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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Os 15 maiores problemas do Jaboatão dos Guararapes

 Por James Davidson




Aproveitando que estamos no período eleitoral, e como profundo conhecedor do Jaboatão dos Guararapes, seus diversos bairros e comunidades, sua história e sua paisagem, seus problemas e dificuldades, decidi fazer uma matéria sobre os principais problemas do município. Os problemas a serem listados a seguir não estão obedecendo a nenhuma ordem hierárquica, ou seja, o primeiro não quer dizer que seja mais importante que o décimo. Também não são os únicos problemas existentes no município. Todavia são aqueles que de acordo com minha experiência estão entre os mais importantes.
Como não é do meu feitio apenas apresentar os problemas, aproveito a oportunidade para sugerir intervenções a fim de solucioná-los ou, ao menos, amenizá-los.


1 - Integração Viária- Jaboatão dos Guararapes é conhecido como município da Integração Nacional. Isso é devido ao fato da vitória contra os holandeses ter permitido a integração do Nordeste ao restante do país. Apesar disso, o território do município é bem pouco integrado entre si, havendo poucas vias de acesso entre os diversos distritos ou regionais - Prazeres, Centro, Praias, Curado, Cavaleiro, Muribeca e Guararapes. Basta uma olhada simples num mapa do município que se verá a dificuldade de ir, por exemplo, dos Curados até Prazeres (muitas vezes tendo de sair de Jaboatão para poder fazer esse percurso. A verdade é que Jaboatão é muito mal integrado e isso tem favorecido o sentimento de fragmentação identitária e política do território. 
Entretanto, é possível perceber no mapa algumas possíveis intervenções que ajudariam a diminuir esse problema. Por exemplo, o acesso direto de Cavaleiro para Prazeres poderia ser muito melhor se houvesse uma comunicação entre a Avenida Manuel Carneiro Leão, em Dois Carneiros, até o bairro de Marcus Freire (contíguo a Dois Carneiros sendo separado apenas pela linha férrea), evitando assim o complicado e enladeirado caminho usado atualmente (que passa pelo Loteamento Grande Recife, Monte Verde e URs). Dessa maneira, de Marcus Freire já seria possível chegar ao Eixo de Integração de forma bem mais rápida.
A Rodovia Eixo de Integração foi construída na época de Geraldo Melo, em 1979, sendo um grande facilitador do acesso entre Jaboatão Centro e Prazeres, anteriormente sendo feito apenas pela BR 101. Atualmente, além dos frequentes abandonos por parte das autoridades (que deixam essa rodovia na escuridão noturna, sem falar nos buracos), o Eixo de Integração já deveria ter sido duplicado há muito tempo, tendo em vista o fluxo de veículos crescente e o espaço disponível para isso. Todavia, a falta de articulação política, de interesse e as disputas entre Estado e Município somente vem atrapalhando a situação dessa rodovia.
Ainda sobre o Eixo de Integração, é incrível notar num mapa do município como a ausência de alguns ramais tornam certos caminhos mais difíceis. Por exemplo, uma pequena ponte sobre um canal daria acesso aos moradores da UR 11 e UR 06 ao Eixo de Integração, via Marcus Freire. O motorista que vindo de Jaboatão Centro demandasse o Cabo poderia ter reduzido 10 km de percurso se a Estrada que parte detrás da sede da Regional de Muribeca pudesse prosseguir até o bairro de Comportas, bastando para isso a reconstrução da Ponte do Engenho São Bartolomeu. São coisas que ficam visíveis apenas observando o mapa do município.
Isso sem contar com duplicação da Estrada de Curcuranas e da rodovia ligando a Br 101 ao bairro de Piedade (passando por dentro de Cajueiro Seco). Tudo isso demanda, além de conhecimento e recursos, claro, vontade política.

2 - Saneamento - O saneamento básico é de longe um dos maiores problemas do município. Jaboatão dos Guararapes está em 94° lugar em saneamento básico do país, considerando as 100 maiores cidades. Portanto, entre as grandes cidades, Jaboatão está entre as 10 com pior saneamento. Não é difícil constatar isso quando se visita as localidades mais carentes da cidade. As consequências disso são o despejo do esgotamento sanitário direto nos cursos d'água - Rios Jaboatão, Tejipió, Duas Unas, Jordão, Lagoa Olho D'água e seus afluentes - resultando em doenças para a população. A Lagoa Olho D'água é, por exemplo, um dos maiores focos de esquistossomose do Estado de Pernambuco, pois é o destino final de todos os resíduos da região das praias e do extenso distrito de Prazeres.
Nesse caso não existe solução a não ser essa: um pesado investimento em estações de tratamento de esgoto pelo município. Infelizmente, ao contrário de outras obras, essa pauta não dá a visibilidade política que deveria junto à população, daí que os gestores preferem ignorar o problema que, no final vai se tornando cada vez mais grave.

