quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Vídeo Documentário Águas do Jaboatão

Por James Davidson


Acima Vídeo Documentário Águas do Jaboatão, realizado pelo MJPOP em parceria com A Juventude Suassuna e o Jaboatão Redescoberto. Foram várias visitas em diversos trechos do Rio Jaboatão e seus afluentes, percorrendo seus 75 Quilômetros, desde sua nascente em Vitória de Santo Antão, até sua foz em Barra de Jangadas. Conversamos com moradores locais - pescadores, coletores, sitiantes e ribeirinhos - e flagramos várias atividades poluidoras e destruidoras do Meio Ambiente. Foi uma experiência maravilhosa, onde pudemos sentir na pele os momentos tanto de beleza, como de agonia do nosso rio. A relação dos moradores locais com nossa artéria fluvial também pôde ser analisada através deste documentário. Tudo em defesa do meio ambiente e do rio que deu origem à nossa cidade.

Não somente autorizamos, mas insistimos que este vídeo seja compartilhado, baixado, distribuído e divulgado em todas as mídias sociais para que seja um importante veículo de conscientização social e ambiental nas escolas, comunidades, universidades, seminários,  etc. Que os professores e atores sociais de nossas escolas e comunidades utilizem este vídeo para a Educação Ambiental em nosso município. Um agradecimento especial a Alexandre Roseno, Edson, Julie Carle, Mário César Ramos, Tathiana Cosme, Raiana Rodrigues, Torquato Silva, Walkíria Rodrigues, Joel Emídio, Pollyana Virgolino, Sr, Salatiel e para todos os outros que contribuíram de alguma forma ou de outra para a realização deste importante trabalho. Esperamos que um dia possamos ver esta triste realidade transformada e que um dia possamos beber da água do Rio Jaboatão em todos os sues trechos, não só em sua nascente!!!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Engenho Extintos de Jaboatão dos Guararapes

Por James Davidson

O município de Jaboatão dos Guararapes já chegou a ter 45 engenhos, isso excluindo da contagem aqueles que hoje pertencem ao município do Moreno. Apesar disso, são poucos os remanescentes que podemos encontrar destas antigas fazendas de açúcar que foram, por cerca de 400 anos, a principal atividade econômica do município. Alguns poucos ainda conservam alguma estrutura do antigo engenho, como a casa-grande, a senzala, a fábrica ou a capela. Alguns possuem apenas as casas de moradores. Outros mantém alguns desses elementos descaracterizados e alterados e, há ainda aqueles que mantém somente as ruínas, vestígios que indicam que ali existiu um engenho.

Casa grande do Engenho Megaype de Baixo

 Mas há aqueles casos em que nada praticamente sobrou à primeira vista do antigo engenho. É o caso dos engenhos Megaype de Baixo, Salgadinho, Capelinha, Cavaleiro, Engenho Velho, Conceição, São Salvador, Camassari e Santo Amarinho. São engenhos que podemos considerar extintos, pois nada é possível encontrar a primeira vista nos locais (exceto que escavações arqueológicas sejam feitas comprovando o contrário). As causas da destruição completa desses engenhos são variadas e serão avaliadas a seguir.

Local onde ficava o antigo Engenho Cavalheiro (Cavaleiro)

Alguns engenhos desapareceram como consequência da expansão urbana dos bairros da cidade. Foi o que aconteceu com os engenhos Cavalheiro (Cavaleiro), Santo Amarinho e Velho. O primeiro ficava situado onde hoje está a Praça de Cavaleiro, no entorno das ruas Severino Varejão e Padre Nóbrega. Já o Engenho Santo Amarinho ficava onde está localizado os atuais bairros do Curado II, III e IV, e existia até a construção desses loteamentos, no final da década de 1970 (A escola Cecília Brandão foi construída nessa época, quando ainda era engenho). O Engenho Velho deu origem ao bairro de mesmo nome, quando suas terras foram loteadas. Sua casa-grande ficava no chamado Alto da Viscondessa e existiu até meados da década de 1970, quando  foi destruída para a construção da Vila da Cepasa.

