quinta-feira, 30 de junho de 2011

Nascente do Rio Jaboatão

Por James Davidson


No último dia 11/06, tive a feliz oportunidade de conhecer a nascente do Rio Jaboatão, em Vitória de Santo Antão. Através do amigo Heraldo, leitor e colaborador do blog, visitei a nascente que fica na propriedade do Sr. Manoel Ribeiro, divisa de Pacas com Arandú de Cima. Neste ponto, o Rio Jaboatão inicia sua jornada como um simples riacho de águas cristalinas que brota de uma cacimba, percorrendo em seguida cerca de 75 km, até finalmente encontrar-se com o Oceano Atlântico, como foi mostrado na matéria anterior.


Às margens da estrada existe um marco indicando o exato local. Este marco tem os seguintes dizeres: "Aqui nasce o Rio Jaboatão/Iniciativa: Instituto Histórico de Jaboatão/Apoio: Prefeitura Municipal de Jaboatão 1985". Este foi colocado pelo pesquisador do IHJ Orlando Breno, que descobruiu o exato local onde o rio nascia. Orlando Breno faleceu em 1997, mas deixou como legado a descoberta da nascente registrada em detalhes no seu livro "Jaboatão, sua terra sua gente"como um grito pela necessidade de proteger o rio.




A água da nascente do Rio Jaboatão brota de uma cacimba e de outros olhos d'água que emergem do local. O rio surge como um tímido riacho, mas ao seguir o seu caminho vai aumentando o volume de suas águas e o tamanho de seu leito, à medida que recebe a água de outros riachos. Eis os engenhos e localidades que o Rio Jaboatão atravessa até chegar no oceano - Engenhos Pacas, Pedreiras, São Francisco, Genipapo, Jaboatãozinho, Taquary, Laranjeiras, Jussara, Jaboatão, Pintos, Pereiras, Morenos - aí entra na cidade de Moreno - Catende, - deixa a cidade de Moreno - Bom dia, Caxito, Bulhões, - entra em Jaboatão - Engenho Velho, Socorro, Santana, Guarany, Recreio, Usina Muribeca, Engenho Novo da Muribeca, São Bartolomeu, Comportas, Megaype de Baixo, Pontezinha e Barra de Jangadas.



A água do Rio Jaboatão, retirada da fonte é limpa, bastante diferente da que vai ser encontrada mais adiante. Nesta região, o rio abastece as pequenas propriedades rurais que ali existem. A nascente fica localizada na encosta de uma vertente, um morro que serve de divisor de águas para três bacias hidrográficas, por onde passa a estrada. A leste, as águas correm pra a bacia do Rio Jaboatão, a sul para a sub-bacia do Riacho Arandu, bacia do Rio Pirapama, e a oeste as águas fluem para o Riacho Pacas, afluente do Rio Natuba, bacia do Tapacurá (Capibaribe).


A nascente do Rio Jaboatão fica localizada a 386 metros de altitude, quase 400 metros acima do nível do mar. Coordenadas geográficas da nascente: 8° 10' 32,25'' Lat S e 35° 11' 45,72" Long O. O local é bonito e contamos com a calorosa recepção do Sr. Salatiel, filho do proprietário, a quem agradecemos pela gentil acolhida.


A nascente do Rio Jaboatão é mais um local que precisa ser melhor conhecido e preservado, para que pelo menos em algum local da bacia ainda permaneça existindo água limpa e potável, em contraste com os demais trechos do rio.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Foz do Rio Jaboatão

Por James Davidson


A foz do Rio Jaboatão fica localizada na Praia de Barra de Jangadas, entre os municípios de Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho. Depois de percorrer cerca de 75 quilômetros desde a sua nascente, em Vitória de Santo Antão, o Rio Jaboatão deságua no Oceano Atlântico, numa foz conjunta com o Rio Pirapama.


