História do bairro de Engenho Velho

Por James Davidson


O bairro de Engenho Velho surgiu em terras do engenho de mesmo nome. O Engenho Velho era o primitivo Engenho Nossa Senhora da Guia que surge nas crônicas do período colonial, tendo sido levantado no final do século XVI. Durante o período da invasão holandesa ficou abandonado por muito tempo, restando apenas suas matas, pois seus proprietários fugiram para a Bahia com o advento do conflito.


 No século XVIII já estava funcionando novamente com a denominação de Engenho Velho. Em 1761 pertencia ao Padre Vasco Fernandes. No início do século XIX o engenho velho pertencia ao comendador José Francisco Pereira da Silva. Com a abertura da Estrada da Vitória, em 1836, passando pelas terras do Engenho Velho, os proprietários passam a aforar alguns terrenos às margens da estrada. Surgem assim algumas casas isoladas, embrião do atual bairro de Engenho Velho.


O Engenho Velho é arrendado em 1864 ao filho do proprietário, José Francisco Pereira da Silva Júnior. Com a morte do comendador, o Engenho Velho é vendido em 1876 por seus descendentes a José Antônio de Araújo, o Visconde do Livramento. Sua esposa, D. Maria Úrsula Moreira, Viscondessa do Livramento e seu marido tinham também uma casa na Passagem da Madalena. Mas sua presença na Cidade do Jaboatão seria marcante a ponto da casa-grande do Engenho Velho ficar conhecida como "Casa da Viscondessa".


 Com o falecimento do Visconde do Livramento, em 1886, a propriedade é herdada pela viúva, a Viscondessa do Livramento. A partir do final do século XIX e início do século XX, tem início o declínio da atividade agrícola na localidade, com a crescente expansão do núcleo urbano de Jaboatão, a chegada das ferrovias e a ascensão das usinas de açúcar em detrimento dos antigos engenhos bangues. O Engenho Velho encerra então suas atividades, sendo parte de suas terras loteadas na primeira metade do século XX. As demais foram adquiridas pela Fábrica Portela.

A casa da Viscondessa, porém, sobreviveria por mais algumas décadas. Em 1968 sediou o 1° Baile Municipal do Jaboatão, evento que contou com a participação de vários clubes sociais, como o Clube da Juventude, 13 de Maio, Inocentes do Rosarinho, Clube das Pás, entre outros. Todavia, apesar da importância histórica da casa de vivenda, a Industria Portela decidiu por abaixo o edifício, demolido em abril de 1977. Em seu lugar foi construída uma Vila de casas, a Vila da Cepasa, na Granja Santo Antônio, existente até hoje.

Além da antiga casa da Viscondessa, conta o bairro de Engenho Velho com outros edifícios de interesse histórico e social. A atual Escola Souza Brandão foi construída na antiga casa do Barão de Lucena, ex-presidente da província de Pernambuco e Juiz de Paz da Vila de Jaboatão, no século XIX. Adepto do abolicionismo, o Barão de Lucena teria papel importante na Abolição da Escravatura. Quando presidente da Câmara dos deputados, adiantou o processo de votação da Lei Áurea, ganhando com isso o título de Barão de Lucena, dado pela Princesa Isabel.Teve também destaque na vida social de Jaboatão, tendo sido criado o município do Jaboatão durante seu governo, quando governou a então província de Pernambuco, no ano de 1873.

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