata, mas não o rio Jaboatão que faz parte de uma bacia hidrográfica diferente.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Video sobre o manguezal do Rio jaboatão

Por James Davidson

Divulgo aqui um vídeo enviado pelo nosso colaborador Alexandre Roseno sobre o manguezal do Rio Jaboatão e o trabalho social da ONG Mangue Ferido. Veja o que acontece com o lixo que é jogado no Rio Jaboatão:


domingo, 4 de março de 2012

Audiência pública sobre Barragem no Rio Jaboatão

Por James Davidson



 A CPRH - Companhia Pernambucana de Recursos Hídricos, estará realizando uma audiência pública para discutir a construção da Barragem do Rio Jaboatão no Engenho Pereiras, em Moreno. O evento será realizado no dia 15 de março no Sociète Esporte Clube, próximo a Praça da Bandeira, no centro de Moreno, às 9:30 hs. Talvez o evento conte com a participação e a presença do Governador do estado Eduardo Campos.

 A obra será construída nas terras do antigo Engenho Pereiras e tem como finalidade principal conter as enchentes do Rio Jaboatão. Além disso, pretende fornecer água para a cidade de Moreno e para Bonança, diminuindo o racionamento nessas localidades. O estudo de Impacto ambiental será apresentado e os questionamentos da população deverão ser respondidos. Infelizmente, o autor deste blog estará de viagem nesse dia, não podendo comparecer. Porém, venho através deste convocar a todos os jaboatonenses e morenenses a participarem do evento. Sugiro alguns questionamentos que julgo importantes para o evento:

1- Qual o destino da população da área que vai ser inundada?
2- Se forem indenizados, qual o valor? É um valor justo?
3- O Engenho Pintos, com seu antigo sítio histórico, vai ser inundado, o que pode ser feito para salvar o patrimônio?
4- Jaboatão Centro não usufrui da água da Represa de Duas Unas, também será excluído da água dessa nova represa?
5- Será feito algum estudo arqueológico na região?

 Acredito que essas e outras questões poderão ser resolvidas e esclarecidas durante o evento. Mas pra isso é preciso que a população participe, esteja por dentro do projeto e discuta estes e outros itens. O exercício da verdadeira cidadania exige a participação da comunidade diretamente atingida.

Cocaia

Por James Davidson

Em defesa dos moradores naturais da região do porto de Suape, pescadores e coletores que serão praticamente expulsos de lá, por conta do "progresso" à custa do meio ambiente natural e social, fiz o seguinte poema:

Cocaia



Tudo está tranqüilo agora
Mas o que será amanhã?
O que farão aos caranguejos?
O que será dos manguezais?

Falam em progresso
Em um grande crescimento
Que vai gerar empregos
A crise diminuir

Mas esquecem que o porto
Nada fez pra melhorar
Pois a crise permanece
E a gente como está?

Os tubarões que nos atacam
São a voz da natureza
Que grita por socorro
Pelos mangues destruídos

Mas só falam no petróleo
E no emprego que vai gerar
Busca o mundo outras fontes
Enquanto nós na contramão!

Na Baía de Guanabara
O estrago foi enorme
E a gente que é tão pobre
Como é que vai ficar?

Se não houver mais caranguejos
De onde virá o meu sustento
Não haverá mais rendimento
Se o peixe então sumir.

Mas nos falam que é seguro
Que vai gerar muitos empregos
Mas agora eu tenho medo
Pois eu só sei pescar!

Nos falam muitas coisas
Mas não quero me enganar
Se o óleo então vazar
Me diz: Como é que a gente vai ficar?

sábado, 20 de novembro de 2010

Bandeira do Jaboatão dos Guararapes

Por James Davidson



A bandeira de Jaboatão dos Guararapes, assim como o hino municipal, é um dos símbolos mais importantes de um município. Assim, é importante conhecermos um pouco de sua história e significação.

A bandeira do município foi criada pela lei municipal n° 87 de 6 de 11 de 1952 na época do prefeito Humberto Barradas. Foi feita com base nos estudos de Mário Melo, membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, sob solicitação do prefeito Francisco Brandão Cavalcanti,em 1926.

