Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônicas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Fontes Históricas, Pereira da Costa e Eu

Por James Davidson


Uma das grandes críticas feitas ao historiador Pereira da Costa, crítica tão repetidamente citada e comentada que já pode ser considerada como do "senso comum" dos historiadores, é justamente a que o referido autor não cita suas fontes. Daí, muitos utilizarem esse argumento para questionar a validade das informações fornecidas pelo autor em seus "Anais Pernambucanos" como se, por um grande ato de má fé, o autor inventasse tudo o que está escrito em seus 10 volumes. Não pretendo dizer que a obra está isenta de falhas e de erros, mas como bem esclarece o historiador José Antônio Gonsalves de Melo, muitas dessas falhas são fruto mais das limitações enfrentadas na época que Pereira da Costa viveu, em termos de acessos a algumas fontes, como mesmo de interpretação das mesmas. Simplesmente não acredito que ele fosse dar o trabalho de inventar tantos nomes, fatos e datas a tal ponto de preencher aqueles dez volumes.

Além disso, a própria afirmação que Pereira da Costa "não cita fontes" não é verdadeira. Autores como Manuel Honorato, Rocha Pitta, Santa Maria, Vital de Oliveira, entre outros, são citados frequentemente em sua obra. A ausência da citação das fontes de muitas informações citadas pelo autor se deve apenas a não existência do rigor acadêmico atual em citar e referenciar todos os dados, na época que o autor escreveu, como se faz atualmente. Assim, chega a ser um grande anacronismo, cobrar de Pereira da Costa a aplicação de métodos e mesmo princípios somente recentemente generalizados pela Academia como se ele tivesse vivido hoje. Sem contar que sua obra nunca pretendeu ser um "trabalho acadêmico", nem moldes atuais, nem nos moldes de sua época.

Essa mania de cobrar do passado com base nos conceitos e modelos atuais é um erro tão comum atualmente, tão generalizado, que são poucos os que ousam questionar. É uma espécie de "Etnocentrismo Cultural" dentro do tempo, onde julgo e condeno as pessoas e coisas do passado sob a ótica dos valores e princípios do tempo em que vivo. Assim, cobram de autores medievais verdades só descobertas na Idade Moderna; cobram de cientistas do século XIX informações só confirmadas no século XX; cobram da Bíblia uma classificação taxonômica só desenvolvida no século XVIII. Assim, cobramos dos que viveram no passado, que não podem se defender, sem considerar sua cultura e suas limitações.

Assim, não escondo minha admiração por Pereira da Costa. E mesmo que algumas de suas fontes tenham se perdido, é extremamente impressionante encontrar no acervo do Arquivo Público Estadual, do IAHGPE ou da Fundação Joaquim Nabuco um documento que, com muita probabilidade, Pereira da Costa conheceu. Não é difícil encontrar documentos que tenham sidos consultados por ele, mesmo não referenciados, mas que confirmam muitas das informações presentes em seus Anais. Assim, é bom ter o cuidado antes de repetir o preconceito: "Pereira da Costa não cita suas fontes", pois o fato dele não citar não quer dizer não elas não existiram.

E como Pereira da Costa, algumas pessoas fazem crítica ao meu blog pois não "cito minhas fontes". Querem que disponha na internet todas as minhas pesquisas e tentam diminuir a credibilidade do meu trabalho por se tratar de apenas um "blog". E o pior é que essas críticas partem principalmente do meio acadêmico, por pessoas que se dizem "cultas", às vezes com títulos de mestrado ou de doutorado. Às vezes feitos por pessoas que se quer pararam para ler e conhecer.

O que tenho pra dizer inicialmente é que o objetivo do meu blog nunca foi a Academia. Escrevo para a população em geral, tanto leigos como especialistas, pois tenho como princípio básico a disseminação do conhecimento de nossa cidade para seus habitantes. Meu trabalho tem como propósito ser um instrumento de divulgação, uma arma na defesa de nosso Patrimônio Histórico, do Meio Ambiente, de nossa identidade. Um instrumento na prática da Educação Patrimonial e Ambiental para o exercício da cidadania e para o fortalecimento de nossa identidade, de nossa cultura e do sentimento de pertença. 

