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terça-feira, 8 de abril de 2025

Revendo o Morro da Macambira

 Por James Davidson


O Morro da Macambira fica localizado entre os municípios do Moreno e do Jaboatão dos Guararapes, na encruzilhada que limita os engenhos Macujé, Canzanza e Caraúna. Com 255 metros de altitude, é o ponto mais alto do Jaboatão, sendo desconhecido pela maioria dos moradores, pois relativamente distante da sede urbana do município. A Macambira consiste num conjunto de três morros de relativa altitude, facilmente de identificar na paisagem por quem percorre a zona rural de Jaboatão ou de Moreno, destacando-se por possuir algumas torres da Chesf em seu cume. Seu nome faz referência a uma bromélia muito presente na região.




O Morro da Macambira tem origem num batólito de granito com idade remontando a Orogenia Brasiliana, há 600 milhões de anos atrás, durante a formação da Gondwana Ocidental. Durante a abertura do Oceano Atlântico, tendo início há 200 milhões de anos atrás, a região foi impactada pelo rift do Cabo, abrindo-se várias falhas secundárias perpendiculares, como o Graben da Muribeca e a Falha de Gurjaú. Nesta última se formou o Vale do Rio Gurjau, onde se encontram boa parte dos engenhos de Moreno (Gurjau de Baixo, de Cima, Caraúna, Mato Grosso, etc.) A Macambira porém ficou à margem desses eventos, tendo como consequência seu soerguimento em relação à paisagem vizinha, fato que fez desse morro o principal divisor de águas da área, separando os coletores que correm para o Jaboatão, a leste e norte daqueles, que correm para o Gurjaú, ao oeste e sul.





 A identificação do Morro da Macambira como ponto mais alto de Jaboatão se deve às pesquisas de Orlando Breno de Araújo, autor do livro Jaboatão Sua Terra Sua Gente. Segundo ele, no Morro da Macambira já existiu há algumas décadas atrás uma furna, a denominada Gruta da Macambira, formada por matacões de granito. Infelizmente, essa formação foi dinamitada por exploradores de pedreiras, privando a paisagem de uma belíssima formação natural. Atualmente ao seu redor predominam plantações de cana-de-açúcar dos engenhos Macujé, Canzanza e Caraúna, bem como alguns fragmentos de Mata Atlântica que resistem, apesar do avanço dos canaviais. Na Macambira também estão a nascentes de vários Riachos: Suassuna, a leste que corre para o Jaboatão e seu sub-afluente Riacho do Açude; Secupeminha, ao sul, que corre para o Gurjaú; Carjnijó, ao norte, em terras do Engenho Jardim, que corre para o Jaboatão; Arroio Canzanza, ao sul, que corre para o Rio Gurjaú, entre outros.






Do Cume do Morro da Macambira se avista todos os arredores do Recife, desde Olinda até o Porto de Suape. As cidades do Moreno, Jaboatão, Cabo e do Recife são visíveis do alto bem como o Distrito de Matriz da Luz em São Lourenço da Mata. Destaque para o marco geodésico do IBGE, situado no local mais alto do morro, tendo sido posto no local pra servir como referência de nível e marcar a linha reta que separa os municípios do Moreno e do Jaboatão dos Guararapes. Seu acesso se dá pela Ladeira do Tundá que, segundo relatos orais vem em referência a um escravizado fugido que se abrigou no local no século XIX.




segunda-feira, 16 de maio de 2022

Exposição Lendas do Jaboatão, no Shopping Guararapes




Entre os dias 05/05 até o dia 30/05 estará sendo realizada no Shopping Guararapes a Exposição Lendas de Jaboatão, Curadoria de James Davidson, autor desta página. A exposição resgata algumas histórias do imaginário popular do município, como lendas e assombrações, que integram o folclore municipal. Entre essas lendas e histórias podemos destacar a Iara do Riacho do Prata, a Lagoa Encantada dos Guararapes, o Ovni de Socorro, a Casa Mal-assombrada de Megaípe e o Lobisomem de Cajueiro Seco. Todas essas histórias e outras farão parte do livro Jaboatão Curioso: Lendas e Curiosidades do Jaboatão dos Guararapes, que está sendo elaborado pelo professor James Davidson Lima, que há vários anos vem pesquisando sobre o tema dentro do município do Jaboatão e regiões vizinhas.



