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terça-feira, 8 de abril de 2025

Suassuna (Poema)

 Por James Davidson


Suassuna, Rio de águas cristalinas
Corre pro Jaboatão, desce da Macambira
Seu nome de memórias ancestrais
Presença judaica, origem indígena.



Suassuna, de remota colonização
Nome de antigo engenho, depois Usina
Enche as Várzea de canaviais
Verdes Matas, altas colinas!


Suassuna, dos tempos dos holandeses
De velhas batalhas, novos interesses
Sempre presente na história pernambucana
Desde os Guararapes até o presente!



Suassuna, de famílias tradicionais
Dos Albuquerque, Cavalcanti
Dos Correias, dos Soares
Dos Brasões senhoriais.


Berço dos Suassuna, raiz do Jaboatão
Da coragem pernambucana
Do heroísmo, independência
Da Magna Revolução!


Suassuna e seu velho "sobrado"
Belo e rico patrimônio
Que jazem em ruínas
Mesmo sendo bem tombado


Sua velha casa-grande
Que resistem na história
Seus fantasmas e escadas
Sobrevivem na memória!

(James Davidson - In memorian de Alexandre Roseno)





Revendo o Morro da Macambira

 Por James Davidson


O Morro da Macambira fica localizado entre os municípios do Moreno e do Jaboatão dos Guararapes, na encruzilhada que limita os engenhos Macujé, Canzanza e Caraúna. Com 255 metros de altitude, é o ponto mais alto do Jaboatão, sendo desconhecido pela maioria dos moradores, pois relativamente distante da sede urbana do município. A Macambira consiste num conjunto de três morros de relativa altitude, facilmente de identificar na paisagem por quem percorre a zona rural de Jaboatão ou de Moreno, destacando-se por possuir algumas torres da Chesf em seu cume. Seu nome faz referência a uma bromélia muito presente na região.




O Morro da Macambira tem origem num batólito de granito com idade remontando a Orogenia Brasiliana, há 600 milhões de anos atrás, durante a formação da Gondwana Ocidental. Durante a abertura do Oceano Atlântico, tendo início há 200 milhões de anos atrás, a região foi impactada pelo rift do Cabo, abrindo-se várias falhas secundárias perpendiculares, como o Graben da Muribeca e a Falha de Gurjaú. Nesta última se formou o Vale do Rio Gurjau, onde se encontram boa parte dos engenhos de Moreno (Gurjau de Baixo, de Cima, Caraúna, Mato Grosso, etc.) A Macambira porém ficou à margem desses eventos, tendo como consequência seu soerguimento em relação à paisagem vizinha, fato que fez desse morro o principal divisor de águas da área, separando os coletores que correm para o Jaboatão, a leste e norte daqueles, que correm para o Gurjaú, ao oeste e sul.





 A identificação do Morro da Macambira como ponto mais alto de Jaboatão se deve às pesquisas de Orlando Breno de Araújo, autor do livro Jaboatão Sua Terra Sua Gente. Segundo ele, no Morro da Macambira já existiu há algumas décadas atrás uma furna, a denominada Gruta da Macambira, formada por matacões de granito. Infelizmente, essa formação foi dinamitada por exploradores de pedreiras, privando a paisagem de uma belíssima formação natural. Atualmente ao seu redor predominam plantações de cana-de-açúcar dos engenhos Macujé, Canzanza e Caraúna, bem como alguns fragmentos de Mata Atlântica que resistem, apesar do avanço dos canaviais. Na Macambira também estão a nascentes de vários Riachos: Suassuna, a leste que corre para o Jaboatão e seu sub-afluente Riacho do Açude; Secupeminha, ao sul, que corre para o Gurjaú; Carjnijó, ao norte, em terras do Engenho Jardim, que corre para o Jaboatão; Arroio Canzanza, ao sul, que corre para o Rio Gurjaú, entre outros.






Do Cume do Morro da Macambira se avista todos os arredores do Recife, desde Olinda até o Porto de Suape. As cidades do Moreno, Jaboatão, Cabo e do Recife são visíveis do alto bem como o Distrito de Matriz da Luz em São Lourenço da Mata. Destaque para o marco geodésico do IBGE, situado no local mais alto do morro, tendo sido posto no local pra servir como referência de nível e marcar a linha reta que separa os municípios do Moreno e do Jaboatão dos Guararapes. Seu acesso se dá pela Ladeira do Tundá que, segundo relatos orais vem em referência a um escravizado fugido que se abrigou no local no século XIX.




quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Os 15 maiores problemas do Jaboatão dos Guararapes

 Por James Davidson




Aproveitando que estamos no período eleitoral, e como profundo conhecedor do Jaboatão dos Guararapes, seus diversos bairros e comunidades, sua história e sua paisagem, seus problemas e dificuldades, decidi fazer uma matéria sobre os principais problemas do município. Os problemas a serem listados a seguir não estão obedecendo a nenhuma ordem hierárquica, ou seja, o primeiro não quer dizer que seja mais importante que o décimo. Também não são os únicos problemas existentes no município. Todavia são aqueles que de acordo com minha experiência estão entre os mais importantes.
Como não é do meu feitio apenas apresentar os problemas, aproveito a oportunidade para sugerir intervenções a fim de solucioná-los ou, ao menos, amenizá-los.