Além disso, não pretendo satisfazer os caprichos nem se submeter aos preconceitos existentes no meio acadêmico. Infelizmente, a academia, com suas devidas e raras exceções, está repleta de gente que se diz culta, que se diz ética, que se diz socialmente correta e consciente. Mas quando observamos suas práticas diárias descobrimos ser exatamente o contrário, pois em nenhum outro lugar reinam tantos preconceitos, tanta ambição sem limites, tanta desonestidade e tanta gente sem ética disposta a tudo, sem escrúpulos nem princípios, para atingir o que querem. Um lugar onde há muito tempo se deixou de produzir um verdadeiro conhecimento, aos moldes de Paulo Freire, que é aquele com finalidade social, para se praticar uma verdadeira "masturbação intelectual" onde tudo tem como finalidade o status, seu próprio ego ou seu próprio bolso. Um lugar onde os discursos bonitos e "socialmente corretos" estão muito longe das práticas elitistas, classistas, preconceituosas, discriminatórias e excludentes presentes no cotidiano das universidades, principalmente das federais. Assim, não me surpreendo com as críticas que surgem, mais por ciúmes pela incapacidade de fazer algo melhor, que de fato pela legitimidade de seus argumentos.

Entretanto, nunca escondi todas as minhas fontes. Vasta lista bibliográfica encontra-se disponível no meu blog para aquele que se interessar em conhecer a História e Geografia do Jaboatão dos Guararapes. Como também nunca me neguei a ajudar àqueles que humildemente solicitam. Contudo, quanto a disponibilizar todas as minhas fontes e todas as minhas pesquisas, saibam que isso é fruto de 7 longos anos de pesquisas em diversos acervos de diversos tipos em diversos locais, e não posso conceder de graça aquilo que foi fruto de um longo trabalho. Ainda mais para a Academia que nunca respeitou nem valorizou o meu trabalho. Por isso, àquele que exige tal atitude de minha parte, sugiro que largue o conforto da tela do computador nos centros acadêmicos e passe a pesquisar os arquivos, jornais, documentos, iconografias, manuscritos e livros existentes nos vários acervos da cidade, como fiz por sete anos e continuo fazendo. Pois este é o trabalho de um verdadeiro historiador, e não repetir preconceitos e discursos ultrapassados, quase sempre sem fundamentos.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A origem do nome Jaboatão

Por James Davidson

Mais um tema polêmico. Qual a origem do nome Jaboatão? Existem várias teorias para explicar esta questão. Vejamos quais são:
Para Teodoro Sampaio, a palavra  Jaboatão vem de "Yauapoatã" que significa mão rija de onça. Para Garcia Rodrigues Jaboatão vem de Yapoatam que seria uma árvore cujo caule era usado para fazer mastros de navio, enquanto para o bispo Dom Raimundo da Silva Brito Jaboatão vem de Yaboaty-atam que significa "andar como cágado".
Analisando a questão, percebe-se que é realmente um assunto muito complicado, principalmente quando se não é especialista em tupi arcaico, mas é possível tirar algumas conclusões através de uma pesquisa histórica.
 A versão mais aceita atualmente é a defendida pelo jornalista Mário Melo - YAPOATAM - quando este realizou um relatório a pedido do Prefeito Brandão Cavalcanti, durante a década de 50. Segundo ele, "era a versão consagrada pelo povo e por isso a mais verdadeira" e por isso foi adotada como sendo a oficial. O interessante é que, no mesmo relatório, ele afirma que "não foi possível encontrar a árvore nem seu desenho com a população".
 Orlando Breno, em seu famoso livro "Jaboatão sua terra sua gente"e seguindo um raciocínio brilhante, defende a idéia de que a teoria correta seria a de D.Raimundo da Silva Brito - YAPOTY-ATAM - e, para isso, ele desenvolve os seguintes questionamentos: Foi o rio que deu nome à cidade ou a cidade que deu nome ao rio? Ora, nas primeiras cartas de sesmarias, datadas da década de 1560, aparece a expressão "Ribeira do Jaboatão" indicando que o rio já se chamava assim antes mesmo dos primeiros engenhos surgirem. Logo foi o rio que deu nome à cidade e não a cidade que deu nome ao rio. Onde está a tão falada árvore chamada de YAPOATAM? Como a cidade poderia receber o nome de uma árvore que ninguém conhece? Pesquisei em vários autores antigos procurando alguma referência que pudesse comprovar a tese da bendita árvore, mas ninguém fala nada sobre ela. Pesquisei em Frei Vicente Salvador, Fernão Gardim, Hans Standen, Frei Jaboatão, Frei Manuel Calado, Gabriel Soares de Souza, nos Diálogos das grandezas do Brasil, em relatórios e livros do período duartino e holandês e nada encontrei. Mesmo havendo vários catálogos de espécies nativas nesses volumes, não foi possível encontrar a tal árvore chamada Yapoatam. Como ela era usada para fazer mastros se ninguém comprova que ela existiu? Será que alguém hoje poderia mostrar um exemplar se quer dessa tão falada árvore? Se ela realmente existe, qual é o seu nome científico?

