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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Jaboatao Redescoberto - O Vídeo

Por James Davidson

Depois de alguns anos meio afastado, retomo agora as atividades dessa página a todo vapor. Mais matérias interessantes sobre Jaboatão serão publicadas aqui com muitas novidades por vir.
Nos últimos 10 anos, porém, tivemos a oportunidade de percorrer diversos recantos do município, registrando os lugares mais bonitos e curiosos, denunciando os problemas existentes e lutando pela preservação do Patrimônio e do Meio Ambiente. Por isso, em homenagem a esse tempo, editei o seguinte vídeo com alguns dos lugares mais interessantes e curiosos do município do Jaboatão dos Guararapes. Obrigado a todos os leitores que acompanham a acompanharam a página durante esse tempo - esse vídeo também é em homenagem a vocês!!! Um forte abraço!!!


sábado, 24 de março de 2012

Matéria sobre a Barragem do Engenho Pereiras

Por James Davidson

Após a realização da audiência pública sobre a Barragem do Engenho Pereiras em Moreno, o Jc fez a seguinte matéria e vídeo abaixo:

Disponível em:http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/noticia/2012/03/20/parte-de-moreno-sera-inundada-para-evitar-cheias-futuras-36387.php


Parte de Moreno será inundada para evitar cheias futuras

Estrutura será construída no Rio Jaboatão e vai inundar entorno da casa-grande do Engenho Pintos. Compesa promete fim da falta d'água na área sul da RMR


Às margens do Rio Jaboatão, em Moreno, a área no entorno da casa-grande do Engenho Pintos, distante 16 quilômetros do Centro, será inundada com a construção de uma barragem. O objetivo da estrutura é acabar definitivamente com as cheias que costumam afetar o município e parte de cidades vizinhas como Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, e Vitória de Santo Antão, Zona da Mata.
O empreendimento terá como responsável a Compesa, que também promete acabar com problemas de falta d'á-gua na região. Apesar de o projeto prever apenas a inundação do Engenho Pintos, a nova barragem ganhará o nome do Engenho Pereira, que fica ao lado do espaço destinado ao reservatório.
Além de destruir o que restou da estrutura do engenho secular, o empreendimento atingirá terras de um assentamento rural que abriga 400 famílias. São pessoas que conquistaram o direito de viver por lá, há 15 anos, e outras que receberam moradias por herança. Para quem depende da terra para tirar o sustento, a notícia da construção da barragem chegou de repente e assustou.

"É como uma bomba que vai cair nas nossas cabeças. A gente escuta falar nessa obra há muito tempo, mas todo mundo acreditava que era boato. Víamos os pesquisadores entrarem nas terras, mas ninguém nunca chegou para explicar o que ia acontecer no engenho", afirma a agricultora Edna Maria da Silva, 44 anos, uma das responsáveis pela Associação dos Parceleiros do Assentamento Herbert de Souza.

O território do Engenho Pintos é dividido em 147 lotes, administrados por pequenos agricultores. Muitos começaram a ocupar os terrenos com lonas. Atualmente, cada um tem seu espaço e todos plantam nas áreas comuns. Nem todas as casas do assentamento vão ser inundadas, mas quem vai ter que mudar de endereço teme o difícil recomeço.
"Trabalhar a terra do zero, encontrar um lugar tão bom para plantar, com um rio maravilhoso como o que temos aqui do lado de casa vai ser muito difícil. Todo mundo aqui é apegado a essas terras, ver acabar tudo é cruel", diz a agricultora Betânia Francisca da Silva, 37. A família de Cleide Josefa dos Santos, 46, foi criada no engenho e não pensa em outro lugar para morar. "É o nosso paraíso. A gente planta de tudo e é muito tranquilo", conta.
Caberá à Compesa recompensar as famílias pela destruição de suas casas. "Cada morador vai ter o direito de escolher se prefere ser indenizado ou reassentado. O valor da indenização e os detalhes dessa negociação ainda serão acertados", disse o diretor regional metropolitano da Compesa, Rômulo Aurélio de Melo, durante audiência pública ocorrida na última quinta-feira no Centro de Moreno.

