sexta-feira, 27 de maio de 2011

História de Cavaleiro

Por James Davidson



A história de Cavaleiro é uma matéria que há muito tempo tenho vontade de escrever. Alguns leitores já a tinham requerido, mas as dificuldades em encontrar fontes a este respeito prorrogaram esta postagem por um bom tempo. Ainda restam muitas dúvidas a serem esclarecidas, mas espero que esta postagem venha quitar a minha dívida com os cavaleirenses.

A história de Cavaleiro está relacionada aos antigos Engenhos Cavalheiro e Jangadinha. Além destes, existiam outros engenhos na região, como o Santana e o Sítio Sucupira Torta (em Sucupira), os engenhos Cumbe, Santo Amarinho, São Francisco e Cova de Onça (no atual bairro do Curado) e o Engenho Peres em Tejipió. Todos esses engenhos pertenciam à Freguesia da Várzea e já existiam desde meados do século XIX.

A sede do Engenho Jangadinha ficava situada onde funcionava a antiga FEBEM. Este engenho pertencia a Francisco Casado da Fonseca, conforme escritura de arrendamento datada de 23 de março de 1881. No começo do século XX, pertenceu ao prefeito de Jaboatão Francisco Brandão Cavalcanti e depois foi vendido para virar o atual abrigo. Depois a sede da Granja Jangadinha virou escola, que veio a ser transformada anos mais tarde em FEBEM. Já o Engenho Cavalheiro, ora aparece como propriedade anexa do Engenho Jangadinha, ora aparece como propriedade independente, durante o decorrer das últimas décadas do século XIX. Segundo as antigas escrituras, este engenho ou sítio, como às vezes também é referido, ficava ao sul do Engenho Jangadinha, separado deste pelo "Riacho Cavalheiro". A sede deste engenho ficava às margens do Córrego que atravessa atualmente o bairro de Cavaleiro, próximo ao Banco do Brasil.

Uma coisa interessante é que a localidade chamava-se inicialmente "Cavalheiro". Porém, por conta da semelhança com a palavra "Cavaleiro", a população passou a utilizar este último termo para denominar o local, por corruptela.

Ainda no século XIX, em 1859, os engenhos Jangadinha e Cavalheiro receberam a visita do Imperador D.Pedro II, em sua passagem por Jaboatão. Estando ali, quis ver um boqueirão existente entre algumas colinas e viu ruínas em terras do Engenho Jangadinha.

Mas a localidade só veio a crescer e torna-se povoada a partir da expansão do bairro de Tejipió e Coqueiral, no começo do século XX. Segundo Van-Hoeven Veloso, autor de Jaboatão dos meus avós, um homem simples e sem estudo, Teófilo Pereira de Lima é considerado o fundador de Cavaleiro. Com o apoio de José Liberato Fonseca Lima, ajudou a construir a Feira de Cavaleiro, em 4/02/1935. Funcionava inicialmente na Rua Siqueira Campos e, posteriormente, foi transferida para a Praça Samuel Campelo.

O Mercado Público foi erguido em 1943, sofrendo várias reformas posteriores. A Igreja de N.S. de Lourdes é de 1958, sendo que algumas igrejas evangélicas de Cavaleiro são bem mais antigas que ela. Cavaleiro destaca-se por ter uma percentagem de evangélicos de cerva de 30%, a maior entre os distritos. O Abrigo Cristo Redentor foi fundado em 1938, e o açude Jangadinha teve a água canalizada para abastecimento em 1945.

O povoado de Cavaleiro foi elevado à condição de distrito, em 16 de dezembro de 1948. Em 20/12/1963 Cavaleiro chegou a ser elevado à condição de município, mas o decreto foi anulado logo em seguida. Outros projetos de emancipação já foram propostos posteriormente, mas a criação de novos municípios no estado enfrenta sérias dificuldades, principalmente por causa da inviabilidade econômica das mesmas. Além disso, as propostas de emancipação de ditritos e estados novos são algumas vezes encabeçadas não pela população da localidade, mas por políticos interessados apenas na criação de novos cargos públicos para ocupar.