A versão que parece ser a mais lógica é a defendida pelo Bispo Dom Raimundo Brito. O primeiro autor a falar sobre Jaboatão, Samuel Campelo, defende essa teoria. Sebastião Galvão, no seu famoso dicionário histórico, também defende o mesmo. Todos os moradores antigos também confirmam a versão que o nome Jaboatão faz referência aos cágados que existiam no Rio Jaboatão. Ainda hoje é possível enxergar alguns desses cágados tomando banho de sol nas águas do Duas Unas. Assim, a palavra Jaboatão parece significar mesmo "andar como cágado", como defende o bispo e não Yapoatam, como defendem alguns.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ser ou não ser jaboatonense III

Por James Davidson

Voltando a questão do adjetivo pátrio de Jaboatão, quando muitos querem que nos chamemos jaboatanenses ou jaboatãozenses, volto a dizer que a forma correta é a consagrada pelo povo e presente no Hino Municipal: Jaboatonense!

Há quem diga, porém, que como a palavra Jaboatão termina "ão" o termo correto seria jaboatanense pois, teoricamente, a palavra deveria ser "fiel" ao seu termo de origem. Contudo, na prática não é assim. Todo mundo sabe que quem nasce no Rio Grande do Norte é potiguar, no do Sul gaúcho, em Salvador soteropolitano, no Espírito Santo capixaba e por aí vai. Ninguém questiona a exatidão destes termos, embora os mesmos não tenham nada a ver com os nomes de seus estados. Logo, não é preciso que um adjetivo pátrio seja exatamente "fiel" ao nome do local de origem.

Outra questão interessante a observar é que nem sempre quando o nome do local termina e "ão" o adjetivo pátrio correspondente tem o sufixo iniciado em "A". Exemplos: Matão -SP - matonense, São Simão -GO - simonense, Gabão - gabonense, Cantão - cantonês, Japão - japonês. Logo, por que quem nasce em Jaboatão não pode ser jaboatonense?

sábado, 16 de maio de 2009

Ser ou não ser jaboatonense: eis a questão II

Por James Davidson

Jaboatanense, jaboatonense, jaboatãoense ou jaboatãozense? Afinal, quem nasce em Jaboatão é o quê?
Existem dicionários que defendem estranhos adjetivos para quem mora em Jaboatão. Para o Aurélio, quem nasce em Jaboatão é jaboatãoense. Para o dicionário de Caldas Aulete, o correto é  jaboatanense. Para o dicionário Houaiss, quem nasce em Jaboatão é jaboatanense ou jaboatãozense. Porém, o povo de Jaboatão se autodenomina jaboatonense.

Talvez, para alguns, as formas descritas nos dicionários sejam, na verdade, as formas corretas, pois estes foram escritos por estudiosos na língua. Contudo, respeitando minha formação humanística e minha origem popular, eu sou forçado a discordar delas por diversos motivos.

Primeiro, porque estes dicionários foram escritos por pessoas de fora, que provavelmente nunca estiveram em Jaboatão para confirmar suas suposições. Foram pesquisadores apenas de gabinete, não de campo. Ora, quem escreve um dicionário tem como objetivo catalogar as palavras existentes e de uso corrente com seus respectivos significados, ao invés de criar denominações e impô-las como corretas. Assim, primeiro o povo cria as palavras que se tornam comuns e depois elas vão parar num dicionário, mas nunca o processo contrário. Ninguém insere num dicionário uma palavra que nunca é dita.