3 - Patrimônio Histórico - Como não poderíamos deixar de destacar aqui, a Cidade do Jaboatão dos Guararapes tem um longo histórico de descaso com seu Patrimônio Histórico Cultural. Como já foi divulgado aqui neste site várias vezes, o Patrimônio de Jaboatão agoniza. A antiga Estação Ferroviária de Jaboatão Centro, fundada em 1885, berço do desenvolvimento da cidade, sucumbe ao tempo diante de todos que passam pelo terminal de ônibus. Se um prédio histórico dessa envergadura, localizado no centro da cidade, sofre ignorado pelas autoridades, que falar daqueles localizados em locais mais afastados - como os Engenhos Novo da Muribeca, Suassuna (antiga Usina Jaboatão), Duas Unas, Penanduba, etc. Falta uma política concreta de preservação do patrimônio que busque revitalizar esses bens, dando um uso social e cultural aos edifícios a fim de evitar a destruição de nossa memória.
Para solucionar esse problema, antes de mais nada, seria necessário que os gestores tivessem pelos menos o interesse em conhecer a História do Jaboatão. Como não conhecem, ou conhecem pouco, ignoram a presença de valiosos bens culturais em nosso município. O Engenho Suassuna foi o berço das Revoluções Pernambucanas de 1817 e de 1824. A Casa da "Tia Amélia" da música de Robertos Carlos está caindo aos pedaços. Enquanto isso, municípios como Moreno, com menos recursos que Jaboatão, conseguiu recuperar a antiga Estação Ferroviária, utilizando para isso recursos próprios. É uma vergonha que um município tão grande como Jaboatão não consiga fazer o mínimo!

A casa-grande do Engenho Duas Unas jaz em ruínas, tendo outros sido residência dos escritores Maximiano Campos e Renato Carneiro Campos.


4 - Meio Ambiente - A falta de saneamento tem repercussão direta sobre o meio ambiente. Em Jaboatão Centro os rios Jaboatão, Duas Unas e Manassu estão em precário estado de degradação, onde o lixo e o esgoto a céu aberto deixam a água escura e com um odor característico. A fauna sobrevive de forma valente no rio Duas Unas, apesar da intensa poluição que esse rio recebe, não somente residencial mas também industrial. Outro grave problema é o desmatamento. As áreas de mangue estão cada vez mais reduzidas na zona estuarina do Rio Jaboatão, em Barra de Jangadas, enquanto as Reservas de Manassu, Jangadinha e Mussaíba sofrem com invasões e pressão dos bairros vizinhos - Santo Aleixo, Socorro, Cavaleiro e Curados. Da Reserva de Salgadinho, na zona rural de Muribeca, somente restam fragmentos. A Lagoa Olho D'água seria um dos principais cartões-postais do município se não fosse o esgoto e a degradação ambiental que sofre esse importante ecossistema.
Jaboatão precisa efetivar várias ações em defesa do Meio Ambiente. Além de um projeto de Educação Ambiental que não fique restrito aos muros escolares, bem como a criação de estações de tratamento de esgoto (já citadas) faz-se necessário fortalecer as ações da Guarda Ambiental - Gama. Jaboatão poderia também criar algumas reservas a nível municipal, para salvaguardar algumas áreas de especial interesse ambiental. Entre essas podemos citar a Lagoa Olho D'água, o Aningal do Rio Jaboatão (localizado em Comportas onde existe jacaré de papo-amarelo), as cachoeiras de Muribeca (já sujeitas a invasões), o Morro da Macambira, Pedra da Onça (Engenho Rico, onde existem várias grutas naturais), Pedra da Baleia e as Grutas de Megaípe (essas já ameaçadas pela atividade mineradora).

Jacarés, Cágados, Capivaras podem ainda ser vistos nos rios Jaboatão e Duas Unas Foto: Pescador Soares


5 - Lazer - Outro grave problema de Jaboatão é a falta de áreas de lazer. Jaboatão não possui praticamente academias da cidade nem parques urbanos. Praças públicas são raras na cidade (exceto no Centro), principalmente em Prazeres e nos bairros mais novos. A atual gestão iniciou a construção de dois novos parques - em Prazeres junto a BR 101, e em Jaboatão Centro, no antigo Estádio Jefferson de Freitas - ações válidas, mas ainda tímidas diante da necessidade do município. A população dos Curados reivindica há anos a construção de um parque na área, notadamente no terreno ocioso pertencente a União entre as BRs 232 e 408. Muitos bairros não contam nem sequer com uma única praça e regionais como Cavaleiro, Centro, Curados, Muribeca, Guararapes e Prazeres são bastante carentes em áreas de lazer.
A Regional de Muribeca conta ainda com vários espaços ociosos onde deveriam ser construídos parques públicos e academias da cidade, antes que a expansão urbana acabe de ocupar por completo a área ao longo do Eixo de Integração. Em Jaboatão Centro, as áreas do antigo Engenho Duas Unas (onde a população já faz cooper na chamada "Entrada da Coca-cola"), o Campo da Bulhões, da Macaxeira, da Vila Newton Carneiro em Vila Piedade, entre outras, poderiam ser melhor estruturados como parques, com pistas de cooper, playground, quadras e academias. A área da Moenda de Bronze, constantemente açoitada pelas cheias do Rio Jaboatão, poderiam também ser revitalizada nesse sentido.