1 - Integração Viária- Jaboatão dos Guararapes é conhecido como município da Integração Nacional. Isso é devido ao fato da vitória contra os holandeses ter permitido a integração do Nordeste ao restante do país. Apesar disso, o território do município é bem pouco integrado entre si, havendo poucas vias de acesso entre os diversos distritos ou regionais - Prazeres, Centro, Praias, Curado, Cavaleiro, Muribeca e Guararapes. Basta uma olhada simples num mapa do município que se verá a dificuldade de ir, por exemplo, dos Curados até Prazeres (muitas vezes tendo de sair de Jaboatão para poder fazer esse percurso. A verdade é que Jaboatão é muito mal integrado e isso tem favorecido o sentimento de fragmentação identitária e política do território. 
Entretanto, é possível perceber no mapa algumas possíveis intervenções que ajudariam a diminuir esse problema. Por exemplo, o acesso direto de Cavaleiro para Prazeres poderia ser muito melhor se houvesse uma comunicação entre a Avenida Manuel Carneiro Leão, em Dois Carneiros, até o bairro de Marcus Freire (contíguo a Dois Carneiros sendo separado apenas pela linha férrea), evitando assim o complicado e enladeirado caminho usado atualmente (que passa pelo Loteamento Grande Recife, Monte Verde e URs). Dessa maneira, de Marcus Freire já seria possível chegar ao Eixo de Integração de forma bem mais rápida.
A Rodovia Eixo de Integração foi construída na época de Geraldo Melo, em 1979, sendo um grande facilitador do acesso entre Jaboatão Centro e Prazeres, anteriormente sendo feito apenas pela BR 101. Atualmente, além dos frequentes abandonos por parte das autoridades (que deixam essa rodovia na escuridão noturna, sem falar nos buracos), o Eixo de Integração já deveria ter sido duplicado há muito tempo, tendo em vista o fluxo de veículos crescente e o espaço disponível para isso. Todavia, a falta de articulação política, de interesse e as disputas entre Estado e Município somente vem atrapalhando a situação dessa rodovia.
Ainda sobre o Eixo de Integração, é incrível notar num mapa do município como a ausência de alguns ramais tornam certos caminhos mais difíceis. Por exemplo, uma pequena ponte sobre um canal daria acesso aos moradores da UR 11 e UR 06 ao Eixo de Integração, via Marcus Freire. O motorista que vindo de Jaboatão Centro demandasse o Cabo poderia ter reduzido 10 km de percurso se a Estrada que parte detrás da sede da Regional de Muribeca pudesse prosseguir até o bairro de Comportas, bastando para isso a reconstrução da Ponte do Engenho São Bartolomeu. São coisas que ficam visíveis apenas observando o mapa do município.
Isso sem contar com duplicação da Estrada de Curcuranas e da rodovia ligando a Br 101 ao bairro de Piedade (passando por dentro de Cajueiro Seco). Tudo isso demanda, além de conhecimento e recursos, claro, vontade política.

2 - Saneamento - O saneamento básico é de longe um dos maiores problemas do município. Jaboatão dos Guararapes está em 94° lugar em saneamento básico do país, considerando as 100 maiores cidades. Portanto, entre as grandes cidades, Jaboatão está entre as 10 com pior saneamento. Não é difícil constatar isso quando se visita as localidades mais carentes da cidade. As consequências disso são o despejo do esgotamento sanitário direto nos cursos d'água - Rios Jaboatão, Tejipió, Duas Unas, Jordão, Lagoa Olho D'água e seus afluentes - resultando em doenças para a população. A Lagoa Olho D'água é, por exemplo, um dos maiores focos de esquistossomose do Estado de Pernambuco, pois é o destino final de todos os resíduos da região das praias e do extenso distrito de Prazeres.
Nesse caso não existe solução a não ser essa: um pesado investimento em estações de tratamento de esgoto pelo município. Infelizmente, ao contrário de outras obras, essa pauta não dá a visibilidade política que deveria junto à população, daí que os gestores preferem ignorar o problema que, no final vai se tornando cada vez mais grave.

3 - Patrimônio Histórico - Como não poderíamos deixar de destacar aqui, a Cidade do Jaboatão dos Guararapes tem um longo histórico de descaso com seu Patrimônio Histórico Cultural. Como já foi divulgado aqui neste site várias vezes, o Patrimônio de Jaboatão agoniza. A antiga Estação Ferroviária de Jaboatão Centro, fundada em 1885, berço do desenvolvimento da cidade, sucumbe ao tempo diante de todos que passam pelo terminal de ônibus. Se um prédio histórico dessa envergadura, localizado no centro da cidade, sofre ignorado pelas autoridades, que falar daqueles localizados em locais mais afastados - como os Engenhos Novo da Muribeca, Suassuna (antiga Usina Jaboatão), Duas Unas, Penanduba, etc. Falta uma política concreta de preservação do patrimônio que busque revitalizar esses bens, dando um uso social e cultural aos edifícios a fim de evitar a destruição de nossa memória.
Para solucionar esse problema, antes de mais nada, seria necessário que os gestores tivessem pelos menos o interesse em conhecer a História do Jaboatão. Como não conhecem, ou conhecem pouco, ignoram a presença de valiosos bens culturais em nosso município. O Engenho Suassuna foi o berço das Revoluções Pernambucanas de 1817 e de 1824. A Casa da "Tia Amélia" da música de Robertos Carlos está caindo aos pedaços. Enquanto isso, municípios como Moreno, com menos recursos que Jaboatão, conseguiu recuperar a antiga Estação Ferroviária, utilizando para isso recursos próprios. É uma vergonha que um município tão grande como Jaboatão não consiga fazer o mínimo!

