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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Manassu

 Por James Davidson



Manassu. A palavra é de origem indígena e significa "grande tempestade". Pra mim o lugar tem um significado bem mais especial. Foi em Manassu onde muitas vezes juntei forças pra se recuperar de uma terrível depressão que me acometeu nos anos de 2001 e 2002. Conheci o lugar graças ao meu amigo Felipe Leandro (por onde anda?) e passei depois a explorar a região sozinho. Ali ainda se encontra a Capela e a casa-grande do Engenho Manassu e as ruínas da primitiva casa de engenho e da Fábrica de Louças que chegou a ser construída mas nunca entrou em atividades. Por ali nasce e corre o Riacho Manassu, com inúmeras nascentes que descem da Mata. Este Rio, que corta o populoso bairro de Santo Aleixo, Cascata e Engenho Velho parece ali um modesto riacho, cujas águas ainda não estão contaminadas com dejetos industriais. Pelo caminho muitas azeitonas pretas e ciriguelas cujo sabor me remete de imediato à infância no bairro da Cascata. Dizem que essas azeitonas ajudam a prevenir o câncer de próstata e outras doenças. Em direção ao norte, junto à entrada que leva à Cova de Onça, muitas flores nativas, espécies da Mata Atlântica e árvores frutíferas. Tentei em vão localizar os restante dos aquedutos que conduzia água do Açude Manassu, hoje extinto para a sede do Engenho. Mais à frente alguns sítios e granjas donde nascem os formadores do Riacho Manassu. Não vi mais a congregação da Assembleia de Deus de Mussaíba que meu avô visitava no passado. Na volta gratidão à Deus por ter podido ir e voltar em paz por um lindo lugar que marcou positivamente o passado!




Manassu

 

Manassu, de Matas Verdejantes

Teu clima é agradável

Teu vento é refrescante

Tuas águas cristalinas

Trazem vida então pulsante

 


Manassu, de origens indígenas

Do tupi “Grande tempestade”

Nos revela a majestade

Da natureza revigorante


 

Manassu, rio de águas limpas

Outrora então potáveis

No passado movia engenhos

Girava as rodas d’águas

Hoje jaz poluída

Suja, contaminada!

 


Manassu que tens história

Em seus engenhos, suas matas

O Manassu, O Goiabeira

Entre Rios e Cananduba

Moíam com tuas águas.

 


Tuas águas antes potáveis

Hoje jazem na memória

Da Cachoeira da Cascata

Dela só restam histórias!







terça-feira, 8 de abril de 2025

Suassuna (Poema)

 Por James Davidson


Suassuna, Rio de águas cristalinas
Corre pro Jaboatão, desce da Macambira
Seu nome de memórias ancestrais
Presença judaica, origem indígena.



Suassuna, de remota colonização
Nome de antigo engenho, depois Usina
Enche as Várzea de canaviais
Verdes Matas, altas colinas!


Suassuna, dos tempos dos holandeses
De velhas batalhas, novos interesses
Sempre presente na história pernambucana
Desde os Guararapes até o presente!



Suassuna, de famílias tradicionais
Dos Albuquerque, Cavalcanti
Dos Correias, dos Soares
Dos Brasões senhoriais.


Berço dos Suassuna, raiz do Jaboatão
Da coragem pernambucana
Do heroísmo, independência
Da Magna Revolução!


Suassuna e seu velho "sobrado"
Belo e rico patrimônio
Que jazem em ruínas
Mesmo sendo bem tombado


Sua velha casa-grande
Que resistem na história
Seus fantasmas e escadas
Sobrevivem na memória!