Cavaleiro conta hoje com uma população com mais de 100 mil habitantes, um forte e movimentado comércio, intensa vida cultural e política e estações de metrô que facilitam a comunicação com  Recife e com Jaboatão Centro. Nenhuma semelhança com os tempos em que a produção do açúcar, o fausto dos senhores de engenho e o trabalho árduo dos escravos dominavam a localidade!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Cidade de Moreno

Por James Davidson




A cidade de Moreno possui muitos lugares interessantes e de valor histórico. Um simples passeio pelo centro pode revelar uma riqueza de informações e de histórias que um olhar desatento não consegue perceber. Vários pequenos roteiros podem ser feitos. Então vamos lá!


Nosso passeio começa pelo ponto onde a cidade nasceu: o Engenho Catende. O Engenho Catende era o antigo Engenho Nossa Senhora da Conceição que aparece nos documentos do período holandês. Situado às margens do Rio Jaboatão, também aparece na cartografia holandesa com esse nome, nos mapas de Vingboons e Marcgraf. É, portanto, um dos engenhos mais antigos do município. Sua casa-grande centenária, apesar de menos opulenta e conhecida que a do Engenho Morenos, ainda encontra-se preservada, sendo conhecida pela população como o "Casarão". Chegou a ficar abandonada por um tempo mas foi restaurada pela prefeitura que a utiliza hoje para eventos.


Um pouco mais adiante, na avenida, encontra-se a Matriz de Nossa Senhora Conceição. Apesar de muito bonita e vistosa, ela não é muito antiga pois foi construída em 1930. Perto dela, onde hoje encotra-se o Colégio Dom Jaime, existia um templo mais antigo - A Igreja de São Sebatião, que tinha sido erguida em 1745, pelo capitão de ordenanças Domingos Bezerra Cavalcanti, e foi destruída em 1973. A matriz hoje conta com uma gruta e um jardim.


Em frente à matriz, encontra-se a fábrica fechada do Cotonifício Moreno. Esta fábrica foi fundada em 1910, com o nome de Societè Cotonniere Belge-brasiliense, por empresários belgas e foi de extrema importância para o desenvolvimento da cidade. Como na época Catende era apenas um engenho, foi o Cotonifício que foi responsável pelo crescimento populacional e econômico da localidade pois empregou muita gente, inclusive trazendo operários de Paulista e de Camaragibe. Hoje, apesar de fechada, conserva boa parte de sua estrutura.


A Vila Operária do Cotonifício Moreno é outro ponto histórico. Situada nas ruas que ficam atrás do Cotonifício, caracteriza-se por ser um conjunto de casas conjugadas que foram construídas para abrigar as famílias dos operários da fábrica. De construção contemporânea ao Cotonifício, é uma das vilas operárias mais bem conservadas do estado de Pernambuco, mesmo sem ser tombada, apesar de já existirem algumas casas descaracterizadas.


Descendo novamente para avenida, encontramos outros pontos de destaque. O prédio da prefeitura foi construído após a emancipação politica de 1928. Notar a semelhança com o antigo Teatro Municipal de Jaboatão, erguido em 1911.


O prédio do antigo cinema de Moreno só funciona o primeiro pavimento. Os outros estão em ruína. Mais adiante, o Mercado Público Municipal, construído em 1922, quando a cidade ainda era distrito de Jaboatão.




A Estação Ferrroviária de Moreno é outro edifício que se destaca. Construída em 1885 pela Great Western, fazia parte da Linha de Ferro Central de Pernambuco que ligava o Recife ao interior. É um importante marco histórico do município, pois foi responsável por facilitar o transporte de produtos e mercadorias, contribuindo também para a implantação do Cotonifício, que tanto desenvolveu a cidade. Apesar de sua grande importancia, o prédio encontra-se abandonado, embora em melhores condições que outras estações igualmente abandonadas, como a de Jaboatão. Assim como o Engenho Morenos, é um dos únicos bens em processo de tombamento pela FUNDARPE dentro do município.