A casa-grande do Engenho Duas Unas jaz em ruínas, tendo outros sido residência dos escritores Maximiano Campos e Renato Carneiro Campos.


4 - Meio Ambiente - A falta de saneamento tem repercussão direta sobre o meio ambiente. Em Jaboatão Centro os rios Jaboatão, Duas Unas e Manassu estão em precário estado de degradação, onde o lixo e o esgoto a céu aberto deixam a água escura e com um odor característico. A fauna sobrevive de forma valente no rio Duas Unas, apesar da intensa poluição que esse rio recebe, não somente residencial mas também industrial. Outro grave problema é o desmatamento. As áreas de mangue estão cada vez mais reduzidas na zona estuarina do Rio Jaboatão, em Barra de Jangadas, enquanto as Reservas de Manassu, Jangadinha e Mussaíba sofrem com invasões e pressão dos bairros vizinhos - Santo Aleixo, Socorro, Cavaleiro e Curados. Da Reserva de Salgadinho, na zona rural de Muribeca, somente restam fragmentos. A Lagoa Olho D'água seria um dos principais cartões-postais do município se não fosse o esgoto e a degradação ambiental que sofre esse importante ecossistema.
Jaboatão precisa efetivar várias ações em defesa do Meio Ambiente. Além de um projeto de Educação Ambiental que não fique restrito aos muros escolares, bem como a criação de estações de tratamento de esgoto (já citadas) faz-se necessário fortalecer as ações da Guarda Ambiental - Gama. Jaboatão poderia também criar algumas reservas a nível municipal, para salvaguardar algumas áreas de especial interesse ambiental. Entre essas podemos citar a Lagoa Olho D'água, o Aningal do Rio Jaboatão (localizado em Comportas onde existe jacaré de papo-amarelo), as cachoeiras de Muribeca (já sujeitas a invasões), o Morro da Macambira, Pedra da Onça (Engenho Rico, onde existem várias grutas naturais), Pedra da Baleia e as Grutas de Megaípe (essas já ameaçadas pela atividade mineradora).

Jacarés, Cágados, Capivaras podem ainda ser vistos nos rios Jaboatão e Duas Unas Foto: Pescador Soares


5 - Lazer - Outro grave problema de Jaboatão é a falta de áreas de lazer. Jaboatão não possui praticamente academias da cidade nem parques urbanos. Praças públicas são raras na cidade (exceto no Centro), principalmente em Prazeres e nos bairros mais novos. A atual gestão iniciou a construção de dois novos parques - em Prazeres junto a BR 101, e em Jaboatão Centro, no antigo Estádio Jefferson de Freitas - ações válidas, mas ainda tímidas diante da necessidade do município. A população dos Curados reivindica há anos a construção de um parque na área, notadamente no terreno ocioso pertencente a União entre as BRs 232 e 408. Muitos bairros não contam nem sequer com uma única praça e regionais como Cavaleiro, Centro, Curados, Muribeca, Guararapes e Prazeres são bastante carentes em áreas de lazer.
A Regional de Muribeca conta ainda com vários espaços ociosos onde deveriam ser construídos parques públicos e academias da cidade, antes que a expansão urbana acabe de ocupar por completo a área ao longo do Eixo de Integração. Em Jaboatão Centro, as áreas do antigo Engenho Duas Unas (onde a população já faz cooper na chamada "Entrada da Coca-cola"), o Campo da Bulhões, da Macaxeira, da Vila Newton Carneiro em Vila Piedade, entre outras, poderiam ser melhor estruturados como parques, com pistas de cooper, playground, quadras e academias. A área da Moenda de Bronze, constantemente açoitada pelas cheias do Rio Jaboatão, poderiam também ser revitalizada nesse sentido.

6 - Saúde - Uma das áreas em que a população de Jaboatão mais sofre é com certeza a área da saúde. A falta de médicos e de remédios nos postos de saúde tem sido uma constante diária na vida da população jaboatonense, notadamente da mais carente. Que adianta a construção de novos postos se os que existem não oferecem o mínimo de serviços médicos, odontológicos e de enfermagem? Além disso, Jaboatão reivindica há anos a entrega da Maternidade Rita Barradas, demolida em 1996 por Newton Carneiro, iniciada sua reconstrução durante a gestão de Elias Gomes e atualmente ainda não concluída. A UPA de Jaboatão Centro vive lotada e não dá conta da demanda por atendimento na localidade.
De início o mais urgente seria revitalizar os postos de saúde existentes, trazendo de volta os médicos e dentistas para o atendimento da população. Um programa de farmácia popular para oferecer medicamentos a baixo custo também seria interessante, mas o importante mesmo seria que a população mais carente voltasse a ter acesso aos remédios oferecidos gratuitamente nos postos. Além disso, a construção de UPAs municipais em algumas regionais ajudaria a melhorar o atendimento médico de alguns bairros. Por exemplo, uma UPA localizada no início do Eixo de Integração, em Muribeca, já seria um grande avanço para os moradores daquela regional e das vizinhas.
Outra necessidade é a construção de novos hospitais. Como a UPA de Jaboatão Centro não atende a demanda, um hospital municipal na região seria bastante oportuno. Jaboatão também poderia construir hospitais voltados para públicos específicos, como fez o Recife, tendo um Hospital da Mulher, Hospital do Idoso, Centro de Saúde do Homem, etc. A construção recente de uma unidade para atendimento veterinário em Massaranduba é uma iniciativa que merece ser reconhecida.