O povo de Jaboatão sempre se denominou jaboatonense. Prova disso são alguns jornais antigos chamados de "O Jaboatonense", o Clube Jaboatonense, e houve até time de futebol chamado assim! Até mesmo no Hino Municipal encontramos essa denominação!

Sendo assim, a forma mais correta de chamar o povo de Jaboatão é jaboatonense. É a forma de uso corrente e consagrada pelo povo! Nada de jaboatãoense ou jaboatãozense! O dicionário deveria respeitar a linguagem consagrada e falada pelo povo e não criar novos termos que ninguém conhece! Ninguém aqui diz "Eu sou jaboatãozense!" mas todos dizem "Somos Jaboatonenses". É um consenso popular e não há nada de errado nisto! É a voz da maioria que na verdade tem o direito de denominar-se como quiser e deve ser respeitada. Afinal, não é correto retirar o direito de quase 700 mil habitantes a favor de dois ou três especialistas que nem aqui os pés puseram. Nós somos Jaboatonenses!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ser ou não ser jaboatonense: eis a questão!

Por James Davidson



A cidade de Jaboatão dos Guararapes completa 416 anos de existência no dia 4 de maio deste ano de 2009. Fundada por Bento Luis de Figueirôa, proprietário do Engenho São João Batista (Bulhões) Jaboatão é uma das cidades mais antigas do país. Em sua homenagem fiz este texto que é na verdade uma reflexão.

Jaboatão dos Guararapes é conhecida como a cidade da Restauração por ter sido em suas terras que os luso-brasileiros venceram o invasor holandês, nas famosas Batalhas dos Guararapes. Assim, foi em Jaboatão onde nasceu o Exército Brasileiro e a identidade nacional. Mas Jaboatão não é só isso. Foi em Jaboatão que o Dr. Antonio de Moraes e Silva, no seu Engenho Novo da Muribeca, escreveu o 1° dicionário de língua portuguesa com verbetes brasileiras do nosso país. Foi no Engenho São Bartolomeu, em nosso município, que surgiu o bolo Souza Leão, patrimônio de Pernambuco e consagrado no famoso livro "Açúcar" de Gilberto Freyre. Foi nos engenhos Suassuna e Macujé onde, frequentados por Frei Caneca e outros revolucionários, que foram pensadas e planejadas as revoluções conhecidas como Revolução Pernambucana e a Confederação do Equador, tão importantes para a história do Brasil. Foi em Jaboatão onde Cleto Campelo, reunindo presos e revolucionários, partiu em busca da Coluna Prestes que estava no sertão de Pernambuco, em meados da década de 20.

Jaboatão teve grande participação na Guerra dos Mascates, Conspiração dos Suassuna, Revolução Praieira, Intentona Comunista de 35, entre outros movimentos importantes e significativos para a história de Pernambuco e do Brasil. Jaboatão é a terra de Natividade Saldanha, Benedito Cunha Melo, Amélia Brandão, Francisca Isidora, Paulo Freyre, José Gomes, Frei Jaboatão, Orlando Breno, Van-van, e tantos outros contribuíram para a história, as artes e a cultura do país.

Jaboatão possui um rico patrimônio histórico composto por igrejas antigas como a do Loreto e dos Prazeres; os Montes Guararapes, etc. Possui vários engenhos seculares como o Santana, o Suassuna e o Macujé. Possui reservas Florestais significativas como as de Salgadinho, Mussaíba, Manassu, Jangadinha e Gurjaú. Praias, cachoeiras e lagoas como a Lagoa Olho D'água que é a maior do estado de Pernambuco.

Contudo, apesar de tudo isso, o povo jaboatonense não se orgulha de sua terra. É comum as pessoas que moram em Jaboatão fazer questão de dizer que são de Recife quando estão fora. Diferente de quem mora no Cabo, em Paulista e até mesmo nossa vizinha Moreno, quem mora em Jaboatão quer esconder sua identidade! É como se ser jaboatonense fosse algo vergonhoso!