A exposição iria inicialmente até o dia 15, mas foi prorrogado até o dia 30/05. Vale a pena conferir!






sábado, 13 de abril de 2019

Bairro de Socorro - Jaboatão

Por James Davidson



As terras do atual bairro de Socorro faziam parte do antigo Engenho N.s do Socorro, levantado em terras desmembradas do antigo Engenho Velho, em meados do século XVIII. A primeira referência para a propriedade vem de um requerimento datado de 2 de junho de 1779, quando o seu proprietário, João Fernandes Rodrigues Queirós, solicita ao rei a demarcação e o tombamento de seu Engenho Nossa Senhora do Socorro, em Jaboatão.


Em meados do século XIX, o Engenho Socorro pertencia a Francisco de Paula Buarque. O Engenho Socorro era movido a animais, possuindo 31 escravos e produzindo 50 cargas de aguardente, 1000 canadas e 300 pães de açúcar. Possuía ainda uma ermida em ruínas, dedicada a Nossa Senhora do Socorro.


Em 1870, o Engenho estava sob a posse de Ignácio Cabral Cantanil. Na última década do Século XIX, quando o engenho pertencia a Joaquim Xavier Carneiro de Lacerda, ocorreu uma tentativa de transformar o Engenho Socorro num Engenho Central. No contrato celebrado em 1888, os proprietários de vários engenhos vizinhos se comprometiam em moer suas canas na propriedade. Por motivos ignorados pelas fontes, o empreendimento não chegou a ser efetivado.


 Com a construção da Estrada de Ferro Central de Pernambuco, a ferrovia atravessou as terras da propriedade, facilitando seu povoamento. No início do século XX, o governo constrói junto a sede do Engenho Socorro, a Escola de Agronomia de Pernambuco. Inaugurada pelo governador Herculano  Bandeira, em 7 de abril de 1911, funcionou até 1920, quando foi então transferida para São Bento do Tapacurá.


O Engenho já estava dividido em várias propriedades quando sua última proprietária, Josefa Carneiro Leão, vende o núcleo da propriedade para o Exército Brasileiro, em 1933. Surge assim o 29° Batalhão de Caçadores, atual 14° Batalhão de Infantaria Motorizada, que reaproveita as antigas edificações do engenho, como a casa-grande, para sediar o quartel. Até hoje existe a casa-grande do Engenho Socorro, modificada para sediar o comando do Quartel.


Poucos anos depois, na época do General Manoel Rabelo, são construídas casas para os militares. Surge a Vila Militar Floriano Peixoto, construída em meados da década de 1930, bem como a Escola Benjamim Constant, destinada a atender os filhos dos militares. Também são construídas na mesma época a Praça com o coreto, administrada pelo Exército, o Cine Floriano, dedicado a exibição de filmes para os militares e a Igreja do Perpétuo Socorro. Em 1935 é inaugurada a Estação Floriano Peixoto, na Estrada de Ferro Central de Pernambuco, para atender aos moradores locais. Hoje a antiga estação jaz em ruínas, ao lado da atual do metrô.


Além do quartel, na década de 1930, é criado no local o Convento Casa das Irmãs de Socorro - fundado em 1932. Em 1958 é fundado numa colina próxima à Estação o Colégio Normal da Vila Medalha Milagrosa, administrado inicialmente pelas irmãs, posteriormente repassado a prefeitura municipal. No ano de 2010 é demolido o prédio do Colégio Medalha Milagrosa, que por muitas décadas ensinou a várias gerações da comunidade local.

Além da escola, o convento fez construir, no cimo de um alto morro próximo, um monumento dedicado a Nossa Senhora das Graças. Sua inauguração ocorreu em 27 de novembro de 1950, com uma procissão vinda do Recife. Fazem parte ainda do bairro diversas comunidades, cuja história precisa ser melhor pesquisada, tais como a Vila Piedade, Quitandinha, Alto Santa Rosa, Alto dos índios, Retiro, etc.

Rio Jaboatão - Poema de James Davidson

 Por James Davidson Jaboatão, Em tuas nascentes Fico eu a contemplar Água limpa Água Pura Difícil de imaginar!   Jaboatão Em...