7 - Educação - Jaboatão teve nessa última década até alguns avanços importantes em relação ao IDEB, chegando mesmo a superar a Cidade do Recife em alguns anos. Todavia, persistem alguns problemas que não podem ser ignorados. Algumas escolas sofrem com problemas de infraestrutura. Conhecido mesmo é o caso da Escola Estelita Maria Mendes, em Muribeca, onde os professores tem que se deslocar diariamente entre dois prédios distintos. Os professores da rede municipal de Jaboatão também têm sofrido com a perda salarial ao longo dos anos, já que o município não tem dado o aumento salarial correspondente nos últimos anos, a tal ponto de já estar havendo uma perda relativa se comparado ao piso nacional. Sem falar na necessidade de um maior número de creches e da estrutura física de algumas escolas.
A solução nesse caso é simplesmente cumprir a Lei Nacional do Piso, recuperar a estrutura física das escolas, construir novas creches nos locais onde há maior demanda. Também seria interessante a construção de um centro de formação para professores em prédio próprio, com melhores acomodações para essa atividade.


8 - Segurança Pública - A segurança pública é responsabilidade principalmente do governo estadual. Isso não isenta o município, porém de efetivar algumas ações que visem a prevenção e a diminuição dos índices de criminalidade. Entre essas ações estão o monitoramento das principais vias, praças e locais públicos do município através de câmeras de vigilância. A Guarda Municipal deveria ser melhor estruturada devendo ter um maior número de postos fixos em locais estratégicos como praças, escolas e outros equipamentos públicos do município. Nossas praças têm se tornado ponto de venda e distribuição de drogas a céu aberto, durante o dia, à vista de todos, principalmente pela falta de monitoramento e policiamento. Muitas escolas já foram roubadas também pela falta de vigilância e de guardas municipais para fazer a segurança durante a noite. O Eixo de Integração da Muribeca tem sido alvo constante de assaltos durante a noite pela falta de iluminação pública, problema presente também em outros lugares. Sem falar das delegacias que funcionam em horário limitado, estando quase sempre fechadas no horário noturno e durante os finais de semana, justamente quando acontecem mais crimes.

9 - Cultura - A Cidade do Jaboatão foi historicamente um celeiro cultural onde vários artistas, poetas, músicos e outros atores culturais iniciaram a sua carreira e fizeram história. Infelizmente a maioria dos nomes artísticos de Jaboatão permanecem como grandes desconhecidos entre a própria população, pela falta de reconhecimento dos gestores da cidade em valorizar seus próprios artistas. Nomes como Benedito Cunha Melo, Simião Martiniano, Francisca Isidora, Amelia Brandão (A Tia Amélia da televisão), Alberto Cunha melo, Frei Jaboatão, Natividade Saldanha, Poeta José Gomes, entre outros, deveriam ser homenageados através de esculturas espalhadas pela cidade, à semelhança ao que outras cidades já fizeram. Além disso, os artistas do presente tem que praticar sua arte em outros municípios, porque não encontram em Jaboatão o apoio, o incentivo e o reconhecimento necessário que os valorize. Faltam programas públicos de incentivo a cultura com editais e projetos culturais dentro da cidade, levando a cultura popular de Jaboatão ao alcance de seus próprios moradores. Gastam-se milhões com shows de artistas de fora enquanto o artista local é esquecido. 
Apesar dos 4 séculos de história do município de Jaboatão, a cidade não possui um único museu que seja patrocinado pelo município. É um dever da prefeitura preservar a história da cidade e salvaguadar a memória histórica de Jaboatão para as futuras gerações. Tive a oportunidade de propor isso ao atual gestor, durante a abertura da Exposição "A Pátria nasceu Aqui", em 2017, no Shopping Guararapes, sendo todavia completamente ignorado. A Antiga Estação Ferroviária, caso recuperada, seria o local ideal para o Museu Histórico do Jaboatão dos Guararapes, tendo sido sugerido também o Espaço Memorial Miguel Arraes e os Montes Guararapes.



10 - Emprego e Renda - Sabemos que o problema do desemprego em Jaboatão é de escala nacional, fruto da crise política e econômica que se instalou no país, desde 2013. Todavia, algumas ações de caráter local poderiam ser feitas a fim de incentivar o crescimento econômico e a geração de renda. A capacitação profissional é um dos caminhos levando aos trabalhadores mais vulneráveis maiores possibilidades de encontrar um emprego. Outro caminho é o preparo e a capacitação dos trabalhadores ambulantes e autônomos, bem como um programa de geração de crédito popular para novos empreendedores. A revitalização e ampliação dos mercados públicos de Cavaleiro e de Jaboatão Centro, bem como a criação de novos mercados no Curado, em Cajueiro Seco e mesmo em Muribeca poderia ser uma nova fonte de emprego e renda para a população.