Para finalizar: a Cidade de Moreno também tem muita história pra contar!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Os prefeitos de Jaboatão

Por James Davidson



Atendendo ao pedido de Jessé Vieira, de Cajueiro Seco, leitor do blog, decidi fazer uma matéria com os nomes de todos os prefeitos de Jaboatão, já que esta informação não se encontra em nenhum material na internet, nem mesmo na página da Prefeitura. Procurando em livros, como Jaboatão dos meus avós e Jaboatão sua terra sua gente, é possível encontrar os nomes e mandatos dos primeiros prefeitos e suas realizações, até a década de 1980. A partir daí, é preciso buscar em jornais e na memórias as informações mais recentes. Uma outra referência é o livro Jaboatão 411 anos de Adriano Marcena.

 É importante levar em consideração que nem sempre os mandatos duravam quatro anos (houve épocas em que estes eram de cinco anos e em alguns casos podiam ser prorrogados) e muitas vezes o cargo era ocupado por interinos que assumiam por pouco tempo. Além disso, por causa das flutuações da política nacional e estadual, havia muitas intervenções e deposições, como na época da ditadura de Vargas e da ditadura militar. Jaboatão é um dos municípios que mais intervenções sofreu em Pernambuco, sendo o prefeito Fagundes de Menezes sofrido duas, nos três mandatos que exerceu!

Apesar de quase 500 anos de existência, Jaboatão só veio a ser elevado a categoria de município em 24 de maio de 1873. Mas, de acordo com a lei da época, apenas a Câmara de vereadores passou a funcionar, pois o poder executivo do município só passou a existir após a proclamação da República, em 13 de novembro de 1892. Logo, a Câmara de Jaboatão é mais antiga que a prefeitura. Eis a lista a seguir:

Cel. Joaquim Xavier Carneiro de Lacerda (1892-1895) - Primeiro prefeito e dono do Engenho Bulhões.
Manuel Xavier Carneiro de Albuquerquerque (1895-1898) - Proprietário do Engenho Palmeiras
Cel. Joaquim Maximiano Pereira Viana (1898-1901) - Proprietário do Engenho Pereiras
Dr. Joaquim Carneiro Nobre de Lacerda (1901-1904) - Proprietário do Engenho Santana
Antonio de Souza Leão (1904-1907) - Dono do Engenho Morenos e filho do Barão homônimo.
João de Souza Leão (1907-1910) - Dono do Engenho Tapera em Bonança.
De 1910 a 1913, devido às tensões na política estadual, cinco prefeitos governaram: Joaquim Nobre de Lacerda, José Mariano Carneiro Leão, Sivério Batista Magalhães, Luis Gonzaga Maranhão e Praxedes Brederodes Costa.
Fábio Carneiro de Albuquerque Maranhão (1913-1916) - Dono do Engenho Novo da Muribeca.
Carlos Alberto Paes Barreto (1916-1919) - Era advogado e faleceu no último ano do mandato.
Arnaldo Xavier Carneiro de Albuquerque (1919-1922) - Dono do Engenho Palmeiras e sócio da Usina Muribeca. Construiu o 1° prédio da prefeitura abaixo.