6 - Saúde - Uma das áreas em que a população de Jaboatão mais sofre é com certeza a área da saúde. A falta de médicos e de remédios nos postos de saúde tem sido uma constante diária na vida da população jaboatonense, notadamente da mais carente. Que adianta a construção de novos postos se os que existem não oferecem o mínimo de serviços médicos, odontológicos e de enfermagem? Além disso, Jaboatão reivindica há anos a entrega da Maternidade Rita Barradas, demolida em 1996 por Newton Carneiro, iniciada sua reconstrução durante a gestão de Elias Gomes e atualmente ainda não concluída. A UPA de Jaboatão Centro vive lotada e não dá conta da demanda por atendimento na localidade.
De início o mais urgente seria revitalizar os postos de saúde existentes, trazendo de volta os médicos e dentistas para o atendimento da população. Um programa de farmácia popular para oferecer medicamentos a baixo custo também seria interessante, mas o importante mesmo seria que a população mais carente voltasse a ter acesso aos remédios oferecidos gratuitamente nos postos. Além disso, a construção de UPAs municipais em algumas regionais ajudaria a melhorar o atendimento médico de alguns bairros. Por exemplo, uma UPA localizada no início do Eixo de Integração, em Muribeca, já seria um grande avanço para os moradores daquela regional e das vizinhas.
Outra necessidade é a construção de novos hospitais. Como a UPA de Jaboatão Centro não atende a demanda, um hospital municipal na região seria bastante oportuno. Jaboatão também poderia construir hospitais voltados para públicos específicos, como fez o Recife, tendo um Hospital da Mulher, Hospital do Idoso, Centro de Saúde do Homem, etc. A construção recente de uma unidade para atendimento veterinário em Massaranduba é uma iniciativa que merece ser reconhecida.



7 - Educação - Jaboatão teve nessa última década até alguns avanços importantes em relação ao IDEB, chegando mesmo a superar a Cidade do Recife em alguns anos. Todavia, persistem alguns problemas que não podem ser ignorados. Algumas escolas sofrem com problemas de infraestrutura. Conhecido mesmo é o caso da Escola Estelita Maria Mendes, em Muribeca, onde os professores tem que se deslocar diariamente entre dois prédios distintos. Os professores da rede municipal de Jaboatão também têm sofrido com a perda salarial ao longo dos anos, já que o município não tem dado o aumento salarial correspondente nos últimos anos, a tal ponto de já estar havendo uma perda relativa se comparado ao piso nacional. Sem falar na necessidade de um maior número de creches e da estrutura física de algumas escolas.
A solução nesse caso é simplesmente cumprir a Lei Nacional do Piso, recuperar a estrutura física das escolas, construir novas creches nos locais onde há maior demanda. Também seria interessante a construção de um centro de formação para professores em prédio próprio, com melhores acomodações para essa atividade.


8 - Segurança Pública - A segurança pública é responsabilidade principalmente do governo estadual. Isso não isenta o município, porém de efetivar algumas ações que visem a prevenção e a diminuição dos índices de criminalidade. Entre essas ações estão o monitoramento das principais vias, praças e locais públicos do município através de câmeras de vigilância. A Guarda Municipal deveria ser melhor estruturada devendo ter um maior número de postos fixos em locais estratégicos como praças, escolas e outros equipamentos públicos do município. Nossas praças têm se tornado ponto de venda e distribuição de drogas a céu aberto, durante o dia, à vista de todos, principalmente pela falta de monitoramento e policiamento. Muitas escolas já foram roubadas também pela falta de vigilância e de guardas municipais para fazer a segurança durante a noite. O Eixo de Integração da Muribeca tem sido alvo constante de assaltos durante a noite pela falta de iluminação pública, problema presente também em outros lugares. Sem falar das delegacias que funcionam em horário limitado, estando quase sempre fechadas no horário noturno e durante os finais de semana, justamente quando acontecem mais crimes.

9 - Cultura - A Cidade do Jaboatão foi historicamente um celeiro cultural onde vários artistas, poetas, músicos e outros atores culturais iniciaram a sua carreira e fizeram história. Infelizmente a maioria dos nomes artísticos de Jaboatão permanecem como grandes desconhecidos entre a própria população, pela falta de reconhecimento dos gestores da cidade em valorizar seus próprios artistas. Nomes como Benedito Cunha Melo, Simião Martiniano, Francisca Isidora, Amelia Brandão (A Tia Amélia da televisão), Alberto Cunha melo, Frei Jaboatão, Natividade Saldanha, Poeta José Gomes, entre outros, deveriam ser homenageados através de esculturas espalhadas pela cidade, à semelhança ao que outras cidades já fizeram. Além disso, os artistas do presente tem que praticar sua arte em outros municípios, porque não encontram em Jaboatão o apoio, o incentivo e o reconhecimento necessário que os valorize. Faltam programas públicos de incentivo a cultura com editais e projetos culturais dentro da cidade, levando a cultura popular de Jaboatão ao alcance de seus próprios moradores. Gastam-se milhões com shows de artistas de fora enquanto o artista local é esquecido. 
Apesar dos 4 séculos de história do município de Jaboatão, a cidade não possui um único museu que seja patrocinado pelo município. É um dever da prefeitura preservar a história da cidade e salvaguadar a memória histórica de Jaboatão para as futuras gerações. Tive a oportunidade de propor isso ao atual gestor, durante a abertura da Exposição "A Pátria nasceu Aqui", em 2017, no Shopping Guararapes, sendo todavia completamente ignorado. A Antiga Estação Ferroviária, caso recuperada, seria o local ideal para o Museu Histórico do Jaboatão dos Guararapes, tendo sido sugerido também o Espaço Memorial Miguel Arraes e os Montes Guararapes.