(James Davidson - In memorian de Alexandre Roseno)





sábado, 14 de novembro de 2020

História do Engenho Suassuna

 Por James Davidson


No último dia 31 de outubro tive a oportunidade de voltar à sede do antigo Engenho Suassuna, Usina Jaboatão, rever o estado da primitiva Casa-grande. Acompanhado de César Ramos, Marcelo Vieira, Isaac Luz, Marvim Gabriel e Lucas Ferreira. Na ocasião tive a oportunidade de gravar espontaneamente um vídeo sobre a história do Engenho Suassuna. Apesar dos lapsos de memória (estava com fome) segue abaixo para a apreciação do seguidor dessa página:




sábado, 13 de abril de 2019

Bairro de Socorro - Jaboatão

Por James Davidson



As terras do atual bairro de Socorro faziam parte do antigo Engenho N.s do Socorro, levantado em terras desmembradas do antigo Engenho Velho, em meados do século XVIII. A primeira referência para a propriedade vem de um requerimento datado de 2 de junho de 1779, quando o seu proprietário, João Fernandes Rodrigues Queirós, solicita ao rei a demarcação e o tombamento de seu Engenho Nossa Senhora do Socorro, em Jaboatão.


Em meados do século XIX, o Engenho Socorro pertencia a Francisco de Paula Buarque. O Engenho Socorro era movido a animais, possuindo 31 escravos e produzindo 50 cargas de aguardente, 1000 canadas e 300 pães de açúcar. Possuía ainda uma ermida em ruínas, dedicada a Nossa Senhora do Socorro.


Em 1870, o Engenho estava sob a posse de Ignácio Cabral Cantanil. Na última década do Século XIX, quando o engenho pertencia a Joaquim Xavier Carneiro de Lacerda, ocorreu uma tentativa de transformar o Engenho Socorro num Engenho Central. No contrato celebrado em 1888, os proprietários de vários engenhos vizinhos se comprometiam em moer suas canas na propriedade. Por motivos ignorados pelas fontes, o empreendimento não chegou a ser efetivado.


 Com a construção da Estrada de Ferro Central de Pernambuco, a ferrovia atravessou as terras da propriedade, facilitando seu povoamento. No início do século XX, o governo constrói junto a sede do Engenho Socorro, a Escola de Agronomia de Pernambuco. Inaugurada pelo governador Herculano  Bandeira, em 7 de abril de 1911, funcionou até 1920, quando foi então transferida para São Bento do Tapacurá.


O Engenho já estava dividido em várias propriedades quando sua última proprietária, Josefa Carneiro Leão, vende o núcleo da propriedade para o Exército Brasileiro, em 1933. Surge assim o 29° Batalhão de Caçadores, atual 14° Batalhão de Infantaria Motorizada, que reaproveita as antigas edificações do engenho, como a casa-grande, para sediar o quartel. Até hoje existe a casa-grande do Engenho Socorro, modificada para sediar o comando do Quartel.


Poucos anos depois, na época do General Manoel Rabelo, são construídas casas para os militares. Surge a Vila Militar Floriano Peixoto, construída em meados da década de 1930, bem como a Escola Benjamim Constant, destinada a atender os filhos dos militares. Também são construídas na mesma época a Praça com o coreto, administrada pelo Exército, o Cine Floriano, dedicado a exibição de filmes para os militares e a Igreja do Perpétuo Socorro. Em 1935 é inaugurada a Estação Floriano Peixoto, na Estrada de Ferro Central de Pernambuco, para atender aos moradores locais. Hoje a antiga estação jaz em ruínas, ao lado da atual do metrô.


Além do quartel, na década de 1930, é criado no local o Convento Casa das Irmãs de Socorro - fundado em 1932. Em 1958 é fundado numa colina próxima à Estação o Colégio Normal da Vila Medalha Milagrosa, administrado inicialmente pelas irmãs, posteriormente repassado a prefeitura municipal. No ano de 2010 é demolido o prédio do Colégio Medalha Milagrosa, que por muitas décadas ensinou a várias gerações da comunidade local.

Além da escola, o convento fez construir, no cimo de um alto morro próximo, um monumento dedicado a Nossa Senhora das Graças. Sua inauguração ocorreu em 27 de novembro de 1950, com uma procissão vinda do Recife. Fazem parte ainda do bairro diversas comunidades, cuja história precisa ser melhor pesquisada, tais como a Vila Piedade, Quitandinha, Alto Santa Rosa, Alto dos índios, Retiro, etc.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

História do bairro de Engenho Velho

Por James Davidson


O bairro de Engenho Velho surgiu em terras do engenho de mesmo nome. O Engenho Velho era o primitivo Engenho Nossa Senhora da Guia que surge nas crônicas do período colonial, tendo sido levantado no final do século XVI. Durante o período da invasão holandesa ficou abandonado por muito tempo, restando apenas suas matas, pois seus proprietários fugiram para a Bahia com o advento do conflito.