Francisco Antônio Brandão Cavalcanti (1922-1926) - Proprietário do Engenho Jangadinha.
Fabio Albuquerque Maranhão (1926-1930) - Prefeito pela segunda vez
Entre 1930 e 1934 governaram os prefeitos-interventores: Antonio de Paula Carneiro da Cunha e Epitácio de Oliveira Belém.
Epitácio de Oliveira Belém (1934-1937) - Governou de novo desta vez eleito.
De 1937 a 1947, época do estado Novo, foram nomeados os seguintes prefeitos: Luís Gonzaga Maranhão, Carlos Barboza da Paz Portela, Davino Ribeiro de Sena, José Carneiro de Barros, Evandro Luís Neto, Dr. Clóvis Wanderley e o Dr. Aníbal Varejão.
Dr. Manoel Rodrigues Calheiros (1947-1951)- Considerado o primeiro prefeito comunista do Brasil
Humberto Lins Barradas (1951-1955) - Dono do Engenho Megaype de Cima em Muribeca.
Dr. Aníbal Varejão (1955-1959) - Derrubou o predio da prefeitura construindo outro no lugar e acusado de matar o Dr. Luís Regueira.
Humberto Lins Barradas (1959-1963) - prefeito pela segunda vez.
Vicente Alberto Carício (1963-1968) - Teve o mandato prorrogado por mais um ano.
José Fagundes de Menezes (1968-1973) - Governou apenas 3 meses pois foi cassado pelo AI5. Assumui em seu lugar o interventor General Heitor de Melo Machado.
Severino Claudino da Silva (1973-1977) - Era comerciante.
Geraldo José de Almeida Melo (1977-1982) - também era comerciante.
José Fagundes de Menezes (1983-1988) - sofreu mais uma intervenção no final do mandato assumindo o interventor Marcos Vasconcelos.
Geraldo José de Almeida Melo (1989-1993) - assumiu o governo pela segunda vez
José Humberto Lacerda Barradas (1993-1997) - Filho do ex-prefeito homônimo.
Newton D'Emery Carneiro (1997-2000) - Sofreu uma intervenção em 1999 assumindo o interventor Byron Sarinho e, posteriormente o vice Fernando Rodovalho.
Fernando Antônio Rodovalho (2001-2004) - Era o vice de Newton que ganhou a eleição seguinte.
Newton D'Emery Carneiro (2005-2008) - assume novamente e quase sofre outra intervenção no fim do mandato.
Elias Gomes da Silva (2009-2012 e 2013-2016) - É o atual prefeito com mandato até 2016. Elias Gomes foi o único prefeito eleito a exercer dois mandatos consecutivos em Jaboatão.
Anderson Ferreira (2017-2020) - Eleito em 2016, irá comandar a cidade a partir de 2017 com mandato previsto até 2020.


Posse de Elias Gomes em 2009.

Analisando esta percebe-se que a maioria dos primeiros prefeitos eram donos de engenho. Reflexo da política dos coronéis que reinava até então. Uma outra observação importante é a quantidade de intervenções, em sua maioria fruto de golpes em escalas nacional e estadual. Uma outra coisa interessante é que, exceto o atual prefeito Elias Gomes, nenhum prefeito conseguiu reeleger-se por dois mandatos consecutivos. São marcas típicas que a política conturbada de Jaboatão deixou na história.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Relevo de Jaboatão dos Guararapes

Por James Davidson


O relevo é um dos aspectos ambientais mais importantes da paisagem de qualquer município. Além de influenciar na configuração urbana e no processo de formação do território é um dos componentes que mais influenciam o meio ambiente. Por isso, sua melhor compreensão é necessária para um manejo sustentável e adequado do solo.



O relevo de Jaboatão dos Guararapes pode ser dividido em três grandes domínios principais a saber: terraços marinhos, planície litorânea e morros/colinas. Todos estes domínios foram formados ao longo de milhares e milhões de anos tendo como principais fatores determinantes a litologia, as atividades tectônicas e o clima do município.


O domínio dos morros, montes e colinas abrange a maior parte do território municipal (cerca de 70%) predominando no norte, oeste e sudeste do município. São topografias de altitudes variadas sendo o ponto mais alto a Serra da Macambira, com aproximadamente 255m de altitude. Esses morros e colinas foram desenvolvidos em sua maior parte sobre rochas cristalinas e metamórficas, que dominam a maior parte do município, sofrendo com o intemperismo resultante do clima quente e úmido da região. Apenas uma pequena parte desse domínio foi desenvolvido sobre as rochas da Formação Barreiras (3 a 5%), como é o caso dos Montes Guararapes e dos morros limítrofes ao município do Recife. A ocupação irregular e desordenada desses espaços ocasiona muitas as vezes as chamadas "quedas de barreiras" trazendo prejuízos para a população. 