10 - Emprego e Renda - Sabemos que o problema do desemprego em Jaboatão é de escala nacional, fruto da crise política e econômica que se instalou no país, desde 2013. Todavia, algumas ações de caráter local poderiam ser feitas a fim de incentivar o crescimento econômico e a geração de renda. A capacitação profissional é um dos caminhos levando aos trabalhadores mais vulneráveis maiores possibilidades de encontrar um emprego. Outro caminho é o preparo e a capacitação dos trabalhadores ambulantes e autônomos, bem como um programa de geração de crédito popular para novos empreendedores. A revitalização e ampliação dos mercados públicos de Cavaleiro e de Jaboatão Centro, bem como a criação de novos mercados no Curado, em Cajueiro Seco e mesmo em Muribeca poderia ser uma nova fonte de emprego e renda para a população.



11- Trânsito - Os moradores do Jaboatão sofrem todos os dias com os constantes engarrafamentos que geram transtorno e stress para a população já nas primeiras horas da manhã. Sabe-se que existem alguns "gargalos" na cidade, ou seja, trechos que são bastante problemáticos, justamente porque o motorista não tem muitas alternativas a não ser seguir por aquele caminho. Sem sombra de dúvida o trecho mais problemático é a chamada "Entrada de Cavaleiro", onde todos os dias, a qualquer horário, inclusive nos finais de semana, filas e filas de carros se acumulam, pois não comporta a demanda de veículos que passam por ali. O problema é antigo e nenhuma solução foi tomada por parte da prefeitura até o momento. A saída do Eixo de Integração da Muribeca para a BR 101 é outra aflição para o motorista que tenta seguir para Prazeres, pois o fluxo de caminhões pesados no local atrapalha bastante a saída dos veículos comuns. Em Jaboatão Centro nos horários de pico os veículos se acumulam além da UPA de Engenho Velho, gerando transtorno na ida e na volta para o trabalho.
Algumas intervenções são urgentemente necessárias nessas regiões. Uma delas seria a abertura de uma entrada exclusiva para caminhões na saída do Eixo de Integração, bem como a duplicação dessa rodovia já atrás mencionada. Na entrada de Cavaleiro o problema é mais complexo, sendo a construção de um viaduto uma solução possível. No caso de Jaboatão Centro, seriam necessárias várias intervenções, como o alargamento da Ponte da Estrada da Luz (após o Senai), a extensão do binário até Engenho Velho e a construção de uma paralela da Estrada da Luz, que partindo da antiga Usina Bulhões alcançasse a BR 232 pela várzea do Duas Unas (daí a sugestão de Marginal Duas Unas para essa estrada), desafogando a antiga Estrada da Luz e livrando-a do trânsito de veículos pesados (que poderia ser feito pela nova estrada). Uma nova ponte para a Vila Rica pela Usina Bulhões seria necessário para desafogar a tradicional entrada de acesso para aquele bairro. 

12 - Turismo - Por fim Jaboatão dos Guararapes possui um potencial enorme para o Turismo, não somente de lazer, mas também Histórico, Cultural, de Aventura, Rural, de Negócios, etc. Entretanto, o turista que visita a cidade se quer sabe que está na verdade em Jaboatão, pois os roteiros que são realizados pelas agências vendem Olinda, Recife e Porto de Galinhas como os principais atrativos turísticos do estado. Lugares como a Colônia dos Padres e a Lagoa Azul não são incluído pelo Trade, enquanto outros locais necessitariam de apenas algumas intervenções para se tornarem atrativos turísticos mais importantes como os Montes Guararapes, o Povoado de Muribeca, o Engenho Santana, etc.



13 - Transporte Público - Jaboatão carece de um bom serviço de transporte público. Os ônibus são precários e demoram grandes intervalos entre as viagens, causando transtorno para quem necessita deles. O transporte alternativo também deixa a desejar, principalmente no horário noturno, quando algumas linhas não funcionam. Jaboatão precisaria de mais linhas de ônibus, como por exemplo, uma linha que partindo do Centro fosse até a Conde da Boa Vista pela BR 232 e Abdias de Carvalho, dando aos moradores do Centro mais uma opção de chegar ao Centro do Recife além do metrô. Além disso, algumas estações do metrô da cidade estão em precário estado, como a Estação Engenho Velho, onde nem coberta há para proteger da chuva os passageiros!

14 - Enchentes e Alagamentos - Um dos mais graves problemas enfrentados pelos moradores de Jaboatão são as enchentes e os alagamentos. Em alguns bairros e regiões do município as menores chuvas são responsáveis por enormes transtornos para a população, provocando enchentes e inundações. Em alguns casos as ruas ficam inundadas por semanas sem secar. Conhecidos são os casos de algumas comunidades que alagam todos os anos - Beira Rio, em Santo Aleixo; Moenda de Bronze, em Jaboatão Centro; Coqueiral, em Cavaleiro; parte do bairro de Marcus Freire; várias comunidades ao redor da Lagoa Olho D'água, etc. Além de causarem transtornos e perdas de bens materiais, as enchentes ocasionam também a disseminação de doenças, como a leptospirose, sendo assim também um problema de saúde pública.
    A solução para esses problemas não é fácil, envolvendo também a questão do planejamento urbano, ambiental e o problema da habitação. Algumas áreas inundáveis, como margens de rios, não requerem outra solução a não ser a desocupação das margens e a recuperação da mata ciliar, evitando o despejo de resíduos e o assoreamento. Alguns rios e canais estão tão assoreados que somente um estudo de impacto ambiental com especialistas vai poder dizer se a dragagem ou a canalização seria a melhor alternativa. Nada disso será possível, porém, sem trabalhar a questão urbana, habitacional e ambiental dentro de um mesmo planejamento.