 No século XVIII já estava funcionando novamente com a denominação de Engenho Velho. Em 1761 pertencia ao Padre Vasco Fernandes. No início do século XIX o engenho velho pertencia ao comendador José Francisco Pereira da Silva. Com a abertura da Estrada da Vitória, em 1836, passando pelas terras do Engenho Velho, os proprietários passam a aforar alguns terrenos às margens da estrada. Surgem assim algumas casas isoladas, embrião do atual bairro de Engenho Velho.


O Engenho Velho é arrendado em 1864 ao filho do proprietário, José Francisco Pereira da Silva Júnior. Com a morte do comendador, o Engenho Velho é vendido em 1876 por seus descendentes a José Antônio de Araújo, o Visconde do Livramento. Sua esposa, D. Maria Úrsula Moreira, Viscondessa do Livramento e seu marido tinham também uma casa na Passagem da Madalena. Mas sua presença na Cidade do Jaboatão seria marcante a ponto da casa-grande do Engenho Velho ficar conhecida como "Casa da Viscondessa".


 Com o falecimento do Visconde do Livramento, em 1886, a propriedade é herdada pela viúva, a Viscondessa do Livramento. A partir do final do século XIX e início do século XX, tem início o declínio da atividade agrícola na localidade, com a crescente expansão do núcleo urbano de Jaboatão, a chegada das ferrovias e a ascensão das usinas de açúcar em detrimento dos antigos engenhos bangues. O Engenho Velho encerra então suas atividades, sendo parte de suas terras loteadas na primeira metade do século XX. As demais foram adquiridas pela Fábrica Portela.

A casa da Viscondessa, porém, sobreviveria por mais algumas décadas. Em 1968 sediou o 1° Baile Municipal do Jaboatão, evento que contou com a participação de vários clubes sociais, como o Clube da Juventude, 13 de Maio, Inocentes do Rosarinho, Clube das Pás, entre outros. Todavia, apesar da importância histórica da casa de vivenda, a Industria Portela decidiu por abaixo o edifício, demolido em abril de 1977. Em seu lugar foi construída uma Vila de casas, a Vila da Cepasa, na Granja Santo Antônio, existente até hoje.

Além da antiga casa da Viscondessa, conta o bairro de Engenho Velho com outros edifícios de interesse histórico e social. A atual Escola Souza Brandão foi construída na antiga casa do Barão de Lucena, ex-presidente da província de Pernambuco e Juiz de Paz da Vila de Jaboatão, no século XIX. Adepto do abolicionismo, o Barão de Lucena teria papel importante na Abolição da Escravatura. Quando presidente da Câmara dos deputados, adiantou o processo de votação da Lei Áurea, ganhando com isso o título de Barão de Lucena, dado pela Princesa Isabel.Teve também destaque na vida social de Jaboatão, tendo sido criado o município do Jaboatão durante seu governo, quando governou a então província de Pernambuco, no ano de 1873.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Engenho Duas Unas

Por James Davidson



Localizado em Jaboatão Centro, no bairro de Santo Aleixo, às margens da Estrada da Luz, o Engenho Duas Unas é o principal marco histórico da região. Sua denominação vem do Rio Duas Unas, que atravessa a localidade. O engenho chegou a funcionar como usina e a possuir até duas casas-grandes.


Levantado no final do século XVIII, em terras separadas do Engenho Goiabeira, Duas Unas aparece nas referências ora como Sítio, Propriedade ou Engenho, variando de acordo com a época. Em meados do século XIX pertencia a Amaro Pinheiro Bezerra da Palma que vende o engenho a João Hypólito de Meira Lima, em 13 de agosto de 1857. Em 1870 pertencia a João Theotônio da Cunha.