O domínio de Planície inclui formas como as pequenas planícies fluviais, planície fluvio-lacustre e formas marinhas. Constituem áreas de topografias planas e de baixa altitude. As planícies fluviais são áreas baixas mais conhecidas como várzeas, situadas às margens dos rios e riachos, geralmente localizadas entre os morros e colinas, mas também presentes em outros domínios. Destaque para a planície fluvial do Rio Jaboatão que forma alguns terraços fluviais em alguns trechos e que está descaracterizadas em outros por causa da exploração de areia.



A planície fluvio-lacustre abrange uma enorme região em torno da Lagoa Olho D´água e do baixo Rio Jaboatão. Constitui a maior parte de toda a planície do Distrito de Prazeres e foi formada durante a última transgressão marinha do Holoceno, quando houve o afogamento da região, gerando corpos lagunares como a Lagoa Olho D´água. Já as formações marinhas incluem a estreita faixa de areia na borda da praia sob a ação constante das ondas e marés.


Os terraços marinhos constituem formas de altitudes moderadas (entre 2 a 8 metros) cuja origem está relacionada com a oscilação do nível do oceano ao longo do Quaternário. Dois terraços destacam-se dentro do território de Jaboatão dos Guararapes. O primeiro, chamado de terraço marinho superior, tem entre 8 e 10 metros de altitude e teve origem durante o Pleistoceno, após a penúltima transgresão marinha há cerca de 120.000 anos atrás. Estão bastante descaracterizados atualmente devido à exploração de areia, mas ainda podem ser vistos em torno da linha férrea do Cabo-Curado, em Prazeres. O segundo terraço, com altitudes menores (cerca de 3 a 5 metros), chamado de terraço inferior, situa-se paralelo ao litoral e a pouca distância da praia. Originou-se após a última regressão marinha que sucedeu à ultima transgressão, ainda no Holoceno. Podem ser facilmente identificados pelas pequenas elevações que antecedem a praia nos bairros de Piedade ou Candeias. Estão atualmente bastante ocupados com edifícios e residências, mas sofrem com o processo de avanço do mar que resulta em erosão.


A compreensão do relevo e de suas formas é fundamental para um melhor planejamento do espaço municipal e dos riscos e potenciais que cada unidade oferece para a ocupação adequada do território.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Moreno Redescoberto - o novo blog da região!

Por James Davidson



Depois de quatro anos de sucesso do Jaboatão dos Guararapes Redescoberto, onde tive a rica e feliz oportunidade de postar várias coisas sobre o município de Jaboatão dos Guararapes e de entrar em contato com várias pessoas que tinham as mesmas preocupações que eu: preservação do patrimônio, preservação do meio ambiente, memória, cultura, valorização de nossa identidade, ecologia, turismo, história, geografia, etc... decidi criar agora um blog com o mesmo estilo e perfil sobre o município de Moreno. Há muito tempo que tenho este desejo, mas as dificuldades e preocupações(principalmente a falta de tempo) eram obstáculos que adiaram esta minha decisão. Mas com o meu ingresso na rede de ensino de Moreno, a necessidade de realizar um trabalho semelhante tornou-se mais urgente e não pude resistir a atração de usar o blog como um instrumento pedagógico e de divulgação. Por isso, apesar de não ser morenense e de não residir nesta cidade, o Moreno Redescoberto vem com a missão de repetir o sucesso do Jaboatão Redescoberto na terra de Baltasar. Afinal, Moreno é a cidade natal de meu pai e onde venho exercendo a sofrida, mas nobre função de lecionar. Agora, no ritmo de uma postagem por mês estarei também publicando matérias interessantes sobre a geografia, a história e a cultura de Moreno.


