Capelas de Engenho Jaboatonenses

Por James Davidson

Capela do Engenho Bulhões

Casa-grande, senzala, capela e moita são os edifícios básicos de um típico engenho de cana-de-açúcar. Cada edificação cumpria uma função específica na organização do engenho, e alguns engenhos ainda conservam pelo menos um dos edifícios principais. A casa-grande cumpria o papel de residência do senhor de engenho e, geralmente, situava-se à meia encosta, em um ponto elevado onde se avistava a fábrica e a produção. Em contrapartida, a moita ou fábrica geralmente se localizava na porção mais baixa do terreno, próximo ao rio, por conta da força motriz ser movida a água. A localização da senzala no sítio variava bastante, podendo ser junto à casa-grande ou junto da fábrica, ou mesmo em outro canto do sítio, desde que não distante do mesmo. Já a capela localizava-se geralmente no topo de alguma colina próxima, nos engenhos mais antigos, ou também ao lado da casa-grande (geralmente nos engenhos do século XVIII).

Capela do Engenho Manassu

A capela de engenho era mais que um simples templo religioso. Era o centro da vida social do engenho. Além de cumprir as funções religiosas básicas - missas e batizados, era a capela o local de realização das principais festas da vida cultural do engenho. Dentre estas, destaque para as festas de casamento, sempre muito movimentadas, batismos de crianças, festas natalinas, de Páscoa, São João, etc. Mas as festas mais importantes de um engenho era a Festa do Padroeiro, a Festa da Botada e a "Pêja".

Capela do Engenho Palmeiras

As festas de padroeiro de engenho eram das mais concorridas e importantes. Algumas seguem ocorrendo até hoje, como a de São Severino dos Ramos, em Paudalho. Outras já tiveram seus dias áureos, mas estão hoje esquecidas, como a de São Braz, e a de Santo Antônio, do Engenho Velho do Cabo. Em Jaboatão, cada engenho também tinha sua festa de padroeiro tradicional no passado, mas com a desestruturação das comunidades da maioria dos engenhos e com a destruição de muitas capelas, a maioria dessas festas não existe mais.

Capela de São João Batista da Usina Bulhões

Os santos padroeiros, com suas respectivas festividades e capelas existentes nos engenhos de Jaboatão, eram os seguintes: Engenho Guararapes - São Simão; Engenho São Bartolomeu - São Bartolomeu; Megaype de Baixo - São Felipe e São Tiago; Megaype de Cima - N.S do Carmo; Novo da Muribeca - São José; Muribequinha - Santo Antônio; Penanduba - N.S do Rosário; Salgadinho - São Cristóvão; Secupema - Santo Antônio; Santo André - Santo André; Santana - N.S. de Santana; Engenho Socorro - N.S. do Socorro; Engenho Velho - N.S. da Guia; Suassuna - N.S da Assunção; Engenho Bulhões - São João Batista; Palmeiras - Santa Cruz; Macujé - N.S do Carmo; Camaçari - N.S. do Rosário. Dessas, capelas, subsistem apenas as capelas dos engenhos Palmeiras, Bulhões, Santana,  Manassu, e Megaype de Cima (ruínas).

Capela em ruínas do Engenho Megaype de Cima

A Festa da Botada era outro momento importantíssimo na vida de um engenho. Marcava o início da moagem da cana e era realizada geralmente no mês de setembro. Consistia numa celebração onde se faziam todos presentes, com realização de missa por um padre-capelão. Nessa ocasião, os equipamentos do engenho eram benzidos com água benta, principalmente a moenda do engenho. Já a Festa da Peja marcava o fim do  período da moagem da cana, geralmente em março ou abril, encerrando as atividades do engenho. Era uma cerimônia mais modesta e menos importante que a Botada, sendo mais comemorada pelos trabalhadores e escravos do engenho.

Capela do Engenho Santana

Toda essa festas e comemorações de engenho eram realizadas em suas capelas e fábricas e deixaram sua contribuição na cultura do brasileiro. Jaboatão, como terra açucareira desde a sua origem, também fez parte desse processo. Todavia a maioria dos engenhos estão desaparecendo por conta da falta de políticas eficazes de preservação!

Capela do Engenho Santana

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