11- Trânsito - Os moradores do Jaboatão sofrem todos os dias com os constantes engarrafamentos que geram transtorno e stress para a população já nas primeiras horas da manhã. Sabe-se que existem alguns "gargalos" na cidade, ou seja, trechos que são bastante problemáticos, justamente porque o motorista não tem muitas alternativas a não ser seguir por aquele caminho. Sem sombra de dúvida o trecho mais problemático é a chamada "Entrada de Cavaleiro", onde todos os dias, a qualquer horário, inclusive nos finais de semana, filas e filas de carros se acumulam, pois não comporta a demanda de veículos que passam por ali. O problema é antigo e nenhuma solução foi tomada por parte da prefeitura até o momento. A saída do Eixo de Integração da Muribeca para a BR 101 é outra aflição para o motorista que tenta seguir para Prazeres, pois o fluxo de caminhões pesados no local atrapalha bastante a saída dos veículos comuns. Em Jaboatão Centro nos horários de pico os veículos se acumulam além da UPA de Engenho Velho, gerando transtorno na ida e na volta para o trabalho.
Algumas intervenções são urgentemente necessárias nessas regiões. Uma delas seria a abertura de uma entrada exclusiva para caminhões na saída do Eixo de Integração, bem como a duplicação dessa rodovia já atrás mencionada. Na entrada de Cavaleiro o problema é mais complexo, sendo a construção de um viaduto uma solução possível. No caso de Jaboatão Centro, seriam necessárias várias intervenções, como o alargamento da Ponte da Estrada da Luz (após o Senai), a extensão do binário até Engenho Velho e a construção de uma paralela da Estrada da Luz, que partindo da antiga Usina Bulhões alcançasse a BR 232 pela várzea do Duas Unas (daí a sugestão de Marginal Duas Unas para essa estrada), desafogando a antiga Estrada da Luz e livrando-a do trânsito de veículos pesados (que poderia ser feito pela nova estrada). Uma nova ponte para a Vila Rica pela Usina Bulhões seria necessário para desafogar a tradicional entrada de acesso para aquele bairro. 

12 - Turismo - Por fim Jaboatão dos Guararapes possui um potencial enorme para o Turismo, não somente de lazer, mas também Histórico, Cultural, de Aventura, Rural, de Negócios, etc. Entretanto, o turista que visita a cidade se quer sabe que está na verdade em Jaboatão, pois os roteiros que são realizados pelas agências vendem Olinda, Recife e Porto de Galinhas como os principais atrativos turísticos do estado. Lugares como a Colônia dos Padres e a Lagoa Azul não são incluído pelo Trade, enquanto outros locais necessitariam de apenas algumas intervenções para se tornarem atrativos turísticos mais importantes como os Montes Guararapes, o Povoado de Muribeca, o Engenho Santana, etc.



13 - Transporte Público - Jaboatão carece de um bom serviço de transporte público. Os ônibus são precários e demoram grandes intervalos entre as viagens, causando transtorno para quem necessita deles. O transporte alternativo também deixa a desejar, principalmente no horário noturno, quando algumas linhas não funcionam. Jaboatão precisaria de mais linhas de ônibus, como por exemplo, uma linha que partindo do Centro fosse até a Conde da Boa Vista pela BR 232 e Abdias de Carvalho, dando aos moradores do Centro mais uma opção de chegar ao Centro do Recife além do metrô. Além disso, algumas estações do metrô da cidade estão em precário estado, como a Estação Engenho Velho, onde nem coberta há para proteger da chuva os passageiros!

14 - Enchentes e Alagamentos - Um dos mais graves problemas enfrentados pelos moradores de Jaboatão são as enchentes e os alagamentos. Em alguns bairros e regiões do município as menores chuvas são responsáveis por enormes transtornos para a população, provocando enchentes e inundações. Em alguns casos as ruas ficam inundadas por semanas sem secar. Conhecidos são os casos de algumas comunidades que alagam todos os anos - Beira Rio, em Santo Aleixo; Moenda de Bronze, em Jaboatão Centro; Coqueiral, em Cavaleiro; parte do bairro de Marcus Freire; várias comunidades ao redor da Lagoa Olho D'água, etc. Além de causarem transtornos e perdas de bens materiais, as enchentes ocasionam também a disseminação de doenças, como a leptospirose, sendo assim também um problema de saúde pública.
    A solução para esses problemas não é fácil, envolvendo também a questão do planejamento urbano, ambiental e o problema da habitação. Algumas áreas inundáveis, como margens de rios, não requerem outra solução a não ser a desocupação das margens e a recuperação da mata ciliar, evitando o despejo de resíduos e o assoreamento. Alguns rios e canais estão tão assoreados que somente um estudo de impacto ambiental com especialistas vai poder dizer se a dragagem ou a canalização seria a melhor alternativa. Nada disso será possível, porém, sem trabalhar a questão urbana, habitacional e ambiental dentro de um mesmo planejamento.

15 - Habitação - Um dos problemas mais importantes e pouco discutidos na cidade é a questão da habitação. Jaboatão carece de um programa de habitação popular para contornar o problema das invasões e falta de moradia da população carente. Muitos ocupam as margens dos rios e lagoas, causando problemas ao meio ambiente e ficando sujeito à enchentes, pela falta de alternativas de moradia dentro do município. Em áreas mais esquecidas do município, como ao redor da Lagoa Olho D'água, a população ainda vive em precárias palafitas sobre a lagoa, em condições de extrema pobreza e miséria. Como estão longe das principais avenidas de Piedade e de Candeias, dos olhares da imprensa e da mídia recifense, essas comunidades permanecem ignoradas pelo poder público, que pouco caso faz pra melhorar sua existência.