A bandeira tem o seguinte significado:

A - No ângulo superior esquerdo o escudo d'armas do município
B - Na parte inferior esquerda, uma faixa verde com forma de um triângulo retângulo cujo ângulo reto é o mesmo da bandeira de hipotenusa ondulada e com o ângulo agudo superior, tendo o vértice truncado, representando os canaviais e a exuberância da natureza.
C - Na parte superior direita, uma faixa azul com a forma de triângulo, cujo ângulo reto é o próprio da bandeira, de hipotenusa ondulada e com o ângulo agudo superior, tendo o vértice truncado, representando os céus do município.
D - Entre os dois triângulos, em sentido diagonal, uma faixa branca com a legenda JABOATÃO DOS GURARAPES,  simbolizando a paz da família jaboatonense.



Já o escudo é um desenho de autoria do professor Baltasar da Câmara, da antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco e é assim descrito:

A - Em campo de prata, uma árvore verde à margem de um rio.
B - Como timbre, uma coroa mural; como suportes, dois leões de ouro que se apóiam na divisa: PELA INTEGRIDADE DA PÁTRIA.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Escola Técnica de Jaboatão Centro

Por James Davidson



Atendendo aos pedidos de muitos leitores do blog, este matéria tem como tema a recém-inaugurada Escola Técnica Estadual de Jaboatão que passou 14 anos abandonada, sendo alvo de muitas promessas políticas e que só agora foi finalmente restaurada. A história da escola técnica está muito ligada á história das ferrovias e, consequentemente, a história de Jaboatão.



A Escola Técnica e Profissional de Jaboatão surgiu ainda na época da Great Western, em 1941, quando a empresa era administrada pelo engenheiro Manoel de Azevedo Leão que percebeu a necessidade de qualificação profissional para os operários das ferrovias. Por sediar as Oficinas de reparos e consertos de trens e as Vilas Operárias, Jaboatão foi escolhido para a implantação de uma escola de educação básica (Escola Souza Brandão) e uma de formação profissional. A escola foi inaugurada com o nome de Escola Profissional Ferroviária Benvenuto Lubambo, possuindo inicialmente 69 alunos e funcionando em parceria com o SENAI. Foram seus primeiros professores: Wilton Soares(português), Jefferson Martins de Freitas(matemática), Cornélio Lima(Higiene), Teutly Silva(Desenho), Orlando Breno(Educação física), Manoel Pascoal(Instrutor chefe das oficinas), Plácido de Freitas(Serralheria), Manoel paulino(Ferraria), Otávio Carneiro(Carpintaria) e Manoel Pascoal(Tecnologia).



A escola passou a chamar-se depois apenas de Centro de Formação Profissional e era destinada preferencialmente aos filhos dos ferroviários. Muitas foram as pessoas que estudaram na escola técnica primitiva que contribuiu significativamente para a formação profissional de muitos jaboatonenses. A escola técnica funcionou até o ano de 1996, quando finalmente fechou, acompanhando o declínio tanto das ferroviais como de Jaboatão. Sua reabertura foi, durante muito tempo, uma grande reivindicação da população local que sempre era enganada pelos políticos que prometiam transformá-la numa universidade mas que, quando chegavam ao poder, nada faziam. Em 2006, por exemplo, durante as vésperas das eleições, o prédio foi limpo e prometeram ao povo que a universidade municipal de Jaboatão seria ali. Contudo, tudo não passou de uma jogada política para ganhar votos e depois que as eleições passaram nada mais foi feito. Também na mesma época demoliram a Martenidade Rita Barradas e prometeram reconstruí-la, mas nada foi feito novamente.