É de fato compreensível ter vergonha de um lugar tão esquecido e maltratado como é Jaboatão. Porém, se não valorizarmos nossa cidade, ela dificilmente irá mudar e melhorar. A falta de identidade da população contribui para a alienação política da população e, consequentemente, para a falta de fiscalização da mesma. É preciso amar para lutar por melhorias, é preciso amar para votar corretamente, é preciso amar para recuperar o que foi perdido, é preciso amar para poder mudar a realidade. Precisamos amar Jaboatão para que nossa querida cidade venha realmente mudar.

Para amar é preciso conhecer, pois isso queridos leitores do Jaboatão Redescoberto , conheçamos nossa cidade para podermos transformá-la numa cidade melhor!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Por um Jaboatão Diferente

Por James Davidson



Dia 5 é o dia de votar e os eleitores precisam conscientizar-se. Jaboatão não pode mais continuar do mesmo jeito que está. As pessoas precisam pensar coletivamente. Éis aí o grande problema de Jaboatão na hora de escolher os nossos representantes na prefeitura e na Câmara de vereadores!
A maioria da população não vota pensando no bem da cidade, mas pensando apenas em interesses pessoais. Votam, na maioria das vezes, pensando naquilo que aquele canditato poderá lhe dar. Assim, votam nos canditatos que fazem e prometem favores, fazem assistencialismo (doando terras em lugares distantes, sopão, caixões, colchões) e mesmo oferecendo cargos comissionados àqueles que jurarem fidelidade. É uma relação ainda medieval entre susserano e vassalo, candidato e eleitor, onde o primeiro oferece o favor e o segundo passa a ser fiel por toda a eternidade!

Outro problema que acontece é a falta pensamento integrado da população entre os bairros e distritos de Jaboatão. Em vez de votar nos canditatos que se preocupam com a saúde, a educação, o saneamento básico, calçamento, iluminação, meio ambiente, infra-estrutura (estradas, indústrias, transporte, etc) de todo o município, as pessoas só pensam em si mesmas. E ainda criam a ilusão que o problema é o fato da cidade ser dividida em vários distritos (Prazeres, Jaboatão, Cavaleiro, Curado e Jordão) e que os políticos só cuidam de outras regiões, o que não é verdade! Toda a cidade de Jaboatão, desde o Curado até a Barra de Jangadas, de Piedade até a Serra da Macambira, está em completo estado de Abandono!

Por isso, quando for votar, vote não pensando de forma egoísta, no que você pode ganhar se fulano ou ciclano ganhar. Lembre que serão 4 anos em que os eleitos assumirão o poder e vão lucrar muito mais que gastaram comprando votos. Lembre dos 4 anos em que você vai precisar de postos de saúde, hospitais, emprego, saneamento, educação, qualificação profissional, enfim, qualidade de vida, e tudo isso vai depender de quem for eleito. Por isso, vote diferente e esclareça as pessoas mais simples! Entre nessa campanha por um Jaboatão dos Guararapes diferente!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O abandono em Jaboatão dos Guararapes

Por James Davidson


A cidade de Jaboatão está abandonada! Desde o Curado até a Barra de Jangadas reina o DESCASO e a HUMILHAÇÃO! Prédios abandonados, ruas esburacadas, escolas e creches funcionando precariamente, postos de saúde sem médicos e com péssimo atendimento, desorganização nas feiras e no trânsito. E há ainda quem parece estar satisfeito com esta situação! Jaboatão precisa mudar!
O que aconteceu com as pessoas que sofreram com as cheias de 2005? Jaboatão teve mais de 500 famílias desabrigadas, que tiveram suas casas destruídas pelas águas do Rio Jaboatão, mas que sequer receberam ajuda da municipalidade. Uma cidade pequena como Moreno fez um novo conjunto habitacional e por que Jaboatão, 2° maior cidade do estado, não fez nada por seus desalojados?
Sem falar nos diversos prédios abandonados pela cidade. O prédio da Câmara em Prazeres, o Cine-teatro Samuel Campelo, a Escola Profissional de Jaboatão, a Estação Ferroviária, só para começar. E tem ainda a destruição da famosa Maternidade Rita Barradas no Centro de Jaboatão!