Antiga casa-grande do Engenho Velho -"Casa da Viscondessa"

Outros engenhos foram destruídos pela expansão dos canaviais das usinas. É prática comum de algumas usinas de cana-de-açúcar expulsar todos os moradores, destruir todos os edifícios para ter mais área para plantar. Constitui um verdadeiro absurdo sob o ponto de vista social, pois esvazia a zona rural cada vez mais e esses antigos moradores são forçados a viver sob condições adversas nas cidades, e patrimonial, pois muitas vezes a história também é destruída nesse processo. O Engenho Salgadinho é um exemplo. Nada mais resta do antigo engenho, nem mesmo as casas dos moradores é possível encontrar no local, pois foi destruído para a expansão dos canaviais da Usina Bom Jesus. Já o Engenho Capelinha parece ter desaparecido em processo semelhante.

Local do antigo Engenho Salgadinho - apenas canaviais

Outros engenhos sumiram por outros motivos. O Engenho Camassari (ou Camassary) desapareceu na década de 1970, submergido pela Represa de Duas Unas. O Engenho Megaype de Baixo teve sua casa-grande destruída em 1928, mas suas ruínas eram visíveis até pouco tempo quando foram completamente destruídas por uma rodovia (ver matéria no blog). Já no caso dos engenhos Conceição e São Salvador, suas causas constituem ainda um enigma.

Local onde ficavam as ruínas do Engenho Megaype de Baixo

Esses são os Engenhos extintos de Jaboatão dos Guararapes.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Os índios de Jaboatão

Por James Davidson


Quando se estuda história do Brasil todo mundo aprende na escola que os primeiros habitantes de nosso país foram os indígenas. Mas, no caso de Jaboatão poucas são as informações sobre as tribos e povos que ocupavam nosso território antes da colonização. As referências são poucas e não nos trazem muitos detalhes sobre a vida e as características dos primeiros jaboatonenses.

Até o presente momento, não foi encontrado nenhum sítio pré-histórico em Jaboatão dos Guararapes. Mas isto não quer dizer que eles não existam. Segundo a arqueóloga Niède Guidon, há evidências de que o Nordeste era habitado há pelos 50.000 anos e, mesmos as teorias mais pessimistas sobre a ocupação do Continente Americano, situam essa ocupação entre 20.000 e 10.000 anos antes do presente. É muito improvável que em todo este tempo nenhum grupo humano tenha deixado nenhum vestígio em nosso município.

Esta ausência deve-se, com certeza, tão somente a falta de pesquisas arqueológicas. E como a ausência de evidências não é evidência da ausência, podemos considerar a hipótese que devem existir sítios desconhecidos em Jaboatão. Há relatos antigos que, no Engenho Guarany, existiam pinturas e gravuras rupestres em enorme rochedo da região. Orlando Breno procurou incisivamente por elas e descobriu que o local exato tinha sido destruído pelas pedreiras, ainda hoje abundantes na localidade. Isso mostra que é possível a existência de sítios e registros pré-históricos nos inúmeros rochedos espalhados pela zona rural do município.

Segundo Pereira da Costa, os índios que habitavam a região ao sul de Recife, a partir dos Montes Guararapes, eram os índios Caetés, pertencentes ao grupo tupi. Estes índios foram duramente perseguidos e exterminados, a partir da década de 1560, em represália ao incidente antropofágico da qual foi vítima o Bispo do Brasil, D. Pedro Fernandes Sardinha, devorado junto com os outros tripulantes do naufrágio ocorrido próximo ao Rio São Francisco. Os Caetés habitavam todo o litoral sul de Pernambuco, até a foz do São Francisco, e eram tidos como "guerreiros, valentes, habilidosos, grandes músicos e bailadores" segundo o mesmo autor.