Como foi mostrado em 2008 neste blog (as fotos infortunamente eu perdi), o prédio continuou abandonado até que o governo do estado acabou com os 14 anos de abandono, transformando-o em uma Escola Técnica Estadual (ETE). A inauguração foi no início deste ano de 2010 e, apesar de estar funcionando com apenas dois cursos, foi uma grande reivindicação da população que foi atendida. A Escola hoje chama-se Maximiano Auccioly Campos e deve ampliar no futuro o número de vagas e cursos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Os limites de Jaboatão

Por James Davidson

O município de Jaboatão dos Guararapes, situado na Região Metropolitana do Recife, estado de Pernambuco, possui os seguintes limites:
Leste: Oceano Atlântico
Norte: Recife e São Lourenço da Mata
Oeste: Moreno
Sul: Cabo de Santo Agostinho

Limite com o Oceano Atlântico: Segue a partir do limite com o Recife próximo ao Hospital da Aeronáutica na Praia de Piedade pelo litoral até a Foz do Rio Jaboatão.
Limite com o município do Recife: Segue do marco na Praia de Piedade que delimita o limite com o Recife por uma reta até o Rio Jordão, sobe por este até o centro da terceira lagoa, daí por uma reta para a chamada segunda lagoa, daí por outra reta até a primeira lagoa, segue deste ponto até a Cacimba do Urubú, daí para o Centro do Barranco Branco, daí por uma reta até o ponto mais próximo do Rio Tejipió, sobe por este até a foz do Riacho Tejipió-Mirim.
Limite com o município de São Lourenço da Mata: Segue da foz do Tejipió-Mirim no Rio Tejipió por uma reta até o centro do antigo açude de Camassari.
Limite com o município de Moreno: Segue do centro do Açude de Camassari por uma reta até a Serra da Macambira (Foto abaixo) daí segue por outra reta até o encontro do Riacho São Salvador com o Rio São Salvador, segue por este até a confluência deste no Açude Secupema.
Limite com o município do Cabo de St° Agostinho: Segue da Foz do Rio Jaboatão até a confluência com o Rio Pirapama, daí segue por uma reta até o Alto do Oitizeiro, deste ponto desce pelo Rio Morto até a sua foz no Rio Jaboatão, segue pelo Rio Jaboatão até a foz do Rio Caongo seguindo por este até sua nascente, daí segue por uma reta até a foz do Rio São Salvador.



Os limites de Jaboatão dos Guararapes com outros municípios normalmente são pouco conhecidos da população que aqui reside e, por isso, muitas vezes são motivos de conflitos e de disputas territoriais em alguns locais. O limite mais conflituoso, com certeza, é com o município do Recife que já foi mudado diversas vezes e boa parte da população que reside nesses locais sequer tem ideia por onde eles passam. Por isso, é comum, muitas vezes, a pessoa morar em Jaboatão e acreditar que mora no Recife. Os maiores exemplos desse problema estão nas comunidades de Alto do Céu, parte de Coqueiral, Pacheco, Zumbi do Pacheco, Monte Verde, UR 11, UR 06 e Jardim Jordão. É por isso que é importante entender um pouco as razões dessas disputas.

Até 1928, as terras de Jaboatão abrangiam, além das atuais, o território do atual município de Moreno, o bairro de Tejipió até a Ponte e a comunidade de Pontezinha. Em 1928 o então Governador de Pernambuco Estácio Coimbra desmembrou o município emancipando Moreno, anexando Tejipió ao Recife e passando o povoado de Pontezinha para o Cabo de Santo Agostinho. Orlando Breno, em seu livro Jaboatão sua Terra sua Gente, afirma que isto aconteceu por vingança política, pois Estácio Coimbra não teria tido muitos votos em Jaboatão.

Posteriormente, surgiram várias outras ameaças à integridade do município da Integração nacional. Em 1963 ,Cavaleiro foi elevado à condição de município, fato que foi anulado logo depois. Em 1989, a sede foi mudada para Prazeres porque queriam anexar Prazeres e as praias ao município ao Recife. Posteriormente, outros projetos surgiram para tentar desmembrar os distritos de Jaboatão, mas todos sem sucesso. Enquanto isso, a prefeitura do Recife, aproveitando do descaso de várias administrações que Jaboatão possuiu, visando apropriar-se dos territórios litigiosos entre os dois municípios, instalou postos de saúde e até escolas nesses locais (ex: Coqueiral, Monte Verde, Vila das Aeromoças, etc). Assim, como a prefeitura do Recife oferecia os serviços que as desadministrações anteriores de Jaboatão ignoraram, a população obviamente passou a identificar-se com o Recife e não com Jaboatão, mesmo estando fora dos limites da capital.