15 - Habitação - Um dos problemas mais importantes e pouco discutidos na cidade é a questão da habitação. Jaboatão carece de um programa de habitação popular para contornar o problema das invasões e falta de moradia da população carente. Muitos ocupam as margens dos rios e lagoas, causando problemas ao meio ambiente e ficando sujeito à enchentes, pela falta de alternativas de moradia dentro do município. Em áreas mais esquecidas do município, como ao redor da Lagoa Olho D'água, a população ainda vive em precárias palafitas sobre a lagoa, em condições de extrema pobreza e miséria. Como estão longe das principais avenidas de Piedade e de Candeias, dos olhares da imprensa e da mídia recifense, essas comunidades permanecem ignoradas pelo poder público, que pouco caso faz pra melhorar sua existência.

Muita coisa mais poderia ser discutida aqui, e nenhuma solução deve ser implementada sem as pessoas diretamente envolvidas: os moradores das comunidades. Jaboatão tem muitos problemas, mas deixo aqui a deixa que não existem soluções mágicas nem milagrosas. Tudo se consegue com muita dificuldade, com muito esforço, trabalho, diálogo e dedicação, e Fé genuína em Deus. Mas nada se consegue quando não há a mínima vontade de realizar!

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Muribeca perde parte de seu Patrimônio

Por James Davidson

Segue abaixo imagens da descaracterização da Arquitetura Original do Povoado de Muribeca dos Guararapes. Infelizmente, por falta de conhecimento ou por outras questões, as casas antigas vem sendo demolidas, fazendo com que a localidade perca seu valioso Patrimônio Histórico. Ajuda nesse processo a omissão dos poderes públicos competentes, tanto a nível estadual como a nível municipal, em intervir, orientar e auxiliar a população de Muribeca a manter sua História. Fica aí o registro de uma das casas mais antigas da localidade, demolida há alguns anos atrás, onde no passado funcionou a delegacia de Muribeca. Segue abaixo:








sábado, 10 de junho de 2017

Ruínas do Livramento da Muribeca

Por James Davidson


O Povoado de Muribeca é um verdadeiro celeiro da História de Jaboatão, com seus prédios históricos e casarios. Suas igrejas, engenhos e casarios ajudam a contar a história de Jaboatão e de Pernambuco. E um destes patrimônios existentes no lugar são as ruínas da Igreja dos Homens Pardos de Muribeca.


As ruínas da Igreja do Livramento dos Homens Pardos ficam localizadas na Rua do Rosário, defronte a um posto de saúde, próximo às Ruínas do Rosário dos Homens Pretos. Restam apenas uma única parede com seteiras, com alvenaria mista de pedras e tijolos, que chama a atenção na localidade.


A história do templo é porém muito antiga. Remonta ainda ao período colonial. A primeira referência vem do período holandês, quando a igreja era devotada a São Gonçalo. Posteriormente, no século XVIII, passou a ser identificada como devotada a N.S do Livramento, padroeira dos Homens Pardos.


As irmandades dos homens Pardos eram agremiações religiosas muito comuns na sociedade colonial. Eram compostas por homens livres, mestiços, que não pertenciam nem à elite branca nem ao grupo dos escravos e negros alforriados. Essas agremiações tinham o intuito de unir laços para ajuda mútua e realização de celebrações religiosas.


Quanto à Irmandade de Muribeca, não se conhecem registros sobre sua existência e funcionamento. Também são desconhecidas as causas do arruinamento e destruição do templo. Segunda uma planta de 1877,  a igreja ainda estava inteira e possuía orientação diagonal em relação à rua. No início do século XX, porém, já se encontrava em ruínas, segundo informações dos moradores mais antigos.


No ano de 1954, em virtude das comemorações do 300° da Restauração Pernambucana - saída dos holandeses de Pernambuco - foi alocado no templo uma placa comemorativa, tendo em vista a importância de Muribeca no desenrolar do conflito entre portugueses e holandeses. Atualmente, as ruínas fazem parte do Conjunto Tombado da Povoação de Muribeca dos Guararapes.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Jaboatao Redescoberto - O Vídeo

Por James Davidson

Depois de alguns anos meio afastado, retomo agora as atividades dessa página a todo vapor. Mais matérias interessantes sobre Jaboatão serão publicadas aqui com muitas novidades por vir.
Nos últimos 10 anos, porém, tivemos a oportunidade de percorrer diversos recantos do município, registrando os lugares mais bonitos e curiosos, denunciando os problemas existentes e lutando pela preservação do Patrimônio e do Meio Ambiente. Por isso, em homenagem a esse tempo, editei o seguinte vídeo com alguns dos lugares mais interessantes e curiosos do município do Jaboatão dos Guararapes. Obrigado a todos os leitores que acompanham a acompanharam a página durante esse tempo - esse vídeo também é em homenagem a vocês!!! Um forte abraço!!!


terça-feira, 1 de novembro de 2016

O primeiro engenho do Jaboatão

Por James Davidson

Sempre que lemos a história de Jaboatão, especialmente tratando-se dos primeiros engenhos e da fundação de Muribeca, ouve-se falar no Engenho Santo André. Diz a tradição histórica que o Engenho Santo André da Muribeca, levantado por Arnau de holanda, foi o primeiro a ser construído em terras jaboatonenses. Assim diz Pereira da Costa:

"Fevereiro 14 (1568) - Carta de sesmaria passada em Olinda pelo segundo donatário Duarte Coelho de Albuquerque, concedendo a Arnau de Holanda uma data de terra constante de uma légua em quadro, situada em Muribeca, nos limites sul de Jaboatão, mediante o ônus de três porcento sobre o açúcar que fabricasse no engenho a que ficava obrigado a levantar dentro do prazo de três anos da concessão da sesmaria, e de conveniente demarcar suas terras. O concessionário, efetivamente, cumpriu aquela clausula, levantando o Engenho Santo André, assim chamado pela invocação de sua respectiva capela."