A Escola Profissionalizante da antiga RFFSA é um dos exemplos. Criada para dar ensino profissional para os filhos dos trabalhadores da Rede Ferroviária, serviu por muitos anos a comunidade jaboatonense. Chegou a funcionar como SENAI, oferecendo cursos técnicos antes de fechar. Prometeram nas últimas eleições transformá-la em uma universidade pública para Jaboatão. Chegaram até a limpá-la durante as eleições de 2006. Mas, até hoje, é tomada pelos matos!



E a Maternidade Rita Barradas? Fechada durante a 1° gestão do prefeito Nilton Carneiro, foi completamente demolida na 2°, no ano de 2006. Resta somente a placa com seu nome. A Maternidade que há quase 50 anos vinha prestando serviços à sociedade jaboatonense foi fechada e hoje os jaboatonenses não tem sequer o direito de nascer em Jaboatão!


Muitos são os outros exemplos de descaso e abandono na cidade. Ruas esburacadas, escolas em estado precário, postos de saúde sem médicos e com atendimento péssimo. Quem não lembra do caso do prédio da câmara dos vereadores em Prazeres? E da creche abandonada no Curado? As oficinas ferroviárias em Jaboatão Centro? Até quando vamos viver assim? Quando vamos ver Jaboatão com uma qualidade de vida digna de uma cidade com a 2° maior arrecadação?




quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cascata por que estás mudada?

Por James Davidson


Sempre me entristeço quando visito a Cascata, bairro onde mora minha avó, no Centro de Jaboatão. Tristeza dessas sem consolo que nada que alguém diga tira a dor do coração. Cascata da minha infância, cheia de histórias e fantasias. Cascata que hoje está mudada, ou diria, destruída.


A cascata de hoje não é a mesma do tempo dos ferroviários, trabalhadores da Great Western, que saíam cedo e voltavam à tarde pra rever suas esposas. Não é mais aquela da cachoeira que atraía gente de todo canto. Não é mais a mesma de Sebastião Henrique dos Santos.


Cadê a cascata de outrora? Cadê a terra de minha infância? Onde estão as ingênuas brincadeiras? Pega-pega, esconde-esconde, pega-bandeira? Ninguém vê mais as plantações pujantes. Cadê o "velho" com o chapéu de palha? Onde estão as árvores que eu amava? As mangueiras e jaqueiras exuberantes?



Onde estão meus antigos companheiros? A brincar e correr no "arrodeio"? O que fizeram com o riacho de "Biito"? Hoje é esgoto e serve de pinico! Ninguém mais faz expedições à mata! Pra pegar azeitonas, marias-pretas como eram chamadas.

.


Ninguém mais vê as festas emocionantes. Com palhaços distribuindo presentes às crianças, principalmente às carentes! Ali, no campo do Locomoção! Hoje, já não atrai a multidão.




Cascata dos tempos antigos. Afinal, o que fizeram contigo? O que fizeram com aquelas velhas casas? Hoje todas foram alteradas! Cascata do Canto, de Cima e de Baixo. E os chalets situados lá no alto!





Hoje a Cascata está mudada. Diferente de tudo que era antes. Violência, insegurança e imundície. Tristeza, abandono e pobreza. Não há mais o som das oficinas chamando os operários para um novo dia. Não há mais sossego e segurança. Seus riachos e a cachoeira estão sujos. O povo tranquilo foi embora. Forasteiros ocuparam seu lugar. A mata esta toda degradada. As crianças andam sujas e a violência não quer parar. As belas árvores foram trocadas pelo lixo. E os lindos cânticos por gritos!




É uma pena que tudo se acabou! A Cascata de antigamente agora só existe nas lembranças e nas saudades de quem ali viveu sua infância!


quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Porque sou contra a emancipação de Cavaleiro

Por James Davidson

Primeiro gostaria de informar que não sou filiado a partido algum, não sou candidato e nem tenho compromisso com político algum, apenas me preocupo com os problemas referentes à minha terra que é Jaboatão dos Guararapes. Como pesquisador de tudo aquilo que diz respeito a nosso município, aproveito a oportunidade para expor a verdade por trás desse movimento que tenta emancipar o Distrito de Cavaleiro.
Não é a primeira vez que Jaboatão é prejudicado por causa dos interesses particulares de políticos que não tem a menor estima por sua terra.