A foz do Rio Jaboatão é do tipo estuário, ou seja, encontra-se com o oceano livremente sem formar ilhas ou canais. Lembrando que a denominada Ilha dos Amores, apesar do nome, não constitui uma ilha, mas uma restinga, pois está ligada à Praia do Paiva, no município do Cabo. Por conta dos impactos ambientais das ações humanas e das dinâmicas litorâneas,  a foz do Jaboatão têm sofrido significativas alterações, como a erosão marinha em alguns trechos e o assoreamento em outros. Culpa das ações mal planejadas do ser humano na costa e também no interior da bacia hidrográfica.



Seguindo em direção sul, é sutil a diferença entre as praias marinha e  fluvial. Aos poucos, a areia vai ficando mais densa até transformar-se em lama, á medida que subimos o rio. Forma-se assim, um imenso e belo manguezal que se estende por quilômetros para o interior, até onde a influência das águas salobras e da maré podem alcançar. A água do rio é aparentemente tranquila e com pouca correnteza.



Na margem direita do rio, formada pela restinga que separa este do oceano, trechos de mangues formados por pequenas camboas que penetram na Ilha dos Amores alternam-se com os coqueiros. Já na margem esquerda é a vegetação de restinga que domina, cedendo lugar ao mangue à medida que subimos o rio, como também nas margens das camboas e do Canal Olho D'água. Neste trecho, algumas pessoas tomam banho no local, ignorando a poluição das águas do Rio Jaboatão e as fêmeas do tubarão cabeça-chata que se reproduzem no estuário.



Mais adiante, encontra-se a desembocadura do Canal Olho D'água no Rio Jaboatão. Este canal atravessa Curcuranas até encontrar-se com a Lagoa Olho D'água. Suas águas estão muito contaminadas, como atesta sua coloração esverdeada decorrente da ação de bactérias que se proliferam onde se despejam esgotos sanitários. Apesar disso, muitas crianças tomavam banho no local, bem abaixo da nova ponte construída sobre o canal. 


 


O mangue que margeia o Canal Olho D'água estende-se por quilômetros pelo interior. Porém encontra-se bastante ameaçado pela poluição e pelas atividades humanas.



Mais adiante, a polêmica ponte do Paiva. Construída recentemente pelo governo do estado, constitui uma forma de agilizar o acesso à Praia do Paiva e ao luxuoso condomínio que lá foi construído, sendo necessário para isso pagar um pedágio. A vista da ponte é linda, mas seu principal ponto negativo é que está atraindo uma forte especulação para o local que está ameaçando o frágil ecossistema da região.



Mais adiante, no meio do mangue, o resultado da poluição sofrida pelo rio ao longo de seu caminho até a foz: lixo! Muitos pedaços de isopor, copos descartáveis, plásticos, pets e outros materiais de difícil decomposição ficam acumulados nas margens e entre as raízes do mangue. Quem acredita que o lixo desaparece ao jogá-lo no rio está muito engando!


Logo em seguida, o encontro das águas local: o encontro do Rio Pirapama com o Rio Jaboatão. O primeiro vem do sul, oriundo do Cabo de Santo Agostinho, enquanto o segundo vem do oeste, marcando o limite entre os dois municípios. O local é frequentado por lanchas que visitam ambos os rios, levando turistas e visitantes ás belezas da região. Canoas e barcos de pescadores também podem ser avistados.




Próximo dali, em algum lugar ainda incerto, existiu a antiga Igreja de Santo Antônio da Barra, anterior ao período holandês. Procurei pela região e encontrei alguns possíveis locais onde ficavam, até recentemente, as ruínas dessa igreja, mas não consegui através dos moradores locais nenhuma confirmação conclusiva. Espero obter mais informações a esse respeito para saber quais dos dois locais indicados ficava a igreja.