Porém, quem andar pelas terras de Muribeca hoje em dia e procurar esse tal engenho Santo André vai ficar pasmado - quase ninguém conhece a existência de um engenho com tal denominação pelas proximidades. Os moradores locais com certeza irão falar dos engenhos Megaype de Cima e de Baixo, Capelinha, Penanduba e outros, mas "Engenho Santo André" quase ninguém conhece.

Por muito tempo pensei que seria impossível encontrar qualquer remanescente da primeira fábrica de engenho jaboatonense. Foi aí que encontrei na internet um artigo do professor José Antônio Gonsalves de Mello intitulado "O Engenho Guararapes e a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres". Nele o autor informa que em meados da década de 1950 chegou a encontrar as ruínas do Engenho Santo André, situadas às margens do Riacho Suassuna, defronte as pedreiras do Engenho Guarany. Cheguei a percorrer varias vezes as margens do referido riacho, desde a usina Jaboatão até o chamado Lote 23, sem sucesso na busca de tais ruínas citadas pelo famoso historiador.


A surpresa foi quando o pesquisador Heraldo Gonsalves, um dos colaboradores deste blog, informou-nos que conhecia as referidas ruínas e sua localização, sem contudo saber sobre o que se tratava. Foi quando então decidimos ir ao local, no ano de 2013, acompanhados do amigo Alexandre Roseno e do professor Carlos Rios. Com ajuda de moradores locais, encontramos as ruínas, justamente às margens do Riacho Suassuna, em área próxima a Lagoa Azul. Tratava-se sem dúvida das ruínas de um engenho, pois encontramos inclusive o espaço onde ficava a roda d'água que movia a fábrica, bem como alicerces, bases e muitas outros resquícios de edificações. 


O local, cercado pelo mato, parecia ter sido abandonado há muito tempo, pois tivemos dificuldades em transitar por ali. A confirmação de que se tratava do Engenho Santo André, além da referência do Riacho Suassuna, veio justamente 1 ano depois quando, consultando as antigas plantas do Arquivo Público Estadual, encontrei um antigo mapa da Freguesia da Muribeca que indicava a localização do Santo André exatamente no local que averiguamos. O mistério de sua localização havia terminado.


Infelizmente, devido a problemas técnicos com a máquina fotográfica, não foi possível evidenciar melhores imagens. Contudo, ter confirmado a existência de ruínas de um Engenho até então só conhecido através de livros foi pra mim muito gratificante. 

domingo, 9 de outubro de 2016

Matriz do Rosário da Muribeca

Por James Davidson


Localizada no Povoado de Muribeca, a Matriz do Rosário foi a primeira igreja da localidade, e também uma das mais antigas do município. Em 1598 já estava elevada à condição de matriz e sede da freguesia da Muribeca, pelo então bispo do Brasil Antônio Barreiros.


Durante o domínio holandês, a igreja foi depredada e ataque pelos invasores que, após incendiarem as casas da localidade, utilizaram o templo como quartel para as suas tropas. Como diz Diogo Lopes Santiago:
"roubaram as igrejas, fazendo de seus ricos ornamentos caparazões de seus cavalos, bebendo pelos cálices sagrados, fazendo em pedaços as imagens de Nossa Senhora e dos Santos que tanto veneramos; derrocaram muitas das nossas igrejas e fizeram de outras estrebarias de cavalos e, dos altares, donde se celebrava o sacrossanto sacrifício da missa, mangedouras; que aonde menos fizeram foi na igreja matriz de Muribeca, a qual tomaram para quartel e, por muito favor, tiraram os moradores as sagradas imagens e, depois, largaram a igreja por muito dinheiro que lhes deram, além de lhes fazerem com dispêndio de sua fazenda quartel aonde estivessem"


A primitiva Matriz do Rosário, porém, consistia numa singela ermida com dimensões bem menores que as atuais. A igreja somente veio adquirir suas presentes proporções no século XVIII. No ano de 1781 o proprietário do Engenho Santo André, Felipe Campelo reconstrói o templo que passou a possuir o tamanho e as características atuais. 



Ao longo dos anos, o templo passou por várias reformas, algumas das quais modificando as características originais. A igreja conta com nave, capela-mor, coro, púlpito, corredores laterais, sacristia, alta-mor e altares laterais. O altares possuem arco pleno e imagens de vários santos católicos, com destaque para Nossa Senhora do Rosário, padroeira do templo, e São Gonçalo, padroeiro da Igreja de São Gonçalo, atualmente em ruínas.


Na fachada Igreja do Rosário da Muribeca ainda se encontram o frontão com curvas e contra-curvas, ladeados por pináculos. As portas e janelas são de madeira emolduradas por cercaduras de pedra. A edificação, de grande volumetria, ganha destaque na rua principal da comunidade e vista de quase todo o redor. Como no passado, ainda é a sede da paróquia e freguesia da Muribeca, que no passado chegou a abranger mais de 20 capelas filiais.