Por vingança política do então governador Estácio Coimbra, Jaboatão perdeu, em 1928, os territórios de Moreno, Pontezinha e Tejipió. Em 1948, Cavaleiro é transformado em município, ação que é anulada logo em seguida. Em 1989, com o intuito de impedir a emancipação do Distrito de Prazeres ou sua anexação ao Recife (na época Prazeres era segundo distrito), o então prefeito Geraldo Melo transfere a sede municipal de Jaboatão Centro para essa localidade que passou a ser 1° Distrito. E agora transita na Assembléia Legislativa do estado um projeto que quer mais uma vez minguar o território jaboatonense desmembrando Cavaleiro.

Porém, infelizmente esses movimentos acabam ganhando o apoio da população. Isso acontece porque os políticos aproveitam-se da insatisfação popular com os problemas da localidade para semear a idéia que os problemas seriam resolvidos com a emancipação e que estes só existem porque a sede é em Prazeres! Todavia, o que as pessoas não sabem é que estão sendo manipuladas por políticos que só estão preocupados mesmo em ganhar popularidade para, assim, ocuparem as novas vagas surgidas com a criação de uma nova prefeitura e com a criação de uma nova câmara. Além disso, Jaboatão não é o único município que é composto por vários distritos nesse país e isso não é impedimento nem justificativa para a incompetência da administração municipal, que tem recursos mais que suficientes para atender satisfatoriamente as necessidades da população de todos os bairros e distritos, desde Curcuranas até o Curado! Contudo, como a sede é em Prazeres, é fácil acreditar que os benefícios só estão sendo realizados neste distrito o que não é verdade. Quem conhece Piedade ou Candeias, bairros nobres habitados predominantemente por gente de classe média, sabe do descaso que é o 1° Distrito com ruas emburacadas, cheias de lama por toda a parte, lixo por todos os cantos, etc. O trânsito em Prazeres é uma desgraça e lugares como Curcuranas, Sotave, Comportas, Muribeca ...bom, é melhor nem falar! O 1° Distrito também está abandonado como todo o resto da cidade!

Conheço Cavaleiro muito bem e sei o quanto o povo sofre com ruas emburacadas, falta de saneamento básico, violência e, principalmente, saúde pública precária! Quando estive em um posto de saúde de Cavaleiro vi de perto o mau tratamento que é dado aos pacientes por funcionários maus qualificados. Até mesmo a neurologista que me atendeu tratava as pessoas com desprezo e arrogância não tendo a menor consideração nem mesmo com os idosos! Se os político que querem desmenbrar Cavaleiro de Jaboatão estão realmente preocupados com os problemas existentes neste distrito, por que não os resolvem agora, já que detém no momento o poder municipal?

Mas não, querem emancipar Cavaleiro, enfraquecendo a economia do município a serviço de interesses particulares. Um município unido, forte, tem mais condições de enfrentar os desfios do século XXI, obtendo maiores arrecadações e tendo um governo municipal com maiores possibilidades de ação. Mas se Jaboatão for fragmentado, teremos vários municípios pequenos e impotentes para superar os problemas que tanto nos afligem. Querem ver um Jaboatão dos Guararapes mutilado, fragilizado, dividido e incapaz de vencer os problemas que atingem a sua população! E isso apenas por interesses mesquinhos e egoístas de alguns políticos!

Meus amigos, não se trata de um patriotismo ufânico e ingênuo por minha parte. Apenas exerço meu direito à cidadania, procurando conhecer Jaboatão dos Guararapes e seus problemas, lutando para resolvê-los e amando o município onde moro e nasci. Quero só esclarecer que o desmembramento dos distritos de Jaboatão irá apenas satisfazer os interesses particulares de políticos, ao invés de resolver os problemas de nosso povo tão sofrido. Afinal de contas, como diz as Sagradas Escrituras "o cordão de três cordas não se parte facilmente". Unidos venceremos!

Rio Jaboatão - Poema de James Davidson

 Por James Davidson Jaboatão, Em tuas nascentes Fico eu a contemplar Água limpa Água Pura Difícil de imaginar!   Jaboatão Em...