Por fim, a região do estuário do Rio Jaboatão é um importante santuário ecológico que precisa ser preservado. Além de contar com um vasto manguezal, é um dos poucos trechos do município que preserva a antiga vegetação de restinga, outrora abundante em nossos litorais. Contudo, a especulação imobiliária da localidade, decorrente da Ponte do Paiva, já está afetando e comprometendo esses ambientes frágeis e que merecem ser mantidos para as gerações futuras.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

História de Cavaleiro

Por James Davidson



A história de Cavaleiro é uma matéria que há muito tempo tenho vontade de escrever. Alguns leitores já a tinham requerido, mas as dificuldades em encontrar fontes a este respeito prorrogaram esta postagem por um bom tempo. Ainda restam muitas dúvidas a serem esclarecidas, mas espero que esta postagem venha quitar a minha dívida com os cavaleirenses.

A história de Cavaleiro está relacionada aos antigos Engenhos Cavalheiro e Jangadinha. Além destes, existiam outros engenhos na região, como o Santana e o Sítio Sucupira Torta (em Sucupira), os engenhos Cumbe, Santo Amarinho, São Francisco e Cova de Onça (no atual bairro do Curado) e o Engenho Peres em Tejipió. Todos esses engenhos pertenciam à Freguesia da Várzea e já existiam desde meados do século XIX.

A sede do Engenho Jangadinha ficava situada onde funcionava a antiga FEBEM. Este engenho pertencia a Francisco Casado da Fonseca, conforme escritura de arrendamento datada de 23 de março de 1881. No começo do século XX, pertenceu ao prefeito de Jaboatão Francisco Brandão Cavalcanti e depois foi vendido para virar o atual abrigo. Depois a sede da Granja Jangadinha virou escola, que veio a ser transformada anos mais tarde em FEBEM. Já o Engenho Cavalheiro, ora aparece como propriedade anexa do Engenho Jangadinha, ora aparece como propriedade independente, durante o decorrer das últimas décadas do século XIX. Segundo as antigas escrituras, este engenho ou sítio, como às vezes também é referido, ficava ao sul do Engenho Jangadinha, separado deste pelo "Riacho Cavalheiro". A sede deste engenho ficava às margens do Córrego que atravessa atualmente o bairro de Cavaleiro, próximo ao Banco do Brasil.

Uma coisa interessante é que a localidade chamava-se inicialmente "Cavalheiro". Porém, por conta da semelhança com a palavra "Cavaleiro", a população passou a utilizar este último termo para denominar o local, por corruptela.

Ainda no século XIX, em 1859, os engenhos Jangadinha e Cavalheiro receberam a visita do Imperador D.Pedro II, em sua passagem por Jaboatão. Estando ali, quis ver um boqueirão existente entre algumas colinas e viu ruínas em terras do Engenho Jangadinha.

Mas a localidade só veio a crescer e torna-se povoada a partir da expansão do bairro de Tejipió e Coqueiral, no começo do século XX. Segundo Van-Hoeven Veloso, autor de Jaboatão dos meus avós, um homem simples e sem estudo, Teófilo Pereira de Lima é considerado o fundador de Cavaleiro. Com o apoio de José Liberato Fonseca Lima, ajudou a construir a Feira de Cavaleiro, em 4/02/1935. Funcionava inicialmente na Rua Siqueira Campos e, posteriormente, foi transferida para a Praça Samuel Campelo.

O Mercado Público foi erguido em 1943, sofrendo várias reformas posteriores. A Igreja de N.S. de Lourdes é de 1958, sendo que algumas igrejas evangélicas de Cavaleiro são bem mais antigas que ela. Cavaleiro destaca-se por ter uma percentagem de evangélicos de cerva de 30%, a maior entre os distritos. O Abrigo Cristo Redentor foi fundado em 1938, e o açude Jangadinha teve a água canalizada para abastecimento em 1945.

O povoado de Cavaleiro foi elevado à condição de distrito, em 16 de dezembro de 1948. Em 20/12/1963 Cavaleiro chegou a ser elevado à condição de município, mas o decreto foi anulado logo em seguida. Outros projetos de emancipação já foram propostos posteriormente, mas a criação de novos municípios no estado enfrenta sérias dificuldades, principalmente por causa da inviabilidade econômica das mesmas. Além disso, as propostas de emancipação de ditritos e estados novos são algumas vezes encabeçadas não pela população da localidade, mas por políticos interessados apenas na criação de novos cargos públicos para ocupar.