Para acessar o blog: http://www.morenoredescoberto.blogspot.com/

Boa leitura!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Engenhos de Jaboatão dos Guararapes

Por James Davidson



Estudar os engenhos de Jaboatão dos Guararapes não é uma tarefa fácil. Além das dificuldades de distância e tempo para ir aos locais, há ainda as dificuldades em termos de referências bibliográficas. Contudo, faz quatro anos que venho pesquisando sobre o assunto e acredito que já reuni um material suficiente não para concluí-lo, mas para pelo menos dar um pontapé inicial no tema.



Os engenhos de Jaboatão podem ser clasificados sobre o ponte de vista geográfico (localização), histórico-temporal (de acordo com a idade ou surgimento), arquitetônico (tipologia dos edifícios) e arqueológico (de acordo com os resquícios e evidências remanescentes). Pretendo utilizar os critérios temporal e geográfico por serem os mais simples para esta postagem. Também considero "engenhos de Jaboatão" somente aqueles cuja sedes estavam ou estão situadas dentro do atual território municipal, ou seja, cerca de 45 engenhos.



Sob o critério temporal os engenhos mais antigos, ou seja, anteriores ao período da invasão holandesa, são os seguintes, divididos em duas freguesias:

Freguesia de Santo Amaro de Jaboatão: Santana, N.S da Guia (atual Velho), Bulhões (antigo S.João Batista), Camassari, Suassuna, Palmeiras (Mangaré), Carnijó, N.S.da Conceição(atual Catende), N.S. da Apresentação (Moreno), Gurjaú-de-cima e Gurjaú-de-Baixo. (Os cinco últimos pertencem hoje à Moreno)

Freguesia da Muribeca: Santo André, Novo, Guararapes, São Bartolomeu, Penanduba, Secupema, Muribeca (Muribequinha), Megaype de Baixo, Megaype de Cima (Algibeira) e Santo Estevão (às vezes incluído na Freguesia do Cabo).



Todos os outros engenhos de Jaboatão e Moreno surgiram através de desmembramentos desses engenhos mais antigos ou, através de doações de sesmarias das terras remanescentes. Todos esses engenhos estavam à margem de algum rio, mostrando que a configuração da drenagem foi um fator primordial no processo de colonização e ocupação das terras. Somando-se os novos aos antigos engenhos citados temos os seguintes engenhos em Jaboatão:

Cananduba - situado no extremo noroeste do município, conserva casa-grande não-original.
Goiabeira - às margens da Br 232, próximo à Represa de Duas Unas.
Camassary - as margens do Duas Unas, atualmente submerso pela barragem de mesmo nome.
Manassu - no bairro de mesmo nome, conserva casa-grande e capela.
Mussaíba - atual fazenda Mussaíba, conserva ainda sua casa-grande.
Cova de Onça - situado no extremo norte do município, mantém uma modesta casa-grande.
Santo Amarinho - Ficava onde hoje está o bairro do Curado 2 e foi desmembrado do Engenho São Francisco.
Cumbe - Ficava no bairro do Curado, onde atualmente é o condomínio Sapucaia.
Jangadinha - Onde funcionou a antiga FEBEM, no Centro de Cavaleiro.
Cavalheiro - deu origem ao bairro homônimo, sua sede ficava próximo à Praça do Banco do Brasil.
Santana - às margens do Rio Jaboatão em Dois Carneiros, mantém capela e casa-grande conjugadas.
Socorro - atualmente corresponde ao 14° Batalhão no bairro homônimo.
Entre Rios - Ficava onde hoje é a Reserva de Mussaíba, pertencente ao quartel de Socorro.
Velho - antes N.S. da Guia, deu origem ao bairro homônimo
Bulhões - antigo São João  Batista que deu origem à Jaboatão. É atual Usina Bulhões.
Corveta ou Coveta - fica após a Usina Bulhões, mantém ainda a casa-grande.
Caxito - às margens do Riacho Carnijó, próximo à entrada de Moreno, conserva casa-grande e aquedutos da antiga fábrica.
Macujé -às margens do riacho Suassuna, mantém casa-grande, bueiro e ruínas da fábrica.
Pedra Lavrada - Entre Macujé e Secupema, contém casa-grande não-original.
Palmeiras ou Mangaré - às margens do riacho homônimo, próximo à Colônia dos Padres, contém aquedutos, capela e senzala originais.
Suassuna - atual Usina Jaboatão (abandonada), conserva a mais antiga casa-grande de engenho do município, datada de 1790.
Santo André - Ficava às margens do riacho Suassuna, próximo às pedreiras do Lote 21 em Vila Piedade. Existem apenas as ruínas.
Águas Belas - Provavelmente ficava onde hoje é o bairro de Dois Carneiros Alto, próximo ao Santana.
Guarany - Próximo à Lagoa Azul na confluência do Riacho Suassuna com o Rio Jaboatão.
Recreio - perto da Usina Muribeca, atualmente bairro de Muribeca Integração.
Conceição - próximo ao Engenho Recreio e desmembrado do Engenho Novo.
Novo - próximo ao extinto lixão da Muribeca, às margens do Rio Jaboatão, conserva a antiga casa-grande onde morou o Dr. Morais e Silva.
Guararapes - próximo ao Conjunto Muribeca, atrás da Wal Mart, no local conhecido como "areeiro".
São Bartolomeu - próximo a Comportas e da Br 101 sul, sua casa-grande foi destruída em 2010.
Comportas - desmembrado do São Bartolomeu, no bairro de mesmo nome.
Megaype de Baixo - Próximo ao posto Rodoviário da Br 101 sul e da Pedreira Guarany, dele só restam as ruínas.
Megaype de Cima - Próximo a Megaype de Baixo no caminho que vai dar em Muribeca. Conserva a casa-grande e ruínas da capela.
Santo Estevão - no limite com o Cabo, às margens da Br 101 sul, próximo de Ponte dos Carvalhos.
Caongo - antigo São José da Minas, próximo a Santo Estêvão. Possui casa-grande não original.
Salgadinho - próximo à reserva ecológica de mesmo nome, se quer possui as ruínas.
Capelinha - próximo à Vila dos Palmares, às margens do Riacho Salgadinho.
Muribequinha - próximo ao encontro do Riacho Salgadinho com o cachoeira do Pilão em Vila dos Palmares
São Joaquim - Entre o Suassuna e o Muribequinha, conserva a casa-grande remodelada.
Penanduba - às margens do riacho Cachoeira do Pilão, mantém casa-grande e fábrica em ruínas.
Secupeminha - Entre Pedra Lavrada e São Salvador, ás margens do arroio homônimo.
São Salvador - Situado nos limites como o Cabo, as margens do riacho e açude homônimos.
Rico - Entre Barbalho e São Salvador, mantém vila de moradores mas não a casa-grande.
Barbalho - Entre São Salvador e Salgadinho.



Uma observação: Como Moreno fazia parte de Jaboatão até 1928, as referências anteriores a essa data colocam os engenhos morenenses como pertencendo a Jaboatão. São esses os engenhos que hoje pertencem a Moreno, mas que já fizeram parte de Jaboatão:

Bom Dia, Catende, Morenos, Carnijó, Xixaim, Timbó, Pereiras, Pintos, Jaboatão, Jussara, Bela Vista, Capim-assu, Estiva, Quiaombo, Coqueiros, Pocinho, Una, Sapucaia (Primavera), São José do Pacoval, Pitimbú, Fortaleza, Cabra Velha (atual Usina N.S. Auxiliadora), Serraria, Tapera, Queimadas(marcava o limite com Vitória), Camarão, Várzea do Una, São Braz, Canzanza, Caraúna, Jardim, Mato-grosso, Viagens, Gurjaú-de-cima, Gurjaú-de-baixo, Floresta, Javunda, Brejo, Cumarú, Novo da Conceição, Contra-açude, Paris, Furnas, Buscaú, Laranjeiras e Seva.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Jaboatão Redescoberto e Coordenação de Patrimônio "redescobrem" ruínas de Megaype de Baixo e Engenho Novo da Muribeca