A Matriz do Rosário da Muribeca está inserida no perímetro tombado do Povoado de Muribeca dos Guararapes. Por isso é protegida como bem cultural do Estado de Pernambuco e também do município do Jaboatão dos Guararapes, devendo ser por isso preservada tanto pelo poder público como pelos moradores e demais cidadães jaboatonenses.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Muribeca - Vídeo do Diário de Pernambuco

Por James Davidson

Muribeca dos Guararapes é um dos lugares mais pitorescos do município do Jaboatão dos Guararapes. Fundado no século XVI, possui muitas histórias para serem pesquisadas e contadas. Com suas igreja históricas, seus engenhos e casarios, Muribeca foi o berço de Jaboatão. Por isso, aproveito para divulgar aqui um ótimo vídeo feito pelo Diário de Pernambuco sobre a comunidade, inclusive entrevistando sua moradora mais antiga - D.Clotilde Ribeiro.


domingo, 30 de junho de 2013

Ruínas da Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Muribeca

Por James Davidson



As ruínas da Igreja do Rosário dos Homens Pretos ficam localizadas no Povoado de Muribeca dos Guararapes, município de Jaboatão dos Guararapes. Situada na parte mais baixa do povoado, no extremo sul da Rua da Matriz, a igreja fica no lado oposto à Igreja Matriz do povoado, também sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário. Sua condição de ruínas é um dos aspectos mais característicos e peculiares da localidade.


O povoado de Muribeca data do primeiro século de colonização em Pernambuco – século XVI, sendo um dos principais centros açucareiros da antiga Capitania de Pernambuco. Chegou a possuir cerca de 20 engenhos de cana-de-açúcar, ocasionando uma grande presença de mão de obra escrava africana na localidade. Os escravos africanos, trazidos de diversos lugares do continente africano (Guiné Bissau, Costa da Mina, Benguela, Congo, Cabinda, Angola e Moçambique) possuíam línguas diferentes, costumes diversos e crenças religiosas particulares de cada povo e região. Porém, para sobreviver e resistir à dor do cativeiro e à distância de seus parentes e de sua terra natal, os escravos e negros livres tratavam de se organizar em irmandades religiosas católicas, tais como as irmandades do Rosário dos Homens Pretos.




As irmandades do Rosário dos Homens Pretos eram agremiações religiosas presentes nos lugares onde havia abundância de escravos. Seu objetivo era unir os escravos e os negros livres em sua nova terra, tanto para a ajuda mútua entre seus membros, como para expressar seus anseios por liberdade. As irmandades também representavam uma forma de resistência cultural à escravidão e à dominação do homem branco, pois apesar de seguirem os ritos da religião católica, muitas de suas manifestações eram de origem africana. Entre estas, pode-se citar a presença de danças, batuques, símbolos religiosos e a tradicional coroação do Rei e Rainha do Congo.


A coroação do Rei Congo ou Congada era uma celebração realizada durantes as festas de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que aconteciam no mês de outubro. Neste evento, eram escolhidos, entre os negros presentes, um rei e uma rainha que iriam exercer uma jurisdição simbólica sobre seus súditos. Remetendo a muitos dos mesmos rituais religiosos realizados na África, seguiam em procissão com arqueiros à frente, calungas enfeitadas, símbolos religiosos, com músicas e danças e outras manifestações culturais que dariam origem futuramente ao Maracatu.


Apesar de pobres e dos recursos limitados, e muitas vezes, à despeito de sua condição de escravos, os membros das irmandades do Rosário construíam suas próprias igrejas, se possível, tão ricas e ornamentadas como as construídas pela elite branca. Para isso, trabalhavam arduamente produzindo objetos para serem comercializados, cujas rendas eram remetidas às obras, como também pelo serviço voluntário e aquisição de esmolas. Sobre isso, assim nos fala o Padre Loreto Couto: “Os homens pretos, e captivos se mostrão tão affectuosos amor e serviço da May de Deos, a Senhora do Rosario, que elles mesmos ainda que pobres, se lhes resolverão a fundar huma fermosa Igreja, em que são elles os fundadores e administradores.” Sobre as missas realizadas nas igrejas do Rosário ainda diz o mesmo autor: “Todos os dias do anno sem que os estorve algum acontecimento catão o terço com ladainha. Nos sabbados cantão a canto de órgão a ladainha as sinco horas da tarde, e as sete da noite o terço.” Sobre a Festa de Nossa Senhora do Rosário ainda diz:” Na segunda dominga de outubro festejam a Senhora com grande solemnidade e para mayor fervor de sua devoção, formão danças, e outros lícitos divertimentos, com que devotamente alegrão o povo.”


Não se conhece a data exata de construção da Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Muribeca, porém provavelmente é do início do século XVIII. A primeira referência sobre sua existência é do ano de 1774, quando é citada na Idéia da População da Capitania de Pernambuco, onde o templo aparece ao lado da Igreja de São Gonçalo e da Matriz do Rosário. Em 1821, é citada por James Henderson em sua obra “A History of Brazil” como sendo uma ermida de mesmo nome da Igreja Matriz. Também é citada sua existência em 1863 por Manuel Honorato em seu dicionário sobre a Província de Pernambuco. A partir do final do século XIX, não há referências sobre o templo, como também não se conhece quando nem por quê entrou em decadência e abandono até ficar em ruínas.