Cavaleiro conta hoje com uma população com mais de 100 mil habitantes, um forte e movimentado comércio, intensa vida cultural e política e estações de metrô que facilitam a comunicação com  Recife e com Jaboatão Centro. Nenhuma semelhança com os tempos em que a produção do açúcar, o fausto dos senhores de engenho e o trabalho árduo dos escravos dominavam a localidade!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Cidade de Moreno

Por James Davidson




A cidade de Moreno possui muitos lugares interessantes e de valor histórico. Um simples passeio pelo centro pode revelar uma riqueza de informações e de histórias que um olhar desatento não consegue perceber. Vários pequenos roteiros podem ser feitos. Então vamos lá!


Nosso passeio começa pelo ponto onde a cidade nasceu: o Engenho Catende. O Engenho Catende era o antigo Engenho Nossa Senhora da Conceição que aparece nos documentos do período holandês. Situado às margens do Rio Jaboatão, também aparece na cartografia holandesa com esse nome, nos mapas de Vingboons e Marcgraf. É, portanto, um dos engenhos mais antigos do município. Sua casa-grande centenária, apesar de menos opulenta e conhecida que a do Engenho Morenos, ainda encontra-se preservada, sendo conhecida pela população como o "Casarão". Chegou a ficar abandonada por um tempo mas foi restaurada pela prefeitura que a utiliza hoje para eventos.


Um pouco mais adiante, na avenida, encontra-se a Matriz de Nossa Senhora Conceição. Apesar de muito bonita e vistosa, ela não é muito antiga pois foi construída em 1930. Perto dela, onde hoje encotra-se o Colégio Dom Jaime, existia um templo mais antigo - A Igreja de São Sebatião, que tinha sido erguida em 1745, pelo capitão de ordenanças Domingos Bezerra Cavalcanti, e foi destruída em 1973. A matriz hoje conta com uma gruta e um jardim.


Em frente à matriz, encontra-se a fábrica fechada do Cotonifício Moreno. Esta fábrica foi fundada em 1910, com o nome de Societè Cotonniere Belge-brasiliense, por empresários belgas e foi de extrema importância para o desenvolvimento da cidade. Como na época Catende era apenas um engenho, foi o Cotonifício que foi responsável pelo crescimento populacional e econômico da localidade pois empregou muita gente, inclusive trazendo operários de Paulista e de Camaragibe. Hoje, apesar de fechada, conserva boa parte de sua estrutura.


A Vila Operária do Cotonifício Moreno é outro ponto histórico. Situada nas ruas que ficam atrás do Cotonifício, caracteriza-se por ser um conjunto de casas conjugadas que foram construídas para abrigar as famílias dos operários da fábrica. De construção contemporânea ao Cotonifício, é uma das vilas operárias mais bem conservadas do estado de Pernambuco, mesmo sem ser tombada, apesar de já existirem algumas casas descaracterizadas.


Descendo novamente para avenida, encontramos outros pontos de destaque. O prédio da prefeitura foi construído após a emancipação politica de 1928. Notar a semelhança com o antigo Teatro Municipal de Jaboatão, erguido em 1911.


O prédio do antigo cinema de Moreno só funciona o primeiro pavimento. Os outros estão em ruína. Mais adiante, o Mercado Público Municipal, construído em 1922, quando a cidade ainda era distrito de Jaboatão.




A Estação Ferrroviária de Moreno é outro edifício que se destaca. Construída em 1885 pela Great Western, fazia parte da Linha de Ferro Central de Pernambuco que ligava o Recife ao interior. É um importante marco histórico do município, pois foi responsável por facilitar o transporte de produtos e mercadorias, contribuindo também para a implantação do Cotonifício, que tanto desenvolveu a cidade. Apesar de sua grande importancia, o prédio encontra-se abandonado, embora em melhores condições que outras estações igualmente abandonadas, como a de Jaboatão. Assim como o Engenho Morenos, é um dos únicos bens em processo de tombamento pela FUNDARPE dentro do município.