Por James Davidson



No último dia 18 de janeiro, o Jaboatão Redescoberto, na pessoa de James Davidson, junto com a Secretaria de Cultura, através da Coordenadora de patrimônio Idalice Laurentino, realizou uma série de pesquisas e descobertas nos engenhos da antiga Freguesia de Muribeca. O intuito era pesquisar os remanescentes de antigos engenhos que tivessem algum potencial histórico e arqueológico na região. A visita superou as expectativas e mostra que Jaboatão dos Guararapes é uma mina inesgotável de histórias e descobertas.



A visita começou no Engenho São Bartolomeu, em Comportas, onde registramos as ruínas da antiga casa-grande que foi demolida imprudentemente no ano passado. A questão ainda está em processo na justiça, mas permanece idefinida.



Seguimos em seguida para o Engenho Megaype de Cima e no caminho tivemos uma grande surpresa. Às margens da estrada, num local onde as canas tinham acabado de ser cortadas, as ruínas do antigo Engenho Megaype de Baixo emergiram na paisagem. Não desperdiçamos a oportunidade e registramos os vestígios daquela que foi considerada a mais bela e antiga casa-grande de engenho do estado de Pernambuco, merecendo ilustrar o livro de Gilberto Freyre Casa-grande e Senzala. Esta casa-grande possuía aspectos que lembram uma fortaleza e foi destruída pelo seu proprietário em 1928, quando soube que o governo queria tombar o edifício. Fato bastante semelhante com o que aconteceu com o Engenho São Bartolomeu, mostrando que quase 100 depois nosso país ainda não aprendeu a valorizar o patrimônio histórico.





Depois visitamos o Engenho Megaype de Cima. Lá ainda existe a casa-grande de engenho, muito bem preservada, que pertence ao ex-prefeito Humberto Barradas. A paisagem fica mais bonita com o açude em frente ao edifício. Também registramos a capela do engenho, em estado de ruínas, próximo ao arruado dos moradores.





Prosseguimos nossa expedição indo mais ao sul e chegamos ao Engenho Caiongo. Almoçamos num restaurante e fotografamos a casa-grande do engenho, muito modesta por sinal e bastante recente, datada da década de 1940. Este engenho também era conhecido como São José das Minas e foi desmembrado do Engenho Santo Estêvão. Diferente do que os moradores pensam, o engenho pertence ao município de Jaboatão, e não ao Cabo de Santo Agostinho.



Após seguirmos por Muribeca dos Guararapes, seguimos em direção ao Engenho Novo da Muribeca. E o melhor realmente estava guardado para o final. Depois de obtermos a autorização necessária para entrar no local, pudemos visitar um dos mais importantes patrimônios históricos do município: a casa-grande do Engenho Novo. Mas por que ela é tão importante? Porque foi nela que o Dr. Antônio de Moraes e Silva, no ano de 1802, escreveu a 2° edição do 1° Dicionário de língua portuguesa escrita no Brasil, incluindo verbetes brasileiras(palavras de origem indígena e africana), e a Epítame da Gramática Portuguesa. A casa ainda subsiste no local, apesar de estar abandonada e em ruínas. Destaca-se também pela beleza de sua arquitetura e ainda existem as ruínas da antiga fábrica do engenho, às margens do Rio Jaboatão.





Para concluir: Jaboatão dos Guararapes tem ainda muito para ser explorado e descoberto pelos seus próprios habitantes!

Rio Jaboatão - Poema de James Davidson

 Por James Davidson Jaboatão, Em tuas nascentes Fico eu a contemplar Água limpa Água Pura Difícil de imaginar!   Jaboatão Em...