Casas-grandes de Engenho Jaboatonenses

Por James Davidson

Casa-grande do Engenho Penanduba

Casa-grande é um termo que foi eternizado no Livro Casa-grande e Senzala, de Gilberto Freyre, e refere-se às antigas moradias dos senhores de engenho. Junto com a capela, a fábrica e a senzala, formava o conjunto de edificações básicas de um engenho de açúcar. Porém, apesar do termo, nem sempre eram grandes casas, mesmo que existam algumas que são monumentais, como bem explica o Professor Geraldo Gomes.

Casa-grande do Engenho São Bartolomeu - destruída

Casa-grande do Engenho São Bartolomeu

A localização da casa-grande no terreno dos sítios onde se encontram as sedes dos engenhos, geralmente é situada à meia encosta, em ponto estratégico onde o senhor podia observar a produção do açúcar. Nos engenhos jaboatonenses, as casa-grandes em geral não fogem à essa regra, ficando situadas quase todas nesta mesma situação. As casas dos engenhos Rico, Muribequinha e Velho (atualmente destruídas), por exemplo, ficavam na encosta onde se observava toda o pátio e os edifícios da produção do açúcar.

Casa-grande do Engenho Santana

Casa-grande do Engenho Macujé

Dentre os edifício tradicionais de um engenho de açúcar, a casa-grande geralmente é o que com mais facilidade é preservado. Diferente das senzalas, que por sua fragilidade construtiva dificilmente são mantidas, as casas-grandes muitas vezes são o único edifício original de muitos engenhos de Pernambuco que se preservam. No caso de Jaboatão, muitos engenhos ainda mantém suas casas-grandes - Caiongo, Megaype de Cima, Penanduba, Novo da Muribeca, Usina Muribeca, São Joaquim, Santana, Suassuna, Socorro, Mussaíba, Duas Unas, Bulhões, Caxito, Corveta, Macujé, Pedra Lavrada, Camarço e Cananduba.

Casa-grande do Engenho Suassuna

Casa-grande do engenho Caxito

A mais célebre casa-grande de engenhos jaboatonenses com certeza foi a do Engenho Megaype de Baixo. Construída no século XVI ou XVII, era a mais antiga casa de engenho de Pernambuco a chegar até o século XX. Porém, apesar de sua magnificência e sua importância, foi cruelmente dinamitada, em 1928, por seu proprietário. Outras casas de engenho destruídas em Jaboatão foram as dos engenhos Guararapes, onde existiu uma biblioteca visitada por D.Pedro II, Velho - sede do 1° Bal Masqué de Jaboatão, São Bartolomeu (destruída em 2010), Muribequinha, Capelinha, Salgadinho, Rico, São Salvador, Palmeiras, Camaçari, Entre Rios, Cavalheiro e Cumbe.

Casa-grande do Engenho Megaype de Cima

Casa-grande do Engenho Guarany

A mais antiga atualmente existente é a casa-grande do Engenho Suassuna, construída em 1790 e onde funcionou a Academia Suassuna. Foi recentemente tombada pelo Estado, mas se encontra abandonada e sem uso. Outra casa igualmente importante é a do Engenho Novo da Muribeca, onde residiu o dicionarista Antônio de Moraes e Silva, autor do 1° Dicionário de Língua Portuguesa do Brasil. Também se destacam as casas dos engenhos Megaype de Cima, Penanduba, Dua Unas, Santana, Macujé e Caxito por sua beleza e arquitetura. Outras casas-grandes são bem modestas como as dos engenhos Pedra Lavrada, Caiongo e Canaduba.
Casa-grande do Engenho Caiongo

As casas-grandes de engenho são mais outro conjunto que integram o rico Patrimônio Histórico do Jaboatão. Sua preservação é necessária para garantir a manutenção da Memória Histórica do município, onde os antigos engenhos tiveram um papel fundamental.
Casa-grande do Engenho Novo da Muribeca

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