Muita coisa mais poderia ser discutida aqui, e nenhuma solução deve ser implementada sem as pessoas diretamente envolvidas: os moradores das comunidades. Jaboatão tem muitos problemas, mas deixo aqui a deixa que não existem soluções mágicas nem milagrosas. Tudo se consegue com muita dificuldade, com muito esforço, trabalho, diálogo e dedicação, e Fé genuína em Deus. Mas nada se consegue quando não há a mínima vontade de realizar!

quarta-feira, 3 de junho de 2020

15 anos da cheia de 2005

Por James Davidson

Rio Jaboatão Fonte: Climatempo

No dia 02 de junho de 2020 completam 15 anos de uma das maiores tragédias que atingiram o Centro de Jaboatão e de Moreno. Na tarde de 02 de junho de 2005 as chuvas torrenciais que atingiram a região fizeram o rio Jaboatão transbordar. As águas subiram rapidamente alcançando cerca de 15 metros acima do normal. Centenas de casas foram arrastadas pelas águas em Moreno e nos bairros da Vila Rica, Moenda de Bronze, Centro, Engenho Velho e Socorro em Jaboatão. Milhares de pessoas ficaram desabrigadas, sendo refugiadas em escolas e espaços públicos.


Em Moreno as águas do rio Jaboatão ultrapassaram o nível da Ponte Santa Maria, inundando o ABC, o Centro e a Avenida Dr. Sofrônio Portela. Dezenas de casas localizadas ás margens do rio foram destruídas nos bairros do Matadouro e N.s da Conceição, que também foram atingidos, assim como o bairro de Tamboatá. Centenas de famílias ficaram desabrigadas, sendo alocadas para escolas e outros espaços públicos.


Em Jaboatão as águas inundaram o pátio da feira, lojas comerciais e a Avenida Barão de Lucena. Dezenas de comerciantes perderam seus estabelecimentos enquanto muitos moradores da comunidade de Moenda de Bronze perdiam suas casas. As águas chegaram a ultrapassar o nível da Ponte da Vila Rica, que acabou ficando danificada com a força da corrente. Um morador chegou a morrer sendo arrastado pelas águas ao tentar salvar um botijão de gás.

O governo federal na época mandou uma ajuda de apenas 500 mil reais. Igrejas, associações de bairro e outras instituições similares realizaram uma grande mobilização para arrecadar roupas e suprimentos para os desabrigados. Destaque para a IBCJ (Igreja Batista Central do Jaboatão, sob o comando do Pastor Davi Farias) que realizou uma grande operação, ajudando centenas de necessitados. A ajuda também veio do pentacampeão Rivaldo e do governo da Holanda que ajudaram na construção de casas em Moreno para os desabrigados, na época do prefeito Edvard Bernardo, vindo daí a fundação da Vila Holandesa. Enquanto a prefeitura de Moreno ajudou na construção dessas casas, a prefeitura de Jaboatão, na época sob a gestão de Newton Carneiro, nada fez, deixando os moradores à própria sorte. Somente dez anos depois foi construído pelo governo estadual um conjunto de casas na antiga Usina Jaboatão, destinadas aos desabrigados da cheia.

A cheia foi tão grande que muita gente acredita que não foi causada por fatores naturais, atribuindo o incidente a uma suposta represa que se rompeu, ou mesmo repetindo o Mito de que Tapacurá teria se rompido. Vale lembrar que Tapacurá faz parte da Bacia do Rio Capibaribe, portanto mesmo que a represa se abrisse, as águas atingiram o Recife e São Lourenço da Mata, mas não o rio Jaboatão que faz parte de uma bacia hidrográfica diferente.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

História do bairro de Engenho Velho

Por James Davidson


O bairro de Engenho Velho surgiu em terras do engenho de mesmo nome. O Engenho Velho era o primitivo Engenho Nossa Senhora da Guia que surge nas crônicas do período colonial, tendo sido levantado no final do século XVI. Durante o período da invasão holandesa ficou abandonado por muito tempo, restando apenas suas matas, pois seus proprietários fugiram para a Bahia com o advento do conflito.


 No século XVIII já estava funcionando novamente com a denominação de Engenho Velho. Em 1761 pertencia ao Padre Vasco Fernandes. No início do século XIX o engenho velho pertencia ao comendador José Francisco Pereira da Silva. Com a abertura da Estrada da Vitória, em 1836, passando pelas terras do Engenho Velho, os proprietários passam a aforar alguns terrenos às margens da estrada. Surgem assim algumas casas isoladas, embrião do atual bairro de Engenho Velho.


O Engenho Velho é arrendado em 1864 ao filho do proprietário, José Francisco Pereira da Silva Júnior. Com a morte do comendador, o Engenho Velho é vendido em 1876 por seus descendentes a José Antônio de Araújo, o Visconde do Livramento. Sua esposa, D. Maria Úrsula Moreira, Viscondessa do Livramento e seu marido tinham também uma casa na Passagem da Madalena. Mas sua presença na Cidade do Jaboatão seria marcante a ponto da casa-grande do Engenho Velho ficar conhecida como "Casa da Viscondessa".