  Por isso, é necessário haver maior atenção da prefeitura com esses locais, como também deve existir um verdadeiro trabalho de conscientização com a população local, no sentido de resgatar a autoestima da cidadania jaboatonense para que possa haver uma maior valorização da identidade municipal. Assim, os limites verdadeiros do Jaboatão poderão ser respeitados e a população local melhor atendida e valorizada.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Bens tombados de Jaboatão dos Guararapes.

Por James Davidson



Depois da destruição do Casarão do Engenho São Bartolomeu, o tema do tombamento teve uma grande repercussão e por isso muitos erros, dúvidas e equívocos sobre o patrimônio histórico de Jaboatão têm sido divulgados. Por isso, este matéria tem como intuito esclarecer as dúvidas que possam existir a respeito do assunto.

O tombamento é um termo técnico que significa a proteção de uma área, de um objeto, de um edifício contra as alterações, depredações, descaracterização ou mesmo a destruição dos bens culturais de uma localidade. Sem nos prendermos aos detalhes técnicos da definição (que não é o objetivo deste artigo) o tombamento significa a proteção legal sobre um bem cultural qualquer. Ao tombarmos um edifício, por exemplo, significa que o estado tem a obrigação legal de protegê-lo, zelando pela sua preservação, independente de ser uma propriedade pública ou privada.

Pela Constituição Federal é responsabilidade do poder público em todas as esferas (federal, estadual e municipal) a preservação do patrimônio cultural brasileiro. Isto significa que o tombamento pode ser de três níveis:
  •  Federal - Tendo o IPHAN como órgão responsável e tendo atuação em todo o território nacional e regido por legislação específica para o tombamento federal.
  • Estadual - Regido por órgão estadual específico de cada unidade da federação e com legislação específica. No caso de Pernambuco o órgão responsável é a FUNDARPE.
  • Municipal - Quando o município possui uma legislação própria e específica que o autoriza a preservar bens de valor cultural municipal.
Jaboatão possui os seguintes bens tombados a nível federal sob a responsabilidade do IPHAN:
  • Parque Histórico Nacionaldos Montes Guararapes
  • Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres
  • Igreja de Nossa Senhora da Piedade
  • Convento de Nossa Senhora da Piedade
No nível estadual, ou seja, sob a responsabilidade da FUNDARPE Jaboatão possui os seguintes bens tombados:
  • Capela de Nossa Senhora do Loreto
  • Povoado de Muribeca dos Guararapes
  • Estrada de Ferro Recife-Gravatá
  • Engenho Suassuna
Já a nível municipal existe uma lei - 104/79 que criava áreas especiais de interesse cultural, que possibilitava ao Poder Executivo, mediante Decreto, proteger os sítios e locais dentro do município que possuíssem valor histórico, cultural, arquitetônico e paisagístico, estabelecendo certas restrições, benefícios e punições que incidiam sobre o bem cultural ou sobre aqueles que o protegessem. A Legislação Urbanísitca de Jaboatão também estabelece a proteção de algumas áreas de interesse cultural como as já protegidas a nível federal e estadual e dois sítios históricos: o Conjunto Antigo de Jaboatão Centro e o Conjunto da Rede Ferroviária (oficinas e vilas operárias). Todas estas leis foram feitas no período do primeiro mandato do prefeito (já falecido) Geraldo Melo, mas com as desadministrações que se seguiram não puderam ser postas em prática pela falta de fiscalização e mesmo por uma completa falta de conhecimento a respeito delas. Com isso, a maioria dos edifícios foram descaracterizados, como nas vilas operárias e na Rua de Santo Amaro, por exemplo. Apesar disso, podemos considerar como protegidos os seguintes bens:
  • Capela do Loreto - Decreto 218/1980 de 31/12/1980
  • Conjunto Antigo de Jaboatão Centro - Legislação Urbanística Básica
  • Conjunto da Rede Ferroviária (Oficinas e vilas operárias). - Legislação Urbanística Básica - 218/1980 de 31/12/1980
A única vez que a lei 104/79 foi aplicada, foi para o tombamento da Capela do Loreto a nível municipal. Depois ela foi tombada a nível estadual e a lei municipal ficou esquecida e desconhecida até que, em 2009 , foi feita uma ementa na Câmara Municipal atualizando os termos desta lei. A nova lei já foi aprovada na Câmara e encaminhada para o prefeito para a sua aprovação. A partir daí vai ser possível finalmente a seleção de outras áreas para serem protegidas como patrimônio histórico jaboatonense, como os muitos engenhos do município, a casa de Paulo Freyre, o Instituto Histórico de Jaboatão, as igrejas históricas etc. É preciso deixar claro para a população que o tombamento não consiste numa punição para os proprietários de imóveis de valor cultural, mas sim o reconhecimento por parte da sociedade que aquele bem faz parte da memória e da cultura local e que por isso merece e precisa ser preservado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Mais um crime contra a história de Jaboatão - casarão do Engenho São Bartolomeu foi destruído