Esta guerra de extermínio contra os Caetés do sul da capitania, liderada por Jerônimo de Albuquerque e apoiada pela rainha de Portugal D. Catarina, durou cinco anos (1560-1565) e serviu para alargar os domínios portugueses em Pernambuco que antes "não tinham atingido, ainda, Guararapes, não ocupavam mais que o atual município do Recife". Ainda diz Bento Teixeira em sua Relação do Naufrágio de Jorge de Albuquerque, e retirada de Pereira da Costa: "Quando, porém, tomava algum forte ou aldeia dos gentios, fartava a todos com muitos porcos e galinhas, e outro muito mantimento da terra, que achava nessas aldeias". E ainda mais: "Tomando com facilidade uma aldeia após outra, conseguiu por termo a essa conquista dentro de cinco anos". Assim, foram massacrados os índios Caetés e os que sobreviveram fugiram ou foram escravizados.


A partir daí, iniciou-se a colonização das terras das "Ribeiras do Jaboatão, Pirapama, Ipojuca, Sirinhaém, etc". Os primeiros engenhos foram instalados ainda na década de 1560 e a presença dos indígenas parece ter sido banida segundo a maioria dos autores. Porém, as referências que tratam do domínio holandês em Pernambuco parecem negar a versão do extermínio completo dos índios. No ataque à Muribeca, ocorrido em 30 de Abril de 1633, quando o Engenho de D.Catarina de Albuquerque (Engenho Muribequinha) foi destruído, também foi destruída com ele uma aldeia de índios existente no local. A existência de aldeias indígenas em Muribeca durante o período colonial é uma grande possibilidade.


Não se sabe como devia ser a vida nessas aldeias, nem suas relações com os colonizadores e nem por quanto tempo duraram. Provavelmente, esses índios foram sendo absorvidas pela miscigenação com os colonizadores, perdendo suas terras com os avanços dos engenhos. Apesar disso, no século XVIII ainda existiam índios em Jaboatão. De acordo com Frei Jaboatão, em terras do Engenho Gurjaú (pertencente à Jaboatão na época) havia uma tribo de índios tapuias:


"Há notícia de que, em 1707, havia em Jaboatão uma tribo de índios, naturalmente do ramo dos tapuios. Nas margens do Rio Gurjaú, que nasce em Jaboatão e deságua no Rio Pirapama, habitava uma tribo que tinha o nome de ARAPOÁ-AÇÚ (ARAPOÁ ou IRAPOÁ é o nome de uma abelha muito comum; corruptela de IRA APUÁ, que significa mel redondo, ninho de abelhas.)."

Estes dados são os únicos encontrados sobre os primeiros jaboatonenses. Somente a realização de estudos arqueológicos no município, com um pouco de sorte, será possível ter um quadro mais completo e claro sobre os índios em Jaboatão dos Guararapes.

sábado, 28 de abril de 2012

Engenho São Bartolomeu

Por James Davidson



Casa-grande de São Bartolomeu,
Tão antiga e tão amada,
Tanta história tú guardavas,
Mas hoje não mais existes.

Que fizeram com a casa
Tão bonita e tão antiga,
Memórias das famílias
Que um dia a possuíram?


Que fizeram com a casa
Dos tempos imperiais
Num engenho colonial
Que por isso se tornou grande?


Aquele antiga casa
Muita histórias nos contava
Mas São Bartolomeu não espera
O que lhe aconteceu.

Dos judeus e holandeses
Que ali sobreviveram
Portugueses e africanos
Escravos e senhores


Memórias tu guardavas
Quanta história tu contava?
E apesar de tão amada
Te fizeram perecer.

Hoje não mais existes
Mas teu nome sobrevive
Tua lembrança então persiste
Em nossos corações



Como um ícone da luta
Em defesa do passado
De um lugar abandonado
Que é Jaboatão!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Video sobre o manguezal do Rio jaboatão

Por James Davidson

Divulgo aqui um vídeo enviado pelo nosso colaborador Alexandre Roseno sobre o manguezal do Rio Jaboatão e o trabalho social da ONG Mangue Ferido. Veja o que acontece com o lixo que é jogado no Rio Jaboatão:


sábado, 24 de março de 2012

Matéria sobre a Barragem do Engenho Pereiras

Por James Davidson

Após a realização da audiência pública sobre a Barragem do Engenho Pereiras em Moreno, o Jc fez a seguinte matéria e vídeo abaixo:

Disponível em:http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/noticia/2012/03/20/parte-de-moreno-sera-inundada-para-evitar-cheias-futuras-36387.php


Parte de Moreno será inundada para evitar cheias futuras

Estrutura será construída no Rio Jaboatão e vai inundar entorno da casa-grande do Engenho Pintos. Compesa promete fim da falta d'água na área sul da RMR


Às margens do Rio Jaboatão, em Moreno, a área no entorno da casa-grande do Engenho Pintos, distante 16 quilômetros do Centro, será inundada com a construção de uma barragem. O objetivo da estrutura é acabar definitivamente com as cheias que costumam afetar o município e parte de cidades vizinhas como Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, e Vitória de Santo Antão, Zona da Mata.
O empreendimento terá como responsável a Compesa, que também promete acabar com problemas de falta d'á-gua na região. Apesar de o projeto prever apenas a inundação do Engenho Pintos, a nova barragem ganhará o nome do Engenho Pereira, que fica ao lado do espaço destinado ao reservatório.
Além de destruir o que restou da estrutura do engenho secular, o empreendimento atingirá terras de um assentamento rural que abriga 400 famílias. São pessoas que conquistaram o direito de viver por lá, há 15 anos, e outras que receberam moradias por herança. Para quem depende da terra para tirar o sustento, a notícia da construção da barragem chegou de repente e assustou.

"É como uma bomba que vai cair nas nossas cabeças. A gente escuta falar nessa obra há muito tempo, mas todo mundo acreditava que era boato. Víamos os pesquisadores entrarem nas terras, mas ninguém nunca chegou para explicar o que ia acontecer no engenho", afirma a agricultora Edna Maria da Silva, 44 anos, uma das responsáveis pela Associação dos Parceleiros do Assentamento Herbert de Souza.

O território do Engenho Pintos é dividido em 147 lotes, administrados por pequenos agricultores. Muitos começaram a ocupar os terrenos com lonas. Atualmente, cada um tem seu espaço e todos plantam nas áreas comuns. Nem todas as casas do assentamento vão ser inundadas, mas quem vai ter que mudar de endereço teme o difícil recomeço.
"Trabalhar a terra do zero, encontrar um lugar tão bom para plantar, com um rio maravilhoso como o que temos aqui do lado de casa vai ser muito difícil. Todo mundo aqui é apegado a essas terras, ver acabar tudo é cruel", diz a agricultora Betânia Francisca da Silva, 37. A família de Cleide Josefa dos Santos, 46, foi criada no engenho e não pensa em outro lugar para morar. "É o nosso paraíso. A gente planta de tudo e é muito tranquilo", conta.
Caberá à Compesa recompensar as famílias pela destruição de suas casas. "Cada morador vai ter o direito de escolher se prefere ser indenizado ou reassentado. O valor da indenização e os detalhes dessa negociação ainda serão acertados", disse o diretor regional metropolitano da Compesa, Rômulo Aurélio de Melo, durante audiência pública ocorrida na última quinta-feira no Centro de Moreno.

Na ocasião, foi apresentado à população o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da barragem, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep). De acordo com a coordenadora técnica da instituição, a geógrafa Edvânia Torres Aguiar Gomes, uma das ações de redução de impacto ambiental que deverá ser posta em prática pela Compesa é o replantio das espécies encontradas na área a ser inundada.

Os animais identificados no engenho deverão ser encaminhados para outros territórios e os peixes tenderão a buscar outras áreas quando perceberem a mudança no meio, que acontecerá gradualmente. O Rima da Barragem do Engenho Pereira está disponível no site da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). Ainda não há previsão de data para o início das obras.

Rio Jaboatão - Poema de James Davidson

 Por James Davidson Jaboatão, Em tuas nascentes Fico eu a contemplar Água limpa Água Pura Difícil de imaginar!   Jaboatão Em...