No final do século XIX e início do século XX parte de suas terras é loteada, dando origem ao "arrabalde" de Duas Unas. Situado às margens da Estrada da Luz, foi o embrião do atual bairro de Santo Aleixo. Nos idos de 1910, chegou a existir no local uma sementeira de eucaliptos, que eram vendidos para várias regiões do estado.


A propriedade pertencia, pelos idos de 1920 e 1930, ao sr. Maximiamo Accioly Cavalcanti, casado com D. Leonita Rabelo Accioly Cavalcanti. Dos muitos membros dessa família surgiam os irmãos Flávio Campos e Maximiamo Accioly Campos, cronistas e escritores que teriam destaque na sociedade pernambucana em meados do século XX.


Da família Campos, Duas Unas passa para Francisco Fonseca Magalhães que transforma o engenho numa pequena usina. A "Engenhoca Duas Unas" era um meio-aparelho que, todavia, não sobreviveu muito tempo à concorrências das grandes usinas, passando depois a ser simples fornecedora de cana.


O cultivo de cana-de-açúcar sobreviveu até meados da década de 1990. Posteriormente as terras da propriedade passaram a ser loteadas, dando origem ao bairro de Duas Unas. Destaque para a torre de retransmissão da Embratel implantada no alto de um morro em 1975, donde se avista grande parte da paisagem do entorno. Atualmente a propriedade foi adquirida por terceiros e uma imensa terraplanagem vem sendo feita no local, cuja utilização não sabemos informar. Também não se sabe qual será o destino da secular casa-grande, construída em dois pavimentos, atualmente desocupada e sem uso. Esperamos que não tenha o mesmo destino de muitas outras casas de engenho do estado, destruídas sem a menor hesitação, apesar do seu valor histórico e cultural.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O Túnel do Engenho Suassuna

Por James Davidson


Tivemos notícia em 2011 da existência de um possível túnel em terras da Usina Jaboatão, antigo Engenho Suassuna. Junto com o colaborador e amigo Alexandre Roseno, partimos para a localidade a fim de encontrar mais informações e, se possível, identificar o possível túnel. Após entrevista com o sr. Otacílio (ex-condutor de máquinas da usina) pudemos confirmar a existência do referido túnel, mas a primeira tentativa de localizá-lo foi bastante frustrada, após uma longa tarde sob o sol e com várias pessoas ajudando a retirar os matos.
Semanas mais tarde recebemos a informação de um morador que conhecia o local exato e, de posse das ferramentas, pudemos finalmente localizá-lo. Tratava-se de uma pequena abertura de um pouco mais de um metro, construída em alvenaria de tijolos, formando um arco pleno, situada numa encosta abaixo de uma antiga estrada. Feita a limpeza do terreno na boca do mesmo, adentramos na estrutura, imersos na curiosidade natural de quem acaba de descobrir uma coisa nova. Quem sabe o túnel pudesse desvendar mais sobre o passado da localidade, já que o Engenho Suassuna tinha sido levantado por cristãos-novos e tinha participado de movimentos importantes da história pernambucana.
Foi decepcionante, porém, perceber que a dita estrutura seguia por apenas míseros 5 metros terra adentro, finalizando numa galeria de barro cru e nu, sem ter aparentemente qualquer indício de continuidade que o trajeto seguisse mais além. O mistério da existência ou não do dito túnel tinha finalizado, mas ficava a pergunta sobre a utilização daquela entrada numa encosta que aparentemente não ia a lugar algum.
As lendas locais, disseminadas por populares, afirmavam que o dito túnel teria sido construído pelos holandeses ou contemporâneos, e que tinha por destino a Muribeca ou os Montes Guararapes. Exageros à parte, o fato é que dificilmente um túnel com tal trajeto seria possível, dada a estrutura geológica do trecho em questão. Outra hipótese mais plausível, é que seria um esconderijo ou um paiol de armas, já que relatos orais afirmam que uma arma já fora encontrada no local antes, fato que não tivemos a devida comprovação.