Na ocasião, foi apresentado à população o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da barragem, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep). De acordo com a coordenadora técnica da instituição, a geógrafa Edvânia Torres Aguiar Gomes, uma das ações de redução de impacto ambiental que deverá ser posta em prática pela Compesa é o replantio das espécies encontradas na área a ser inundada.

Os animais identificados no engenho deverão ser encaminhados para outros territórios e os peixes tenderão a buscar outras áreas quando perceberem a mudança no meio, que acontecerá gradualmente. O Rima da Barragem do Engenho Pereira está disponível no site da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). Ainda não há previsão de data para o início das obras.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Aqui jaz Megaípe de Baixo - A segunda destruição de Megaípe

Por James Davidson


Destruíram Megaípe outra vez! Foi o que constatamos em uma visita realizada na última terça-feira, dia 17 de janeiro, pelos engenhos de Muribeca. Ao chegarmos no local onde ficava a sede do célebre engenho, que possuía a mais antiga casa-grande de engenho de Pernambuco, às margens de uma estrada de barro que dá acesso à Megaype de Cima, próximo à Br 101 Sul, descobrimos que tudo tinha sido escavado por um trator! No local vai funcionar mais uma indústria da Zona de Processamento de Exportação de Jaboatão (ZPE) e, por isso,  nada mais resta do antigo engenho.


A casa-grande do Engenho Megaype de Baixo ganhou destaque por ser uma das mais antigas casas de engenho do Estado de Pernambuco. Não se sabe sua data exata de construção, porém, as hipóteses mais pessimistas a situam como sendo do final do século XVII. Além da antiguidade, outro fator que tornava Megaípe especial era seu estilo arquitetônico, uma verdadeira casa senhorial de engenho com volumetria imponente e duas torres lateriais. Mereceu, por isso, ilustrar o livro Casa-grande & Senzala de Gilberto Freyre e a lamentação de Manuel Bandeira e de Júlio Belo, quando foi dinamitada. Foi destruída em 1928, pelo dono da Usina Bom Jesus, Sr. João Lopes de Siqueira Santos que simplesmente não queria a visitação no local e temeu  (sabe lá o quê) quando soube que o engenho seria tombado pelo estado.

Ruínas de Megaype de Baixo - James Davidson

Em janeiro de 2011, em visita ao local, junto com a Secretaria de Cultura do município de Jaboatão dos Guararapes, (ver matéria: http://jaboataodosguararapes.blogspot.com/2011/01/jaboatao-redescoberto-e-coordenacao-de.html) constatamos que ainda existiam as ruínas do Casarão de Megaype de Baixo. Porém, não imaginávamos que seriamos os últimos a ter algum registro daquele engenho. O local foi destruído agora pela segunda vez sem que fosse feita nenhuma pesquisa arqueológica ali. Se o engenho era do século XVII, as pesquisas poderiam revelar detalhes da vida nesse período através dos resquícios arqueológicos encontrados. Porém, até onde pudemos saber, apesar de sua importância, nenhuma arqueólogo nunca esteve no local.


Muito se discute até que ponto vale a pena "impedir" o  "progresso" para salvaguardar o patrimônio. De forma alguma somos contra as inovações tecnológicas e nem o desenvolvimento econômico do país. Antes lutamos para que haja uma conciliação das atividades econômicas com a preservação do meio ambiente natural e cultural. Se ao menos um resgate arqueológico tivesse sido feito, como obriga a lei antes da execução de grandes obras, a perda em Megaype teria sido menor. Mas, infelizmente, vivemos em uma sociedade onde o lucro imediato, acima de qualquer preço, é mais importante que o meio ambiente ou mesmo que o bem estar social.

Agora só resta de Megaype, além das imagens (ver vídeo acima), um pequeno tijolo salvo por mim em 2011, último resquício daquele que foi a mais famosa casa de engenho de Pernambuco. Fica aqui a crítica aos políticos do nosso município que nada ou pouco fazem para salvar a história e o patrimônio do nosso município.

Rio Jaboatão - Poema de James Davidson

 Por James Davidson Jaboatão, Em tuas nascentes Fico eu a contemplar Água limpa Água Pura Difícil de imaginar!   Jaboatão Em...