Por James Davidson
Foto: Ricardo Fernandes/Diário de Pernambuco


Uma notícia muito triste para todos os amantes da nossa história, leitores do blog, da cidade de Jaboatão dos Guararapes e de todo o Estado de Pernambuco. A casa-grande do Engenho São Bartolomeu, duas vezes tema desse blog, foi abaixo no último domingo dia 11/04. Um verdadeiro crime contra a história de Jaboatão e do Estado de Pernambuco. É com lágrimas nos olhos que nós jaboatonenses nos comovemos e nos revoltamos com este ato de selvageria e de pura barbárie contra nosso patrimônio histórico, tão amado e tão conhecido na comunidade de Comportas!



O Engenho São Bartolomeu, fundado no final do século XVI, é um dos muitos locais históricos e pitorescos da cidade de Jaboatão, destacando-se por ter pertencido ao judeu Fernão do Vale, na época da invasão holandesa, e por nele ter sido criado o Bolo São Bartolomeu pela Dona Rita de Paula Souza Leão, esposa do Coronel Agostinho de Holanda. Um dos locais pitorescos do município e onde a comunidade mais estava envolvida com a história e com a preservação do patrimônio vem abaixo simplesmente pelo medo do tombamento de seu proprietário.



A história dessa calamidade começa no início de abril, quando a Secretaria de Cultura enviou um ofício ao Prefeito Elias Gomes solicitando o tombamento do bem a nível municipal.  O pedido foi aceito pelo executivo e encaminhado para análise de acordo com as leis vigentes do município, principalmente a lei 104/79 que estabelece as restrições, BENEFÍCIOS e consequências do tombamento a nível local. Isto não impediria o uso do prédio para outras finalidades, apenas guardaria a arquitetura e o entorno do edifício contra as alterações e depredações, contudo a ignorância prevaleceu e, após a notícia ser veiculada na imprensa no mesmo dia, o prédio histórico foi demolido sem dó nem piedade, apesar do lamento da população local diante do fato!


Este fato nos remete ao ano 1928, quando o Engenho Megaype de Baixo, vizinho ao São Bartolomeu, também foi destruído pelos mesmos motivos. Aquela bela casa-grande com estilo senhorial e imponente, construída com pedra sob óleo de baleia, remetia certamente ao século XVI ou XVII, pois suas características arquitetônicas de fato eram semelhantes com as representadas por Frans Post. Intelectuais como Gilberto Freyre e Manuel Bandeira começaram a visitá-la e o edifício caiu no gosto da então Escola de arquitetura do Recife que levava seus alunos para conhecê-la. O Governo do estado demonstrou interesse em tombá-la e, assim que o processo deu início, seu proprietário, o Sr João Siqueira Santos, destruiu o edifício com medo das restrições do tombamento. Até Manuel bandeira lamentou o fato:

"João Lopes de Siqueira Santos, usineiro riquíssimo, atual senhor de Megaípe, acaba de mandar botar abaixo a mais linda das nossas relíquias rurais do século XVII. Pensar-se que o senhor Siqueira Santos pertence a uma velha linhagem de senhores de engenho! (...) O senhor João Lopes de Siqueira Santos não é sensível a estas coisas. Com todas as suas usinas, ele é agora o homem mais pobre de Pernambuco."
        Fonte: www.abi.org.br/primeirapagina.asp?id=2556