 Com o falecimento do Visconde do Livramento, em 1886, a propriedade é herdada pela viúva, a Viscondessa do Livramento. A partir do final do século XIX e início do século XX, tem início o declínio da atividade agrícola na localidade, com a crescente expansão do núcleo urbano de Jaboatão, a chegada das ferrovias e a ascensão das usinas de açúcar em detrimento dos antigos engenhos bangues. O Engenho Velho encerra então suas atividades, sendo parte de suas terras loteadas na primeira metade do século XX. As demais foram adquiridas pela Fábrica Portela.

A casa da Viscondessa, porém, sobreviveria por mais algumas décadas. Em 1968 sediou o 1° Baile Municipal do Jaboatão, evento que contou com a participação de vários clubes sociais, como o Clube da Juventude, 13 de Maio, Inocentes do Rosarinho, Clube das Pás, entre outros. Todavia, apesar da importância histórica da casa de vivenda, a Industria Portela decidiu por abaixo o edifício, demolido em abril de 1977. Em seu lugar foi construída uma Vila de casas, a Vila da Cepasa, na Granja Santo Antônio, existente até hoje.

Além da antiga casa da Viscondessa, conta o bairro de Engenho Velho com outros edifícios de interesse histórico e social. A atual Escola Souza Brandão foi construída na antiga casa do Barão de Lucena, ex-presidente da província de Pernambuco e Juiz de Paz da Vila de Jaboatão, no século XIX. Adepto do abolicionismo, o Barão de Lucena teria papel importante na Abolição da Escravatura. Quando presidente da Câmara dos deputados, adiantou o processo de votação da Lei Áurea, ganhando com isso o título de Barão de Lucena, dado pela Princesa Isabel.Teve também destaque na vida social de Jaboatão, tendo sido criado o município do Jaboatão durante seu governo, quando governou a então província de Pernambuco, no ano de 1873.

terça-feira, 29 de maio de 2018

História: o bairro de Santo Aleixo

Por James Davidson


 Santo Aleixo é um dos bairros mais importantes e populosos de Jaboatão Centro. Localizado no setor norte do município, é atravessado pela antiga Estrada da Luz que dá acesso à BR 232. Apesar de importante e bem localizado, a localidade guarda alguns segredos sobre sua origem. Um deles é referente justamente ao seu nome, cuja origem vem de fonte incerta.


As terras do bairro pertenciam originalmente aos engenhos Duas Unas e Entre Rios. Seu desenvolvimento se iniciou a partir do ano de 1877 com a construção da "Estrada da Luz", ligando a Cidade do Jaboatão ao Povoado de Matriz da Luz, em São Lourenço da Mata. Várias procissões religiosas saiam da Cidade do Jaboatão para aquela localidade, vindo daí a denominação de Estrada da Luz que até hoje se mantém.


Foi justamente às margens da Estrada da Luz que surgiram as primeiras casas do bairro. Na última década do século XIX se registra a existência do "Arrabalde de Duas Unas", formado por casas na estrada surgida em terrenos aforados ao Engenho Duas Unas. Também vem desta época e do início do século XX a ocupação da Estrada de Entre Rios, fazendo surgir o "arrabalde" de mesmo nome. São dessa época as "Vilas", formadas inicialmente por uma única casa isolada, mas que depois se expandiam formando conjuntos de casas.


Com a expansão das Oficinas da Great Western, em 1910, o bairro ganhou incremento com a chegada de vários trabalhadores ferroviários que ali buscavam lugar onde morar. Não demorou a surgir então clubes culturais e agremiações recreativas, como o Clube Entre Rios, um dos mais tradicionais representantes do futebol jaboatonense do início do século XX. Muito tradicionais também era as festas juninas e de natal realizadas na comunidade, com decoração das ruas e apresentações de quadrilhas e pastoris.


Posteriormente, veio o povoamento das áreas adjacentes a Entre Rios: Alto Manoel de Sena, Alto São Benedito e Mundo Novo já estavam seguramente habitados na década de 1950. Outro loteamento importante surgiu ao lado da antiga Rua Santo Aleixo, continuação de Entre Rios. O Loteamento "Jardim Santo Aleixo" surgira com ruas de nomes de países: Chile, Uruguai, Argentina, etc, a partir da década de 1950. Destaque para a Venda de D. Neném, que serviria de ponto de referência por vários anos, estendendo seu nome para o local até hoje.


Também vale destacar a história religiosa da localidade. Em 2 de fevereiro de 1964 é lançada a pedra fundamental da Capela de São Pedro. Idealizada por José Martins dos Santos e por outras pessoas da localidade, só veio a ser finalmente inaugurada em 19 de julho de 1966. Recentemente recebeu uma ampliação, vindo a se tornar paróquia. Outro templo antigo da localidade é a congregação das Assembleias de Deus de Santo Aleixo, um dos primeiros a ser levantados no bairro. 