Para finalizar: a Cidade de Moreno também tem muita história pra contar!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Os prefeitos de Jaboatão

Por James Davidson



Atendendo ao pedido de Jessé Vieira, de Cajueiro Seco, leitor do blog, decidi fazer uma matéria com os nomes de todos os prefeitos de Jaboatão, já que esta informação não se encontra em nenhum material na internet, nem mesmo na página da Prefeitura. Procurando em livros, como Jaboatão dos meus avós e Jaboatão sua terra sua gente, é possível encontrar os nomes e mandatos dos primeiros prefeitos e suas realizações, até a década de 1980. A partir daí, é preciso buscar em jornais e na memórias as informações mais recentes. Uma outra referência é o livro Jaboatão 411 anos de Adriano Marcena.

 É importante levar em consideração que nem sempre os mandatos duravam quatro anos (houve épocas em que estes eram de cinco anos e em alguns casos podiam ser prorrogados) e muitas vezes o cargo era ocupado por interinos que assumiam por pouco tempo. Além disso, por causa das flutuações da política nacional e estadual, havia muitas intervenções e deposições, como na época da ditadura de Vargas e da ditadura militar. Jaboatão é um dos municípios que mais intervenções sofreu em Pernambuco, sendo o prefeito Fagundes de Menezes sofrido duas, nos três mandatos que exerceu!

Apesar de quase 500 anos de existência, Jaboatão só veio a ser elevado a categoria de município em 24 de maio de 1873. Mas, de acordo com a lei da época, apenas a Câmara de vereadores passou a funcionar, pois o poder executivo do município só passou a existir após a proclamação da República, em 13 de novembro de 1892. Logo, a Câmara de Jaboatão é mais antiga que a prefeitura. Eis a lista a seguir:

Cel. Joaquim Xavier Carneiro de Lacerda (1892-1895) - Primeiro prefeito e dono do Engenho Bulhões.
Manuel Xavier Carneiro de Albuquerquerque (1895-1898) - Proprietário do Engenho Palmeiras
Cel. Joaquim Maximiano Pereira Viana (1898-1901) - Proprietário do Engenho Pereiras
Dr. Joaquim Carneiro Nobre de Lacerda (1901-1904) - Proprietário do Engenho Santana
Antonio de Souza Leão (1904-1907) - Dono do Engenho Morenos e filho do Barão homônimo.
João de Souza Leão (1907-1910) - Dono do Engenho Tapera em Bonança.
De 1910 a 1913, devido às tensões na política estadual, cinco prefeitos governaram: Joaquim Nobre de Lacerda, José Mariano Carneiro Leão, Sivério Batista Magalhães, Luis Gonzaga Maranhão e Praxedes Brederodes Costa.
Fábio Carneiro de Albuquerque Maranhão (1913-1916) - Dono do Engenho Novo da Muribeca.
Carlos Alberto Paes Barreto (1916-1919) - Era advogado e faleceu no último ano do mandato.
Arnaldo Xavier Carneiro de Albuquerque (1919-1922) - Dono do Engenho Palmeiras e sócio da Usina Muribeca. Construiu o 1° prédio da prefeitura abaixo.