Assim, mais uma vez, o fato repete-se e, assim como Manuel Bandeira afirmou, o Sr. Gunther Gulde com todo o seu dinheiro é o homem mais pobre de Pernambuco! Aquela casa-grande não possuía 80 anos como foi informado, mas era uma relíquia de meados do século XIX como demonstra o seu estilo arquitetônico. Mais triste ainda, é que isto aconteceu justamente ali, onde a comunidade era mais envolvida com seu patrimônio histórico através de muitos anos de educação patrimonial conduzida por professores da Escola Augusto de Castro (como a professora Tereza Francisco e Eulina Maciel) e por moradores como o falecido Heleno Veríssimo. Todos os anos a comunidade organizava com recursos próprios a Festa da Manga em torno do casarão do engenho. Resta agora somente a todos nós jaboatonenses lutar para que estes fatos não mais se repitam e que agora os outros prédios históricos e engenhos de Jaboatão venha a ser salvos contra o tempo e as ações criminosas. Que sirva de exemplo para que todos nós, cidadãos e governantes, lutemos em defesa de nosso patrimônio histórico!

Mais informações em:

http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/04/14/urbana10_0.asp
http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/04/14/urbana10_1.asp
http://jaboataodosguararapes.blogspot.com/2008/06/mais-sobre-o-engenho-sao-bartolomeu.html
http://jaboataodosguararapes.blogspot.com/2007/10/engenho-so-bartolomeu-memrias-nas.html
http://www.jaboatao.pe.gov.br/index.php?opcao=21&id=1901
http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=299&textCode=12246&date=currentDate
http://www.nordesteweb.com/culinaria/receitas_doces/culinaria_do_010.htm
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1359017-EI6614,00.html
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/04/14/um-crime-contra-o-patrimonio-historico/
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?p=55224277
http://delanocarvalho.com/dholandes.aspx
http://www.overmundo.com.br/guia/o-magnifico-bolo-souza-leao
http://www2.uol.com.br/JC/_1999/2302/cc2302b.htm
http://www.defender.org.br/pernambuco-patrimonios-podem-virar-ruinas/
http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/04/19/urbana5_0.asp

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A questão da distribuição de água em Jaboatão

Por James Davidson
Imagens da Represa de Duas Unas


A água é um elemento indispensável à vida e à saúde das populações humanas e dos seres vivos em geral. Sua escassez ou má qualidade ocasiona diversos transtornos e problemas para a saúde das pessoas que dependem deste precioso líquido para viver, alimentar-se e para manter a higiene pessoal. Diversas são as doenças e muitas as dificuldades enfrentadas por quem não tem acesso a uma água de qualidade. Por isso, é imprescindível que a água chegue limpa e saudável nas residências, e que a sua distribuição ocorra de forma igualitária.


Contudo, em Jaboatão, a questão da distribuição da água é um problema que desde muito tempo tem agravado a situação de muitas comunidades. Apesar de possuir uma das quatro maiores represas da RMR e de ter boa parte de seu território incluído na zona de proteção dos mananciais, o município é um dos que mais sofrem com a falta d'água, com os constantes racionamentos e, quando a água chega vem suja e muitas vezes apenas de madrugada.


Jaboatão é um municipio que não deveria sofrer com a falta de água e com os constantes racionamentos. Situado na zona úmida costeira do estado e cortado por rios perenes, o município é relativamente rico em recursos hídricos e, por isso, possui cerca de 22,6 % de seu território situado na zona de proteção dos mananciais(de acordo com a lei estadual n°9860 de 12/08/1986). Possui ainda a Represa de Duas Unas, no rio de mesmo nome, que fica situada na parte norte de Jaboatão, bem às margens da Br 232 e que é uma dos grandes reservatórios da RMR com 24,2 milhões de m³ de capacidade. Então por que é que Jaboatão sofre tanto com os racionamentos e a falta de água?