Sabe-se que o Engenho Suassuna teve grande participação em movimentos célebres da história pernambucana, como a Conspiração dos Suassuna, a Revolução de 1817, a Confederação do Equador, etc. Não se sabe se o possível túnel teve alguma relação com esses eventos, mas uma possível correlação não pode ainda ser descartada. Outra hipótese possível, que julgo mais conveniente, é que ali tenha funcionado uma antiga bueira de engenho, cujo corpo vertical foi retirado, restando somente a boca - entrada da fornalha. Corrobora para isso o fato do teto do túnel apresentar sinais de fogo e a existência de uma bueira similar localizada na Usina N.S. Auxiliadora, em Moreno.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Jaboatao Redescoberto - O Vídeo

Por James Davidson

Depois de alguns anos meio afastado, retomo agora as atividades dessa página a todo vapor. Mais matérias interessantes sobre Jaboatão serão publicadas aqui com muitas novidades por vir.
Nos últimos 10 anos, porém, tivemos a oportunidade de percorrer diversos recantos do município, registrando os lugares mais bonitos e curiosos, denunciando os problemas existentes e lutando pela preservação do Patrimônio e do Meio Ambiente. Por isso, em homenagem a esse tempo, editei o seguinte vídeo com alguns dos lugares mais interessantes e curiosos do município do Jaboatão dos Guararapes. Obrigado a todos os leitores que acompanham a acompanharam a página durante esse tempo - esse vídeo também é em homenagem a vocês!!! Um forte abraço!!!


terça-feira, 1 de novembro de 2016

O primeiro engenho do Jaboatão

Por James Davidson

Sempre que lemos a história de Jaboatão, especialmente tratando-se dos primeiros engenhos e da fundação de Muribeca, ouve-se falar no Engenho Santo André. Diz a tradição histórica que o Engenho Santo André da Muribeca, levantado por Arnau de holanda, foi o primeiro a ser construído em terras jaboatonenses. Assim diz Pereira da Costa:

"Fevereiro 14 (1568) - Carta de sesmaria passada em Olinda pelo segundo donatário Duarte Coelho de Albuquerque, concedendo a Arnau de Holanda uma data de terra constante de uma légua em quadro, situada em Muribeca, nos limites sul de Jaboatão, mediante o ônus de três porcento sobre o açúcar que fabricasse no engenho a que ficava obrigado a levantar dentro do prazo de três anos da concessão da sesmaria, e de conveniente demarcar suas terras. O concessionário, efetivamente, cumpriu aquela clausula, levantando o Engenho Santo André, assim chamado pela invocação de sua respectiva capela."

Porém, quem andar pelas terras de Muribeca hoje em dia e procurar esse tal engenho Santo André vai ficar pasmado - quase ninguém conhece a existência de um engenho com tal denominação pelas proximidades. Os moradores locais com certeza irão falar dos engenhos Megaype de Cima e de Baixo, Capelinha, Penanduba e outros, mas "Engenho Santo André" quase ninguém conhece.

Por muito tempo pensei que seria impossível encontrar qualquer remanescente da primeira fábrica de engenho jaboatonense. Foi aí que encontrei na internet um artigo do professor José Antônio Gonsalves de Mello intitulado "O Engenho Guararapes e a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres". Nele o autor informa que em meados da década de 1950 chegou a encontrar as ruínas do Engenho Santo André, situadas às margens do Riacho Suassuna, defronte as pedreiras do Engenho Guarany. Cheguei a percorrer varias vezes as margens do referido riacho, desde a usina Jaboatão até o chamado Lote 23, sem sucesso na busca de tais ruínas citadas pelo famoso historiador.


A surpresa foi quando o pesquisador Heraldo Gonsalves, um dos colaboradores deste blog, informou-nos que conhecia as referidas ruínas e sua localização, sem contudo saber sobre o que se tratava. Foi quando então decidimos ir ao local, no ano de 2013, acompanhados do amigo Alexandre Roseno e do professor Carlos Rios. Com ajuda de moradores locais, encontramos as ruínas, justamente às margens do Riacho Suassuna, em área próxima a Lagoa Azul. Tratava-se sem dúvida das ruínas de um engenho, pois encontramos inclusive o espaço onde ficava a roda d'água que movia a fábrica, bem como alicerces, bases e muitas outros resquícios de edificações. 