Atualmente, o bairro é um dos mais importantes e habitados de Jaboatão Centro, e vem entrando em fase de expansão na direção do vizinho bairro de Manassu e do Loteamento Duas Unas. Todavia, o bairro sofre com vários problemas urbanos e sociais. Um dos principais desses problemas são as inundações do Riacho Manassu que atravessa a parte baixa da região. Devido ao intenso assoreamento do curso d'água, os transbordamentos são constantes, causando transtornos para a população. Vários protestos e manifestações já foram feitas buscando solução para o problema, que é totalmente ignorado pelos poderes públicos.





sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Engenho Duas Unas

Por James Davidson



Localizado em Jaboatão Centro, no bairro de Santo Aleixo, às margens da Estrada da Luz, o Engenho Duas Unas é o principal marco histórico da região. Sua denominação vem do Rio Duas Unas, que atravessa a localidade. O engenho chegou a funcionar como usina e a possuir até duas casas-grandes.


Levantado no final do século XVIII, em terras separadas do Engenho Goiabeira, Duas Unas aparece nas referências ora como Sítio, Propriedade ou Engenho, variando de acordo com a época. Em meados do século XIX pertencia a Amaro Pinheiro Bezerra da Palma que vende o engenho a João Hypólito de Meira Lima, em 13 de agosto de 1857. Em 1870 pertencia a João Theotônio da Cunha.


No final do século XIX e início do século XX parte de suas terras é loteada, dando origem ao "arrabalde" de Duas Unas. Situado às margens da Estrada da Luz, foi o embrião do atual bairro de Santo Aleixo. Nos idos de 1910, chegou a existir no local uma sementeira de eucaliptos, que eram vendidos para várias regiões do estado.


A propriedade pertencia, pelos idos de 1920 e 1930, ao sr. Maximiamo Accioly Cavalcanti, casado com D. Leonita Rabelo Accioly Cavalcanti. Dos muitos membros dessa família surgiam os irmãos Flávio Campos e Maximiamo Accioly Campos, cronistas e escritores que teriam destaque na sociedade pernambucana em meados do século XX.


Da família Campos, Duas Unas passa para Francisco Fonseca Magalhães que transforma o engenho numa pequena usina. A "Engenhoca Duas Unas" era um meio-aparelho que, todavia, não sobreviveu muito tempo à concorrências das grandes usinas, passando depois a ser simples fornecedora de cana.


O cultivo de cana-de-açúcar sobreviveu até meados da década de 1990. Posteriormente as terras da propriedade passaram a ser loteadas, dando origem ao bairro de Duas Unas. Destaque para a torre de retransmissão da Embratel implantada no alto de um morro em 1975, donde se avista grande parte da paisagem do entorno. Atualmente a propriedade foi adquirida por terceiros e uma imensa terraplanagem vem sendo feita no local, cuja utilização não sabemos informar. Também não se sabe qual será o destino da secular casa-grande, construída em dois pavimentos, atualmente desocupada e sem uso. Esperamos que não tenha o mesmo destino de muitas outras casas de engenho do estado, destruídas sem a menor hesitação, apesar do seu valor histórico e cultural.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

A Antiga Prefeitura de Jaboatão

Por James Davidson


O município do Jaboatão foi criado em 24 de maio de 1873, por força da leu provincial n° 1093 de 24/05/1873. Teve seu desmembrado do município do Recife, ao qual fazia parte até então. Todavia, ao ser criado o município, foi criada apenas o "Conselho Municipal", antecedente da Câmara de vereadores. Pela legislação da época era preciso uma outra lei específica para o município passar a ter uma prefeitura.


Somente em 27 de junho de 1884 é que Jaboatão passou a ter uma prefeitura municipal, por força da lei provincial n° 1.811 de 27 de junho de 1884. Todavia, apesar da lei, Jaboatão só veio a ter seu primeiro prefeito 1892 - Dr. Nobre de Lacerda. Não dispondo ainda de sede própria, passou a funcionar numa casa alugada na Rua Barão de Morenos (atual Bernardo Vieira de Melo, por detrás da Quadra Municipal) que depois veio a ser adquirida pela municipalidade.

Como era uma simples casa, porém, a primeira prefeitura do Jaboatão não dispunha das condições adequadas para uma edilidade. Daí que em 1923, o então prefeito Arnaldo Xavier de Albuquerque constrói em um terreno na Rua Barão de Lucena um prédio apropriado para ser a sede do governo municipal. Este edifício possuía um único pavimento e imponentes cornijas detalhadas e encimadas por pinhais.

Porém ,apesar de belo e imponente, o Paço Municipal sobreviveu até o ano de 1956. O então prefeito Aníbal Varejão demoliu o edifício sobre o pretexto dele estar com a estrutura comprometida. Assim, é construído um novo prédio no lugar, com dois pavimentos, intitulado de Palácio Guararapes. A obra é do engenheiro Cândido da Mata Ribeiro.


O novo prédio funcionou como prefeitura até o ano de 1989, quando a sede municipal foi transferida para Prazeres. Depois disso, passou a funcionar como sede da administração distrital, sediando também agência bancária e agência do trabalho.


O edifício passou por várias reformas durante as várias administrações que se seguiram. Também passou por períodos de decadência e abandono. Atualmente, abriga a sede da administração regional e do batalhão de polícia. Situa-se em Jaboatão Centro, defronte à praça do metrô.


Rio Jaboatão - Poema de James Davidson

 Por James Davidson Jaboatão, Em tuas nascentes Fico eu a contemplar Água limpa Água Pura Difícil de imaginar!   Jaboatão Em...