Um dos principais motivas desta carência é a incompetência da COMPESA, órgão responsável pela distribuição. Enquanto a população sofre com a falta d'água nas torneiras, a água escorre livremente pelas ruas em vários pontos da cidade por inúmeros canos quebrados que muitas vezes só são consertados após semanas e até meses. E não adianta a população reclamar que eles sempre dizem que vão resolver e nunca resolvem. O mesmo problema ocorre em relação a água suja que chega nas torneiras. Em muitos bairros como as "Malvinas" em Jaboatão Centro, a população é obrigada a receber uma água imunda, escura e com odor de fossa e quando reclama na agência da COMPESA local  é ironizada pelos atendentes que prometem resolver o problema mas nunca resolvem. É o retrato do verdadeiro descaso e desrespeito com as comunidades que pagam todos os meses a taxa e que não faltam com os seus compromissos.


Uma outra questão importante é a desigualdade de tratamento que é dado às comunidades de acordo com o nível de renda. Enquanto comunidades mais pobres e carentes como Jaboatão Centro e aquelas que vivem em torno da Lagoa Olho D'água (ver o blog da Lagoa) sofrem com a falta de água, o mesmo já não acontece com as comunidades mais ricas. O caso de Jaboatão Centro, por exemplo, é um verdadeiro absurdo pois a Represa de Duas Unas encontra-se a menos de 4 km da localidade, mas água é quase toda desviada para o abastecimento do Recife, enquanto a comunidade fica dependendo de Tapacurá que nada tem a ver com Jaboatão e é uma água mais suja e de péssima qualidade. É terrível saber que a população sofre com os racionamentos de até semanas, enquanto a nossa água encontra-se a poucos quilômetros de distância, mas não chega em nossas torneiras.

O Estado de Pernambuco vive um momento de euforia por causa da construção da Represa de Pirapama, no Cabo de Santo Agostinho. De fato o empreendimento é uma grande obra que trará melhorias e que merece os nossos elogios. Contudo, uma pergunta incomoda: Será que a água de Pirapama vai realmente abastecer as comunidades carentes mais próximas ou, assim como a Represa de Duas Unas em Jaboatão Centro, só vai beneficiar as comunidades ricas da zona sul? Fica aí a questão para ser respondida.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Hino de Jaboatão dos Guararapes

Letra: Benedito Cunha Melo
Música: Nina de Oliveira

Jaboatão nos Verdes Vivos
Dos teus altivos canaviais
Há sempre rindo uma esperança
Até na dança dos matagais!
É uma esperança que nunca finda
E que se alinda de inspiração
Ver-te sem guerra
Terra dos altos
A linda terra da promisão!

Eu amo o teu cruzeiro
Teu sol que é mais brasileiro
Teus altos que a gente vence
Até sem ser jaboatonense!
Eu amo teu céu profundo
Maior que já vi no mundo
E no meu sonho ideal
Quero mais a ti! Oh terra natal!

sábado, 20 de setembro de 2008

Jaburacão!

Por James Davidson

Dizem que de olhos fechados qualquer um percebe a diferença entre Recife e Jaboatão quando se atravessa os limites da cidade. É buraco por toda a parte, mesmo nas principais vias. Seja de carro ou de ônibus, de bicicleta ou a pé, qualquer um percebe o quanto a cidade de Jaboatão está abandonada! Pior para quem possui veículo, paga IPVA e não vê resultado.


Seja em Cavaleiro ou em Jaboatão, em Prazeres ou no Curado, a situação é a mesma: abandono!
Até mesmo as ruas onde transitam ônibus e outros veículos de grande porte não são calçadas nem afastadas. E quando são, realizam uma operação tapa-buraco onde parece que colocam açúcar em vez de asfalto. É só chegar as primeiras chuvas que os buracos retornam!


E quando alguém vai solicitar à Prefeitura o reparo de alguma rua sempre ouve a mesma coisa: constam nos documentos que a rua já foi calçada! E a população sofre com os alagamentos e riscos provocados por esse problema!