No ano de 1954, durante as comemorações do 300° aniversário da Restauração Pernambucana, foi celebrada uma missa na Igreja do Rosário dos Pretos de Muribeca. A cerimônia foi conduzida pelo padre da Paróquia de Jaboatão Aurino Caracciolo e o evento contou com a presença de políticos como o prefeito Humberto Barradas e senador Jarbas Maranhão. O templo já se encontrava no estado de ruínas na ocasião.



A Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Muribeca encontra-se em processo de tombamento a nível estadual pela FUNDARPE, assim como o Povoado de Muribeca dos Guararapes. Também está tombada a nível municipal pela prefeitura de Jaboatão dos Guararapes.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Engenho Extintos de Jaboatão dos Guararapes

Por James Davidson

O município de Jaboatão dos Guararapes já chegou a ter 45 engenhos, isso excluindo da contagem aqueles que hoje pertencem ao município do Moreno. Apesar disso, são poucos os remanescentes que podemos encontrar destas antigas fazendas de açúcar que foram, por cerca de 400 anos, a principal atividade econômica do município. Alguns poucos ainda conservam alguma estrutura do antigo engenho, como a casa-grande, a senzala, a fábrica ou a capela. Alguns possuem apenas as casas de moradores. Outros mantém alguns desses elementos descaracterizados e alterados e, há ainda aqueles que mantém somente as ruínas, vestígios que indicam que ali existiu um engenho.

Casa grande do Engenho Megaype de Baixo

 Mas há aqueles casos em que nada praticamente sobrou à primeira vista do antigo engenho. É o caso dos engenhos Megaype de Baixo, Salgadinho, Capelinha, Cavaleiro, Engenho Velho, Conceição, São Salvador, Camassari e Santo Amarinho. São engenhos que podemos considerar extintos, pois nada é possível encontrar a primeira vista nos locais (exceto que escavações arqueológicas sejam feitas comprovando o contrário). As causas da destruição completa desses engenhos são variadas e serão avaliadas a seguir.

Local onde ficava o antigo Engenho Cavalheiro (Cavaleiro)

Alguns engenhos desapareceram como consequência da expansão urbana dos bairros da cidade. Foi o que aconteceu com os engenhos Cavalheiro (Cavaleiro), Santo Amarinho e Velho. O primeiro ficava situado onde hoje está a Praça de Cavaleiro, no entorno das ruas Severino Varejão e Padre Nóbrega. Já o Engenho Santo Amarinho ficava onde está localizado os atuais bairros do Curado II, III e IV, e existia até a construção desses loteamentos, no final da década de 1970 (A escola Cecília Brandão foi construída nessa época, quando ainda era engenho). O Engenho Velho deu origem ao bairro de mesmo nome, quando suas terras foram loteadas. Sua casa-grande ficava no chamado Alto da Viscondessa e existiu até meados da década de 1970, quando  foi destruída para a construção da Vila da Cepasa.

Antiga casa-grande do Engenho Velho -"Casa da Viscondessa"

Outros engenhos foram destruídos pela expansão dos canaviais das usinas. É prática comum de algumas usinas de cana-de-açúcar expulsar todos os moradores, destruir todos os edifícios para ter mais área para plantar. Constitui um verdadeiro absurdo sob o ponto de vista social, pois esvazia a zona rural cada vez mais e esses antigos moradores são forçados a viver sob condições adversas nas cidades, e patrimonial, pois muitas vezes a história também é destruída nesse processo. O Engenho Salgadinho é um exemplo. Nada mais resta do antigo engenho, nem mesmo as casas dos moradores é possível encontrar no local, pois foi destruído para a expansão dos canaviais da Usina Bom Jesus. Já o Engenho Capelinha parece ter desaparecido em processo semelhante.

Local do antigo Engenho Salgadinho - apenas canaviais

Outros engenhos sumiram por outros motivos. O Engenho Camassari (ou Camassary) desapareceu na década de 1970, submergido pela Represa de Duas Unas. O Engenho Megaype de Baixo teve sua casa-grande destruída em 1928, mas suas ruínas eram visíveis até pouco tempo quando foram completamente destruídas por uma rodovia (ver matéria no blog). Já no caso dos engenhos Conceição e São Salvador, suas causas constituem ainda um enigma.

Local onde ficavam as ruínas do Engenho Megaype de Baixo

Esses são os Engenhos extintos de Jaboatão dos Guararapes.

sábado, 28 de abril de 2012

Engenho São Bartolomeu

Por James Davidson



Casa-grande de São Bartolomeu,
Tão antiga e tão amada,
Tanta história tú guardavas,
Mas hoje não mais existes.

Que fizeram com a casa
Tão bonita e tão antiga,
Memórias das famílias
Que um dia a possuíram?


Que fizeram com a casa
Dos tempos imperiais
Num engenho colonial
Que por isso se tornou grande?


Aquele antiga casa
Muita histórias nos contava
Mas São Bartolomeu não espera
O que lhe aconteceu.

Dos judeus e holandeses
Que ali sobreviveram
Portugueses e africanos
Escravos e senhores


Memórias tu guardavas
Quanta história tu contava?
E apesar de tão amada
Te fizeram perecer.

Hoje não mais existes
Mas teu nome sobrevive
Tua lembrança então persiste
Em nossos corações



Como um ícone da luta
Em defesa do passado
De um lugar abandonado
Que é Jaboatão!

Rio Jaboatão - Poema de James Davidson

 Por James Davidson Jaboatão, Em tuas nascentes Fico eu a contemplar Água limpa Água Pura Difícil de imaginar!   Jaboatão Em...