O local, cercado pelo mato, parecia ter sido abandonado há muito tempo, pois tivemos dificuldades em transitar por ali. A confirmação de que se tratava do Engenho Santo André, além da referência do Riacho Suassuna, veio justamente 1 ano depois quando, consultando as antigas plantas do Arquivo Público Estadual, encontrei um antigo mapa da Freguesia da Muribeca que indicava a localização do Santo André exatamente no local que averiguamos. O mistério de sua localização havia terminado.


Infelizmente, devido a problemas técnicos com a máquina fotográfica, não foi possível evidenciar melhores imagens. Contudo, ter confirmado a existência de ruínas de um Engenho até então só conhecido através de livros foi pra mim muito gratificante. 

sábado, 1 de novembro de 2014

Megaípe na Pintura

Por James Davidson


Nenhuma casa de engenho causou na história tantas polêmicas e tantas discussões como a casa-grade do Engenho Megaípe. Localizada no município do Jaboatão dos Guararapes, próximo ao Povoado de Muribeca, nenhuma casa de engenho foi tão comentada, tão idealizada e tão celebrizada como aquela casa de engenho. Tida como o mais antigo representante do período colonial a ter sobrevivido aos tempos modernos, Megaípe tornou-se mais conhecida mesmo a partir de sua destruição, ocorrida no ano de 1928. Tudo porque o seu proprietário, temendo a realização de um pioneiro processo de tombamento a ser realizado no estado, decidiu por abaixo aquela que poderia ser talvez a maior relíquia sobrevivente do período colonial de Pernambuco.


A destruição de Megaípe causou grande impacto entre os intelectuais de sua época. Gilberto Freyre já vinha falando sobre ela há vários anos antes de sua destruição, em matérias de jornais locais como "A Província". Em sua primeira edição de Casa-grande e Senzala lá estava Megaípe representado por uma litografia. Outros escritores e intelectuais importantes como José Mariano Filho e Júlio Bello também deixaram registradas suas opiniões sobre o edifício, notadamente após a sua destruição.


No meio artístico, a casa-grande de Megaípe também não foi esquecida. Se não foi possível preservar o prédio colonial como todos desejavam, os artistas aos menos o fizeram em suas especialidades. Assim, na poesia Manuel Bandeira e Ascenço Ferreira deixaram em versos seus pensamentos e sentimentos sobre a casa-grande. Em fotografias, Megaípe chegou  a ser registrada por Armando Oliveira, Júlio Bello, Beroaldo Mello e Ulysses Freyre. 


Na pintura e no desenho, Megaípe também não foi negligenciada. Foram vários os artistas que celebraram a memória da edificação em diversos estilos e épocas. Assim, temos os quadros do pintor Manuel Bandeira (não confundir com  o poeta, pois eram pessoas diferentes), um dos primeiros a registrar pela pintura a notável casa-grande. Outra que também pintou o edifício foi a artista Fedora do Rego Monteiro Fernandez, famosa artista do início do século XX.


Megaípe mereceu a atenção também do pintor carioca Alfredo Norfini. Seu quadro "Solar de Megaípe" aparece registrado como tendo participado de uma exposição do Museu Imperial. Também ganhou destaque nacional a representação de Megaípe realizada por José Wasth Rodrigues, em seu Documentário Arquitetônico, publicado na primeira metade do Século XX. Mais recentemente, a casa de Megaípe foi também eternizada nem quadro do pintor pernambucano Mário Nunes. Como possível perceber, talvez nenhuma casa-grande de engenho tenha recebido semelhante atenção por parte de intelectuais e de artistas, e certamente devem existir outros que passaram despercebidos. Assim, Megaípe será  para sempre lembrada através da história não somente por sua destruição, mas também por ter sido capaz de movimentar em sua época tantos intelectuais e artistas em prol de uma causa mais que qualquer outra edificação contemporânea.