Há quem tenha a ilusão de que nos bairros nobres (Piedade e Candeias) a coisa é diferente! Puro engano! É só transitar pelas ruas cheias de grandes edifícios e logo se percebe o descaso! Temo que isso perdure por mais quatro anos! Só quem ganha são os borracheiros!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Eleições em Jaboatão

Por James Davidson

Estamos em ano eleitoral e mais uma vez aqueles velhos políticos que nunca fizeram nada pela cidade (e que passam quatro anos comendo nosso dinheiro e só reaparecendo agora pra ganhar votos) voltam á tona pedindo votos, doando migalhas, falando mentiras e dizendo que vão fazer alguma coisa para melhorar o município. E o pior é ver que a maioria das pessoas parecem que não enxergam o abandono em que se encontra Jaboatão dos Guararapes e, a troco de migalhas e favores pessoais, continuam votando nos mesmos políticos que nada fizeram nos últimos anos. Então, vou mostrar aqui alguns dos descasos de Jaboatão para aqueles que se iludem com promessas.

Jaboatão é a segunda maior cidade do estado de Pernambuco, com a segunda maior arrecadação, perdendo apenas para o Recife. Vizinha a capital, possue um parque industrial (Curado, Prazeres e Jaboatão Antigo) inclusive maior que a desta, tendo também hotéis de luxo, um grande shopping center, orla marítima, entre outras fontes de riqueza. É uma cidade maior que 7 capitais de estados brasileiros (Aracaju, João Pessoa, Palmas, Macapá, Boa Vista, Rio Branco e Porto Velho)! É cortada por três rodovias federais (Brs 101, 408 e 232) e uma estadual (Pe 7), duas linhas de metrô e duas de trem. Está situada entre o porto do Recife e de Suape, uma área bastante promissora economicamente. Jaboatão tem tudo pra ser uma cidade com uma qualidade de vida invejável e oferecer aos seus moradores tudo o que eles precisam. Então por que Jaboatão vive no atraso e com tantos problemas?

O problema é que, infelizmente, desde muito tempo, a cidade tem sido administrada por políticos que estão compromissados apenas com seus próprios interesses, aproveitando-se da ingenuidade da maioria da população (que troca seu voto por colchões, caixões e por favores fornecidos há bastante tempo) para assumirem o poder e enriquecerem cada vez mais a custa do nosso imposto. Mas como é que isso acontece? É simples. Repare nas placas de obras espalhadas pela cidade. Por mais simples que tenham sido, sempre apresentam valores altos. Pois bem, eles tiram dinheiro realizando projetos superfaturados, projetos que excedem em muito o verdadeiro valor da obra e desviam os recursos. E, para piorar, essas obras são realizadas por empresas pertencentes a eles mesmos ou a seus parceiros. Assim, a prefeitura torna-se uma "galinha dos ovos de ouro" para os políticos.

Enquanto eles enchem seus bolsos com os nossos impostos, a cidade fica no descaso. Para perceber isso basta abrir os olhos: buracos em todas as ruas, postos de saúde sem atendimento ou com atendimento precário, falta de médicos, escolas abandonadas, lixo nas ruas, alagamentos em toda parte. Para isso, eles sempre alegam que não tem dinheiro. Então, de onde vem a grana para os projetos superfaturados e os mais de 3 mil cargos comissionados que a prefeitura mantém?

É triste ver que a população pobre, que é a que mais sofre com o descaso em que se encontra a cidade, é justamente a que é mais facilmente enganada pelos políticos. Assim, em troca de promessas de favores pessoais ( que na maioria das vezes não são cumpridos) as pessoas vendem seu voto para aqueles que irão lucrar muito mais do que o que gastaram na campanha, durante os quatro anos de mandato. É triste perceber que a população esquece, na hora de votar, das ruas esburacadas, do trânsito caótico, da situação precária das escolas, da falta de creches, da falta de postos de saúde e de médicos nos que existem, das humilhações que sofrem ao ir nos mesmos postos de saúde(arriscando a vida indo de madrugada buscar uma ficha e sendo ainda mal atendindo lá, isso se conseguem ser atendidos!), do descaso do patrimônio público e dos escândalos e corrupções que já caracterizam a história política de Jaboatão.

Por isso gente, vamos lutar por um Jaboatão diferente. Está mais que na hora de colocarmos uma administração séria no município e mudarmos este triste estigma que Jaboatão é a cidade da corrupção! RENOVAÇÃO JÁ!!!

Rio Jaboatão - Poema de James Davidson

 Por James Davidson Jaboatão, Em tuas nascentes Fico eu a contemplar Água limpa Água Pura Difícil de imaginar!   Jaboatão Em...