Francisco Antônio Brandão Cavalcanti (1922-1926) - Proprietário do Engenho Jangadinha.
Fabio Albuquerque Maranhão (1926-1930) - Prefeito pela segunda vez
Entre 1930 e 1934 governaram os prefeitos-interventores: Antonio de Paula Carneiro da Cunha e Epitácio de Oliveira Belém.
Epitácio de Oliveira Belém (1934-1937) - Governou de novo desta vez eleito.
De 1937 a 1947, época do estado Novo, foram nomeados os seguintes prefeitos: Luís Gonzaga Maranhão, Carlos Barboza da Paz Portela, Davino Ribeiro de Sena, José Carneiro de Barros, Evandro Luís Neto, Dr. Clóvis Wanderley e o Dr. Aníbal Varejão.
Dr. Manoel Rodrigues Calheiros (1947-1951)- Considerado o primeiro prefeito comunista do Brasil
Humberto Lins Barradas (1951-1955) - Dono do Engenho Megaype de Cima em Muribeca.
Dr. Aníbal Varejão (1955-1959) - Derrubou o predio da prefeitura construindo outro no lugar e acusado de matar o Dr. Luís Regueira.
Humberto Lins Barradas (1959-1963) - prefeito pela segunda vez.
Vicente Alberto Carício (1963-1968) - Teve o mandato prorrogado por mais um ano.
José Fagundes de Menezes (1968-1973) - Governou apenas 3 meses pois foi cassado pelo AI5. Assumui em seu lugar o interventor General Heitor de Melo Machado.
Severino Claudino da Silva (1973-1977) - Era comerciante.
Geraldo José de Almeida Melo (1977-1982) - também era comerciante.
José Fagundes de Menezes (1983-1988) - sofreu mais uma intervenção no final do mandato assumindo o interventor Marcos Vasconcelos.
Geraldo José de Almeida Melo (1989-1993) - assumiu o governo pela segunda vez
José Humberto Lacerda Barradas (1993-1997) - Filho do ex-prefeito homônimo.
Newton D'Emery Carneiro (1997-2000) - Sofreu uma intervenção em 1999 assumindo o interventor Byron Sarinho e, posteriormente o vice Fernando Rodovalho.
Fernando Antônio Rodovalho (2001-2004) - Era o vice de Newton que ganhou a eleição seguinte.
Newton D'Emery Carneiro (2005-2008) - assume novamente e quase sofre outra intervenção no fim do mandato.
Elias Gomes da Silva (2009-2012 e 2013-2016) - É o atual prefeito com mandato até 2016. Elias Gomes foi o único prefeito eleito a exercer dois mandatos consecutivos em Jaboatão.
Anderson Ferreira (2017-2020) - Eleito em 2016, irá comandar a cidade a partir de 2017 com mandato previsto até 2020.


Posse de Elias Gomes em 2009.

Analisando esta percebe-se que a maioria dos primeiros prefeitos eram donos de engenho. Reflexo da política dos coronéis que reinava até então. Uma outra observação importante é a quantidade de intervenções, em sua maioria fruto de golpes em escalas nacional e estadual. Uma outra coisa interessante é que, exceto o atual prefeito Elias Gomes, nenhum prefeito conseguiu reeleger-se por dois mandatos consecutivos. São marcas típicas que a política conturbada de Jaboatão deixou na história.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Relevo de Jaboatão dos Guararapes

Por James Davidson


O relevo é um dos aspectos ambientais mais importantes da paisagem de qualquer município. Além de influenciar na configuração urbana e no processo de formação do território é um dos componentes que mais influenciam o meio ambiente. Por isso, sua melhor compreensão é necessária para um manejo sustentável e adequado do solo.



O relevo de Jaboatão dos Guararapes pode ser dividido em três grandes domínios principais a saber: terraços marinhos, planície litorânea e morros/colinas. Todos estes domínios foram formados ao longo de milhares e milhões de anos tendo como principais fatores determinantes a litologia, as atividades tectônicas e o clima do município.


O domínio dos morros, montes e colinas abrange a maior parte do território municipal (cerca de 70%) predominando no norte, oeste e sudeste do município. São topografias de altitudes variadas sendo o ponto mais alto a Serra da Macambira, com aproximadamente 255m de altitude. Esses morros e colinas foram desenvolvidos em sua maior parte sobre rochas cristalinas e metamórficas, que dominam a maior parte do município, sofrendo com o intemperismo resultante do clima quente e úmido da região. Apenas uma pequena parte desse domínio foi desenvolvido sobre as rochas da Formação Barreiras (3 a 5%), como é o caso dos Montes Guararapes e dos morros limítrofes ao município do Recife. A ocupação irregular e desordenada desses espaços ocasiona muitas as vezes as chamadas "quedas de barreiras" trazendo prejuízos para a população. 