domingo, 25 de maio de 2014

Capelas de Engenho Jaboatonenses

Por James Davidson

Capela do Engenho Bulhões

Casa-grande, senzala, capela e moita são os edifícios básicos de um típico engenho de cana-de-açúcar. Cada edificação cumpria uma função específica na organização do engenho, e alguns engenhos ainda conservam pelo menos um dos edifícios principais. A casa-grande cumpria o papel de residência do senhor de engenho e, geralmente, situava-se à meia encosta, em um ponto elevado onde se avistava a fábrica e a produção. Em contrapartida, a moita ou fábrica geralmente se localizava na porção mais baixa do terreno, próximo ao rio, por conta da força motriz ser movida a água. A localização da senzala no sítio variava bastante, podendo ser junto à casa-grande ou junto da fábrica, ou mesmo em outro canto do sítio, desde que não distante do mesmo. Já a capela localizava-se geralmente no topo de alguma colina próxima, nos engenhos mais antigos, ou também ao lado da casa-grande (geralmente nos engenhos do século XVIII).

Capela do Engenho Manassu

A capela de engenho era mais que um simples templo religioso. Era o centro da vida social do engenho. Além de cumprir as funções religiosas básicas - missas e batizados, era a capela o local de realização das principais festas da vida cultural do engenho. Dentre estas, destaque para as festas de casamento, sempre muito movimentadas, batismos de crianças, festas natalinas, de Páscoa, São João, etc. Mas as festas mais importantes de um engenho era a Festa do Padroeiro, a Festa da Botada e a "Pêja".

Capela do Engenho Palmeiras

As festas de padroeiro de engenho eram das mais concorridas e importantes. Algumas seguem ocorrendo até hoje, como a de São Severino dos Ramos, em Paudalho. Outras já tiveram seus dias áureos, mas estão hoje esquecidas, como a de São Braz, e a de Santo Antônio, do Engenho Velho do Cabo. Em Jaboatão, cada engenho também tinha sua festa de padroeiro tradicional no passado, mas com a desestruturação das comunidades da maioria dos engenhos e com a destruição de muitas capelas, a maioria dessas festas não existe mais.

Capela de São João Batista da Usina Bulhões

Os santos padroeiros, com suas respectivas festividades e capelas existentes nos engenhos de Jaboatão, eram os seguintes: Engenho Guararapes - São Simão; Engenho São Bartolomeu - São Bartolomeu; Megaype de Baixo - São Felipe e São Tiago; Megaype de Cima - N.S do Carmo; Novo da Muribeca - São José; Muribequinha - Santo Antônio; Penanduba - N.S do Rosário; Salgadinho - São Cristóvão; Secupema - Santo Antônio; Santo André - Santo André; Santana - N.S. de Santana; Engenho Socorro - N.S. do Socorro; Engenho Velho - N.S. da Guia; Suassuna - N.S da Assunção; Engenho Bulhões - São João Batista; Palmeiras - Santa Cruz; Macujé - N.S do Carmo; Camaçari - N.S. do Rosário. Dessas, capelas, subsistem apenas as capelas dos engenhos Palmeiras, Bulhões, Santana,  Manassu, e Megaype de Cima (ruínas).

Capela em ruínas do Engenho Megaype de Cima

A Festa da Botada era outro momento importantíssimo na vida de um engenho. Marcava o início da moagem da cana e era realizada geralmente no mês de setembro. Consistia numa celebração onde se faziam todos presentes, com realização de missa por um padre-capelão. Nessa ocasião, os equipamentos do engenho eram benzidos com água benta, principalmente a moenda do engenho. Já a Festa da Peja marcava o fim do  período da moagem da cana, geralmente em março ou abril, encerrando as atividades do engenho. Era uma cerimônia mais modesta e menos importante que a Botada, sendo mais comemorada pelos trabalhadores e escravos do engenho.

Capela do Engenho Santana

Toda essa festas e comemorações de engenho eram realizadas em suas capelas e fábricas e deixaram sua contribuição na cultura do brasileiro. Jaboatão, como terra açucareira desde a sua origem, também fez parte desse processo. Todavia a maioria dos engenhos estão desaparecendo por conta da falta de políticas eficazes de preservação!

Capela do Engenho Santana

Rio Jaboatão - Poema de James Davidson

 Por James Davidson Jaboatão, Em tuas nascentes Fico eu a contemplar Água limpa Água Pura Difícil de imaginar!   Jaboatão Em...