O domínio de Planície inclui formas como as pequenas planícies fluviais, planície fluvio-lacustre e formas marinhas. Constituem áreas de topografias planas e de baixa altitude. As planícies fluviais são áreas baixas mais conhecidas como várzeas, situadas às margens dos rios e riachos, geralmente localizadas entre os morros e colinas, mas também presentes em outros domínios. Destaque para a planície fluvial do Rio Jaboatão que forma alguns terraços fluviais em alguns trechos e que está descaracterizadas em outros por causa da exploração de areia.



A planície fluvio-lacustre abrange uma enorme região em torno da Lagoa Olho D´água e do baixo Rio Jaboatão. Constitui a maior parte de toda a planície do Distrito de Prazeres e foi formada durante a última transgressão marinha do Holoceno, quando houve o afogamento da região, gerando corpos lagunares como a Lagoa Olho D´água. Já as formações marinhas incluem a estreita faixa de areia na borda da praia sob a ação constante das ondas e marés.


Os terraços marinhos constituem formas de altitudes moderadas (entre 2 a 8 metros) cuja origem está relacionada com a oscilação do nível do oceano ao longo do Quaternário. Dois terraços destacam-se dentro do território de Jaboatão dos Guararapes. O primeiro, chamado de terraço marinho superior, tem entre 8 e 10 metros de altitude e teve origem durante o Pleistoceno, após a penúltima transgresão marinha há cerca de 120.000 anos atrás. Estão bastante descaracterizados atualmente devido à exploração de areia, mas ainda podem ser vistos em torno da linha férrea do Cabo-Curado, em Prazeres. O segundo terraço, com altitudes menores (cerca de 3 a 5 metros), chamado de terraço inferior, situa-se paralelo ao litoral e a pouca distância da praia. Originou-se após a última regressão marinha que sucedeu à ultima transgressão, ainda no Holoceno. Podem ser facilmente identificados pelas pequenas elevações que antecedem a praia nos bairros de Piedade ou Candeias. Estão atualmente bastante ocupados com edifícios e residências, mas sofrem com o processo de avanço do mar que resulta em erosão.


A compreensão do relevo e de suas formas é fundamental para um melhor planejamento do espaço municipal e dos riscos e potenciais que cada unidade oferece para a ocupação adequada do território.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Moreno Redescoberto - o novo blog da região!

Por James Davidson



Depois de quatro anos de sucesso do Jaboatão dos Guararapes Redescoberto, onde tive a rica e feliz oportunidade de postar várias coisas sobre o município de Jaboatão dos Guararapes e de entrar em contato com várias pessoas que tinham as mesmas preocupações que eu: preservação do patrimônio, preservação do meio ambiente, memória, cultura, valorização de nossa identidade, ecologia, turismo, história, geografia, etc... decidi criar agora um blog com o mesmo estilo e perfil sobre o município de Moreno. Há muito tempo que tenho este desejo, mas as dificuldades e preocupações(principalmente a falta de tempo) eram obstáculos que adiaram esta minha decisão. Mas com o meu ingresso na rede de ensino de Moreno, a necessidade de realizar um trabalho semelhante tornou-se mais urgente e não pude resistir a atração de usar o blog como um instrumento pedagógico e de divulgação. Por isso, apesar de não ser morenense e de não residir nesta cidade, o Moreno Redescoberto vem com a missão de repetir o sucesso do Jaboatão Redescoberto na terra de Baltasar. Afinal, Moreno é a cidade natal de meu pai e onde venho exercendo a sofrida, mas nobre função de lecionar. Agora, no ritmo de uma postagem por mês estarei também publicando matérias interessantes sobre a geografia, a história e a cultura de Moreno.


Para acessar o blog: http://www.morenoredescoberto.blogspot.com/

Boa leitura!

Rio Jaboatão - Poema de James Davidson

 Por James Davidson Jaboatão, Em tuas nascentes Fico eu a contemplar Água limpa Água Pura Difícil de imaginar!   Jaboatão Em...